segunda-feira, 10 de maio de 2021

Vereador defende prioridade para vacinação em trabalhadores de supermercados e farmácias

O vereador Francisco Gomes (PSD), procurado por comerciários, defendeu na Câmara de Itabuna a inclusão dos funcionários de supermercados e farmácias entre os grupos prioritários para vacinação da Covid-19. “De que adianta um idoso tomar a vacina e um trabalhador desses estabelecimentos ser acometido de Covid?”, indagou o edil na sessão de 05 de maio, Dia Nacional do Líder Comunitário.

Ele lembrou que tais profissionais acabam tendo contato com todas as pessoas, independente da faixa etária – assim virando focos para disseminação do coronavírus. “Temos que ir tanto à farmácia quando temos outras doenças como ir ao supermercado fazer compras. Se a pessoa lá estiver acometida de Covid, não vai passar? Peço que nos ajudem nessa questão o mais rápido possível”, argumentou.

Aquela sessão, mais uma vez, trouxe questões que moradores levam aos edis e respaldam os pedidos de providências que eles encaminham ao Executivo. Ainda no quesito saúde, Sivaldo Reis (PL) lembrou a necessidade da retirada de cupins que impedem a inauguração de unidade na Vila das Dores. Já Francisco, reiterou a urgência de ser reaberto o posto do bairro Santo Antônio, fechado há mais de um ano.

         “Está sendo prejudicada a população não só daquele bairro como do Corbiniano Freire, Jardim Grapiúna... Porque aquela é uma unidade de referência; precisa urgentemente da reabertura. Nosso prefeito Augusto Castro [PSD] está sendo muito sensível a essa questão, mas quem sente na pele é a gente, que está lá na ponta”, completou.

 

“Escuta da comunidade”

Diante do questionamento, o vereador líder do governo, Manoel Porfírio (PT), ressalvou: “Aquela unidade [do Santo Antônio] vai ser referência para a cidade. Mas depende também dos meandros legais da justiça. É vontade da gestão acelerar as coisas, mas temos esbarrado na burocracia! É importante deixar isso registrado”.

Wilma (PCdoB) frisou que falhas no setor, um dos mais reclamados na cidade, se arrastam há décadas. “Cada sentimento expressado aqui é fruto de uma escuta da comunidade. Falando como servidora pública há 12 anos, posso retratar que todos os 32 postos de saúde que temos enfrentam dificuldades históricas; não temos uma equipe de manutenção de postos de saúde. Às vezes tem um sifão de torneira que precisa ser trocado e não tem como resolver, a não ser que o administrador compre e ele mesmo troque. Porque esbarra na chamada burocracia”, exemplificou.

Lembrando ser líder comunitário há 25 anos, Antônio Piçarra (Solidariedade) parabenizou os colegas pelas constantes reivindicações ao Executivo e vários citaram pleitos atendidos. Ele agradeceu, por exemplo, pela ponte no bairro Fonseca. Já Gilson da Oficina (PL) e Marcelo Souza (Cidadania) enalteceram a alternativa encontrada para pôr fim ao lixão.

 Conselho contra Drogas

Já passou pela primeira votação o projeto (nº 21/2021) para ampliar o número de membros no Conselho Municipal de Políticas contra Drogas. Assinada pelo edil Israel Cardoso (PTC), a proposta aumenta a participação da comunidade e garante a diversidade no órgão de controle social. A propositura será novamente apreciada na quarta-feira (12).

Ensino de bilíngue para Itabuna

 A sessão especial articulada pelo presidente da Câmara de Vereadores, Erasmo Ávila (PSD), na sexta, 8, deu visibilidade a demandas importantes para a comunidade surda de Itabuna. O destaque ficou para a criação de uma Central de Libras e a implantação do ensino bilíngue (português e Libras) nas escolas municipais. Esses pedidos partiram de membros da Associação de Surdos/as de Itabuna (Assi), entre eles o presidente Gabriel Brandão. A sessão do Legislativo itabunense recordou os 19 anos da Lei 10.436/02 que reconhece a Língua Brasileira de Sinais (Libras) como meio legal de comunicação no país.

Convidados aproveitaram a sessão para defender mais direitos de inclusão para os surdos. A professora da UESC, Lucília Lopes, cobrou do Governo da Bahia a criação de cargos efetivos especificamente para intérpretes e tradutores de Libras. A professora da rede municipal, Adneia de Oliveira, endossou a necessidade de reformulação do currículo escolar para garantir o aprendizado em Libras. Já o doutorando Ricardo Dantas ressaltou que os surdos "falam pelas mãos, pela expressão facial" e condenou a subalternização que nega voz e exclui os corpos deles.

Pela gestão municipal, o secretário de Governo, Júnior Brandão, afirmou que a administração já discute internamente a pauta da comunidade surda, apresentada ainda durante a campanha eleitoral de Castro. Para o secretário, o Executivo tem desafios no tocante à acessibilidade para surdos nos serviços públicos. Falando pela FICC, Geny Xavier declarou que a Fundação prepara um projeto para mapear o público surdo e, com isso, desenvolver políticas culturais de inclusão. A FICC planeja contratar intérpretes de Libras para atuarem nas transmissões online do órgão.

Presidindo a sessão, Erasmo reforçou o trabalho da Câmara para garantir o direito linguístico dos surdos, como sinalização dos gabinetes e departamentos da Casa com a Língua de Sinais. Ele anunciou para 31 de maio o treinamento em Libras com os vereadores. "Essa Casa vai abraçar essa causa", declarou apontando para um projeto de lei que levaria a sinalização com Libras para placas de ruas, escolas e paradas de ônibus. Na mesma ocasião, o 1° Secretário, Israel Cardoso (PTC) acrescentou que um projeto de lei dele criando a Central de Libras  virou pedido de providência. Como geraria despesas ao município, a proposta deveria partir do prefeito.

A sessão especial pelos 19 anos da Lei da Libras foi encerrada com um discurso, todo em Libras, da servidora  efetiva da Casa, Roberta Brandão. Ela pontuou os desafios de traduzir o conteúdo legislativo para a população surda dado o grau de dificuldade da tradução simultânea. "O cérebro não processa tão rápido", explicou. Apesar do esgotamento físico e cognitivo, Roberta, que reveza o serviço com o intérprete também concursado Manoel Messias, não escondeu a emoção de contribuir com a inclusão de

 surdos/as. "Meu compromisso de servidora pública, oferto à comunidade surda. Língua é protagonismo, liberdade, é resistência."

 

Ascom/Fotos: Pedro Augusto

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