Editorial: É recorrente: basta chegar o fim de cada mês para que o sistema público de saúde em Itabuna revele, mais uma vez, uma ferida antiga — e cada vez mais exposta. Apesar dos milhões anunciados como investimentos no setor, o que se vê na prática é a permanência de um problema crônico: o “monstro” das filas.
A população, já cansada, convive há anos com o mesmo cenário de sofrimento e incerteza. Homens, mulheres e idosos madrugam — e muitos chegam a dormir nas portas das unidades de saúde — na esperança de garantir uma simples consulta. E, ainda assim, frequentemente voltam para casa sem atendimento.
A dor não espera. A doença não marca horário. Mas o sistema, ao que parece, continua funcionando em ritmo lento e desigual. As queixas são constantes: falta de cotas para exames e consultas pelo SUS, dificuldade de acesso e, mais grave ainda, denúncias de favorecimento.
Há quem afirme que o problema não é apenas a escassez, mas a má distribuição. Segundo relatos da própria população, existiria um direcionamento privilegiado dessas cotas, alimentando práticas de clientelismo político que colocam o interesse eleitoral acima da necessidade do cidadão comum. Se verdadeiras, tais denúncias são ainda mais alarmantes — pois transformam o direito à saúde em moeda de troca.
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| Foto: web |
Enquanto isso, o povo segue humilhado. Doente. Invisível.
A saúde pública, garantida pela Constituição como um direito de todos e dever do Estado, não pode continuar sendo tratada com descaso ou utilizada como instrumento político. É preciso transparência, responsabilidade e, acima de tudo, respeito à dignidade humana.
A pergunta que ecoa nas filas, nos corredores e nos lares de Itabuna continua sem resposta:
Até quando?

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