sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Paternidade participativa

 A história de companheirismo de pais à frente dos cuidados dos filhos com Doença Falciforme 

 

O autocuidado é parte essencial da rotina de pessoas que vivem com a Doença Falciforme. A Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) estima que 30 mil baianos têm a mutação genética para a doença. Só na Fundação Hemoba, referência no tratamento na Bahia, são 5.204 pacientes assistidos. Para os pais e familiares, apesar do pouco conhecimento a respeito da condição de saúde, é uma oportunidade de aprendizado, nutrição de amor e planejamento familiar.  

O jovem Luiz Gustavo dos Santos, de 20 anos, da cidade de Barreiras, conta que segue uma rotina sem muitas intercorrências, mas tenta manter o controle das hemácias com o acompanhamento médico e o uso de medicamentos. Desde muito pequeno tem o diagnóstico de Doença Falciforme do tipo SS e seu pai sempre foi um grande parceiro nos cuidados com a sua saúde. Algumas vezes foi preciso recorrer ao internamento. 

“Ele passa noites e madrugadas me acompanhando e não sai de lá até que eu fique bem ou que ele precise ir descansar”, diz. 

Luiz Gustavo vai à Hemoba a cada três meses e mantém a atualização dos seus exames nas unidades de saúde da sua cidade. Em 20 anos, o garoto passou por duas transfusões de sangue, uma delas em abril deste ano, motivo que fez com que ele desse muito valor a doação de sangue. “Eu gostaria muito de conhecer meus doadores, sou uma pessoa que valoriza muito a gratidão!”. 

Apesar de morar em Barreiras, Luiz Gustavo é um dos jovens assistidos pelo Hemocentro coordenador da Fundação Hemoba, na Vasco da Gama, em Salvador. O hematologista e diretor da unidade, Fernando Araújo, diz que a instituição trata todas as variantes da Doença Falciforme e explica que o tipo indica a intensidade das crises de dor e o tratamento que deve ser realizado. 

“Os tipos mais frequentes são da Doença Falciforme Hb SS, Hb SC, Hb Dthal e Hb SD. Todas as mutações genéticas ocorrem a partir de um tipo de hemoglobina que tem maior afinidade pelo oxigênio, desta forma os glóbulos vermelhos ficam no formato de meia-lua. Isso dificulta a circulação sanguínea, pela falta de maleabilidade para passagem do sangue”, completa. 

Ele comenta ainda que até o final de agosto, o Hemocentro Regional de Barreiras deve começar o atendimento ambulatorial para pessoas com Doença Falciforme, um dos maiores responsáveis pela coleta e distribuição de sangue na região oeste do estado. 

Manoel Roberto Alves, pai do garoto André Luís do Sacramento, de 16 anos, descobriu a doença do filho ainda no nascimento, no teste do pézinho, método que começou a realizar esse diagnóstico em 2004 pelo SUS. Segundo ele, o nascimento do filho lhe ensinou muito sobre amor e dedicação. Ele conta que um momento de muito crescimento foi quando André começou a ter crises sequenciais e recomendaram que ele fizesse uma esplenectomia ou a retirada do baço, para aliviar suas dores. 

“Nós pensamos muito antes de optar pelo procedimento, mas como ele tava tendo crises sequenciais e precisando de transfusões com muita frequência, preferimos que ele fizesse para o bem estar dele. Para a gente foi uma esperança, né? A hemoglobina basal dele hoje é mais alta. Ele tem a Doença Falciforme SD, então as crises de dor são muito fortes e todo esse processo nos ensina e nos aproxima muito mais dele”, relata. 

O pai de André Luís lembra que conheceu muitas famílias nos atendimentos na Hemoba e ressalta a necessidade de ampliação do serviço para regiões do interior da Bahia. “A gente vive em Salvador, mas para o interior é muito difícil. Então é essencial que o SUS invista cada vez mais em centros de referência e cuidado dessa doença. Até porque com dor, até o deslocamento para a cidade se torna mais difícil...”. 

Ampliação do atendimento 

Segundo a hematologista e diretora da Hemoba Anelisa Streva, a unidade é hoje o único serviço ambulatorial transfusional na capital baiana, realizando uma média mensal de 350 transfusões. “Inclusive em pacientes com Doença Falciforme em regime de hipertransfusão mensal”, explica. 

Para melhorar a assistência, a instituição prevê até o primeiro trimestre de 2021, a inauguração do Centro de Referência em Doença Falciforme. Com investimento de R$ 7,3 milhões em obras e equipamentos, o novo centro será equipado para realizar atendimento ambulatorial nas especialidades de hematologia, ortopedia, hepatologia, oftalmologia, enfermagem, nutrição, psicologia, odontologia, fisioterapia, neurologia, obstetrícia. Além de atendimentos em assistência social e farmacêutica.  

Nenhum comentário:

Mais de 80% das pastagens do Sul da Bahia podem ser convertidas em Sistemas Agroflorestais com cacau

ITABUNA EM FOCO NO ITA PEDRO

Impulsionada pelo Ita Pedro, Itabuna se consolida entre os destinos mais procurados da última década com 1,39 milhões de passageiros Às vésp...