quinta-feira, 4 de julho de 2013

O chocolate é caminho para alavancar economia no sul da Bahia

Passada a fase de crise na lavoura cacaueira do sul da Bahia, agricultores, gestores públicos e empresários apostam na produção do chocolate para alavancar a economia da região. A opção foi destacada na noite desta quarta-feira, 3, na abertura do V Festival do Chocolate e Cacau que ocorre, em Ilhéus, no Centro de Convenções até o próximo domingo, dia 7. A solenidade contou com a presença do governador do Estado Jaques Wagner, do prefeito ilheense Jabes Ribeiro, dos secretários estaduais de Turismo, Domingos Leonelli, e de Agricultura, Eduardo Sales, além de deputados, secretários municipais, vereadores e prefeitos da região. 
Para Jabes Ribeiro, a retomada da cacauicultura e o fortalecimento da produção do chocolate são fatores que cooperam com o momento atual de reconstrução de Ilhéus. “Estamos somando todos os esforços, buscando todas as parecerias para recolocarmos Ilhéus no lugar de destaque no cenário nacional, de onde o município nunca deveria ter saído”, destacou o prefeito.


Jaques Wagner lembrou que a Bahia voltou a ser o maior produtor nacional de cacau e destacou fatores importantes para essa retomada, como a renegociação das dívidas dos agricultores. O governador ressaltou a luta pelo estabelecimento do preço mínimo da arroba do cacau e anunciou que o governo está estruturando decreto para o manejo de árvores exóticas, com o objetivo de aumentar a produtividade da região.
Wagner, que esteve na semana passada em Ilhéus, assinando a ordem de serviço para a construção da segunda ponte que fará a ligação entre o centro da cidade e a região sul do município (a primeira ponte estaiada da Bahia), considerou que produção do chocolate é mais uma forma de alavancar a economia da região, agregando valores culturais e ambientais. Segundo o governador, a região sul baiana pode concorrer com grandes praças, tornando-se um dos maiores produtores de chocolate do mundo. “Entre todos os investimentos que estamos trazendo para Ilhéus e região, sem dúvida a recuperação da lavoura cacaueira é o mais importante”, comentou fazendo um comparativo. “Vivemos enaltecendo os chocolates suíços e alemães e eles não plantam um pé de cacau, temos tudo para superá-los: produção, história e cultura”, frisou o governador.
O presidente da Associação de Turismo de Ilhéus (Atil), instituição organizadora do evento, Marco Lessa, apresentou dados que ratificam a importância do produção do chocolate para alavancar a economia local e como fortalecimento da cacauicultura. “Na primeira edição do Festival de Chocolate, tivemos apenas 13 stands e uma marca; hoje, cinco anos depois, estamos com 15 marcas e mais de 60 stands”, demonstrou Lessa. 
Para a empresária Marli Brito, o festival representa uma oportunidade de apresentação da marca, geração de negócios e consolidação de Ilhéus e da Costa do Cacau como importantes polos produtores de chocolate. “Esse evento é uma esperança para um futuro melhor com o cacau, nos dá mais segurança para investir no produto e nos estabelece como referência na produção do chocolate”, destacou a expositora.
Estrada do Chocolate – A lavoura do cacau está se erguendo em Ilhéus, com força total. Além das lutas pelo estabelecimento do preço mínimo e intensificação da produção do chocolate, a região sul baiana ganhará brevemente mais fator de geração de emprego e renda. Por meio de uma parceria entre a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia (Setur) e as prefeituras de Ilhéus e de Uruçuca está sendo elaborado um produto turístico denominado Estrada do Chocolate, proposta do presidente da Atil, Marco Lessa.
O itinerário será instalado na rodovia BA-262, que liga os municípios de Ilhéus e Uruçuca, com o intuito de transformar o patrimônio herdado da lavoura cacaueira em mais um atrativo para os milhares de visitantes que chegam a Ilhéus e outras cidades da região durante todo o ano. As roças de cacau cabruca, “sistema ecológico de cultivo agroflorestal”, conforme definição do engenheiro agrônomo da Ceplac, Dan Érico Lobão, e fragmentos de Mata Atlântica farão parte do roteiro.
O potencial turístico preservado no entorno da “Estrada do Chocolate” ganhou holofotes graças à diversificação experimentada nos últimos anos pelos cacauicultores da região, que apostam na fabricação de chocolate fino – ou gourmet como definem alguns – para contornar as dificuldades que atingem a produção e comercialização de amêndoas de cacau. Incipiente, mas promissora, a nova atividade é fruto da busca de alternativas dos produtores para a crise que compromete o cultivo de cacau na região desde a chegada da vassoura-de-bruxa, no final da década de 1980.
Informação e capacitação - O secretário de Turismo de Ilhéus, Alcides Kruschewsky, ressalta que a iniciativa da criação da “Estrada do Chocolate” é capitaneada pela Setur, que planeja investir em dois portais de informações turísticas na rodovia Ilhéus-Uruçuca e já contratou uma empresa para instalar a sinalização em todo o percurso. “A empresa é a TTC Soluções em Mobilidade, que concluiu a etapa de vistoria e agora coleta dados para completar o trabalho”. Também ficará a cargo da Setur a capacitação empresarial dos produtores de cacau envolvidos no projeto.
Kruschewsky adianta que ainda neste mês de julho será realizado um encontro entre o prefeito de Ilhéus, Jabes Ribeiro, a prefeita de Uruçuca, Fernanda Silva, e representantes do governo do Estado para apresentação do roteiro Estrada do Chocolate. Em seguida, serão reunidos os empresários que participarão do projeto para a definição de uma agenda comum de trabalho.
Acervos natural e histórico - Com 42 quilômetros de extensão, a rodovia Ilhéus-Uruçuca é cercada por antigas fazendas de cacau, entre elas a Renascer, Provisão e Riachuelo, e sítios históricos como o Rio do Braço e as ruínas da estrada de ferro que impulsionou a região no auge da produção cacaueira. O novo roteiro turístico integrará também as fábricas de processamento de amêndoas de cacau instaladas no Distrito Industrial de Ilhéus, a unidade de produção de mudas do Instituto Biofábrica de Cacau, o campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IFBA) de Uruçuca, além de outros valiosos patrimônios históricos e culturais resguardados na sua extensão.
Para quem desejar conhecer as fazendas da região antes mesmo da criação da “Estrada do Chocolate”, a Fazenda Provisão, localizada à margem da BA-262, oferece ao visitante um lindo cenário, com barcaças de secagem do cacau, capela e o Rio Almada, que passa em toda a extensão da propriedade. A casa, em estilo colonial, abriga um museu com objetos que pertenceram ao primeiro intendente de Ilhéus, coronel Domingos Adami. Na Fazenda Riachuelo, que fica a 20 quilômetros do centro de Ilhéus, o turista conhece tudo sobre cacau, desde a produção, pesquisa até a fabricação de chocolate. Segundo Alcides Kruschewsky, a antiga Fazenda Mucambo será transformada em hotel, para fomentar o fluxo de visitantes no novo roteiro da estrada Ilhéus-Uruçuca.
Da Comunicação Social (Secom) - Ilhéus – 04.07.2013

Nenhum comentário:

Mais de 80% das pastagens do Sul da Bahia podem ser convertidas em Sistemas Agroflorestais com cacau

Reforma tributária pode fracassar, alerta Fenafisco

Francelino Valença Júnior afirma ao Diário do Poder que falta preparo estatal pode comprometer mudanças Francelino Valença Júnior, president...