Cancelamento ocorreu poucas horas antes do horário previsto para o encontro, marcado para 21h30 desta quinta-feira (1º)
Milhões de brasileiros que aguardavam o último debate entre os candidatos à Presidência da República antes do primeiro turno foram surpreendidos, nesta quinta-feira (1º), com o anúncio do cancelamento do encontro pela TV Globo.
O debate estava programado para ser realizado ao vivo, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, a partir das 21h30, depois do Jornal Nacional. Seria o último confronto televisionado entre os presidenciáveis antes da votação de domingo, 4 de outubro.
Segundo a Globo, a decisão ocorreu depois que a emissora recebeu, em poucas horas, duas determinações judiciais que alteraram regras previamente estabelecidas para o debate. Uma delas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), impediu a exibição do púlpito vazio destinado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que havia informado que não participaria do encontro. A mesma decisão também proibiu que os demais candidatos formulassem perguntas dirigidas ao candidato ausente.
Em seguida, uma decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a inclusão do candidato Renan Santos, do Missão, entre os participantes do debate.
A situação ficou ainda mais complicada com a desistência do senador Flávio Bolsonaro (PL), que havia confirmado presença. Ele atribuiu sua decisão às determinações da Justiça Eleitoral.
Diante desse conjunto de acontecimentos, a Globo anunciou o cancelamento. Em comunicado, a emissora afirmou que as decisões judiciais interferiram nas regras previamente acordadas com as campanhas e provocaram, segundo sua avaliação, insegurança jurídica.
Um debate que não aconteceu
O episódio provocou críticas e manifestações de insatisfação, especialmente entre pessoas que esperavam assistir ao confronto de ideias e propostas dos candidatos na reta final da campanha.
O cancelamento também reacendeu o debate sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral e do Judiciário na organização de debates políticos promovidos por emissoras de televisão.
Por outro lado, é importante registrar que as decisões judiciais tiveram fundamentos próprios: o TSE considerou que a participação em debates é facultativa e que a exposição de um púlpito vazio poderia prejudicar um candidato ausente; já a decisão do STF determinou a inclusão de outro candidato no encontro.
Independentemente das posições políticas, o episódio deixa uma questão para reflexão: até que ponto decisões tomadas às vésperas de um debate podem alterar as regras previamente estabelecidas e afetar um evento de interesse de milhões de eleitores?
O fato concreto é que o debate que estava marcado para esta quinta-feira não aconteceu. E muitos brasileiros que haviam reservado parte da noite para acompanhar o encontro receberam a notícia do cancelamento praticamente na hora em que esperavam ver os candidatos frente a frente.
Na democracia, o eleitor precisa ter acesso ao máximo possível de informações para formar sua própria opinião. Debates públicos são uma das formas pelas quais propostas, ideias e posições podem ser apresentadas e confrontadas diante da sociedade.

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