segunda-feira, 4 de maio de 2026

Presidente do TST se define ‘vermelho’ e acusa ‘azuis’ de ligação a ‘interesses’

Ele se diz movido pela "causa" e ataca os demais, "movidos por interesses"

Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, presidente do TST. (Foto: Alan Rones/Daniel Moutinho/Divulgação/Anamatra).

Do - Diário do bPoder - Em discurso marcado por sinais de nervosismo, o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, confirmou uma visão ativista que muitos magistrados já criticavam há tempos: após afirmar que “não existem juízes azuis ou vermelhos” na Justiça do Trabalho, acabou se contradizendo e declarando ser “vermelho”, além de acusar os “azuis” de supostamente defenderem “interesses”. Na sua concepção de justiça, o magistrado acha que os “vermelhos” estariam a serviço de uma “causa”.

A declaração, na conferência de encerramento do 22º Conamat, nesta sexta-feira (1º), em Brasília, não foi um lapso. Foi uma confissão. Ao assumir publicamente a militância ideológica como critério de atuação jurisdicional, Mello Filho confirmou o que colegas definiram como “grotesco”: a substituição da imparcialidade, pilar fundamental do sistema de justiça, por um engajamento partidário disfarçado de missão social.

O momento não foi casual. O discurso veio na esteira de outras manifestações irritadas e nervosas de autoridades marcadamente esquerdistas atordoadas com duas derrotas políticas relevantes para o governo Lula (PT): a rejeição da indicação de Jorge Messias, o “Bessias”, ao STF e a derrubada do veto presidencial à Lei da Dosimetria.

Veja abaixo elogios explícitos ao ativismo:

Ao afirmar, sem rodeios, “nós, vermelhos, temos causa”, o presidente do TST escancarou a lógica que orienta parcela da magistratura trabalhista: a jurisdição não seria aplicação imparcial da lei, mas instrumento de “justiçamento” social.

Não se mencionou Justiça em sentido estrito, nem imparcialidade, nem o dever ético e legal de julgar sem considerar preferências ideológicas. Usaram-se, em vez disso, termos carregados como “causa” e “missão”, típicos do ativismo político, não da função judicial.

Escândalo institucional

Essa segmentação explícita — Azuis vs. Vermelhos — é, por si só, um escândalo institucional. A toga não admite cores partidárias. Quando o presidente de um tribunal superior assume abertamente que atua em favor de uma “causa” ideológica, ele erode a credibilidade não apenas do TST, mas de todo o Poder Judiciário. Transforma o juiz em militante de toga e transforma o processo judicial em extensão do debate político.

O Conamat, que deveria ser o principal fórum científico e deliberativo da Justiça do Trabalho, serviu, mais uma vez, de palco para esse tipo de performance ideológica. Enquanto o País discute sustentabilidade, inteligência artificial e proteção ao trabalho de forma séria, parte da cúpula da magistratura trabalhista parece mais interessada em reafirmar sua identidade de esquerda do que em aplicar a lei com neutralidade.

A fala de Mello Filho não é mero desabafo. É sintoma de um problema profundo: a captura ideológica de setores do Judiciário brasileiro. Quando o presidente do TST se declara “vermelho” e orgulhoso, ele não apenas fere o princípio da imparcialidade — ele o declara dispensável. E, ao fazê-lo, legitima a desconfiança crescente da sociedade com setores de um Judiciário que, em vez de aplicar a lei a todos igualmente, escolhe lados e assume causas

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