Morre em Salvador o radialista Nilton Nogueira, uma das grandes vozes do rádio esportivo baiano
O rádio esportivo da Bahia perde uma de suas vozes mais marcantes. Nilton Nogueira, nascido em Salvador, em 16 de agosto de 1934, construiu uma trajetória de décadas dedicada ao rádio, ao futebol e, sobretudo, aos ouvintes que aprenderam a acompanhar as emoções do esporte através de sua voz.
Nogueira, uma grande voz que cala.
Sua carreira começou em 1957, como rádio-escuta da Rádio Sociedade da Bahia. Dois anos depois, em 1959, teve a oportunidade de narrar sua primeira partida de futebol, pela Rádio Cultura da Bahia. A partir daí, começava uma longa história de dedicação à crônica esportiva.
Nogueira contou que, no início da carreira, buscou inspiração em dois grandes nomes da narração esportiva brasileira: Fiore Giglioti, de saudosa memória, e Pedro Luiz, referências do rádio paulista. Com o tempo, porém, desenvolveu seu próprio estilo, marcado pela técnica, pela clareza, pela elegância e pela emoção.
Entre os colegas, era carinhosamente chamado de “Nogueirinha”. Sua maneira clássica de transmitir uma partida tornou-se uma de suas principais marcas e fez com que seu nome atravessasse gerações de torcedores.
Nilton Nogueira passou por importantes emissoras do rádio baiano, entre elas a Rádio Excelsior e a Rádio Sociedade da Bahia. Nesta última, especialmente durante os anos 1980, esteve à frente de uma equipe esportiva que reuniu grandes profissionais da comunicação esportiva da Bahia, deixando sua contribuição para a história do rádio esportivo.
Mais do que narrador, Nogueira também foi uma referência para muitos profissionais. Sua experiência, seu estilo e sua dedicação ao rádio ajudaram a formar uma geração de comunicadores que encontrou no esporte uma maneira de levar informação e emoção ao público.
Sua narração tinha uma característica especial. No tempo em que o rádio era o principal companheiro do torcedor, cabia ao narrador transformar palavras em imagens. Sem televisão, o ouvinte precisava imaginar o campo, a bola, os jogadores, o ataque e, finalmente, o gol.
E Nilton Nogueira sabia fazer isso.
Durante décadas, seu grito de gol entrou nas casas, nos carros, nos bares, nos estádios e nos pequenos rádios de pilha que acompanhavam os torcedores pelas ruas e arquibancadas.
Mesmo depois de deixar de narrar regularmente as partidas, continuou ligado ao rádio esportivo, mantendo viva sua paixão pelo futebol e pela profissão que abraçou ainda jovem.
Nogueira também era lembrado pela simplicidade, pelo bom humor e pela maneira humana de tratar os colegas. Para ele, o rádio não era apenas um trabalho: era uma verdadeira paixão.
E talvez seja justamente essa paixão que explique a permanência de seu nome na memória de tantos ouvintes.
O tempo passa. As tecnologias mudam. O rádio se transforma. Surgem a televisão, a internet e as redes sociais, oferecendo novas formas de acompanhar o futebol. Mas algumas vozes permanecem.
A voz de Nilton Nogueira é uma delas.
Seu maior patrimônio não foi material. Ficou na memória de milhares de torcedores que, durante décadas, ouviram suas transmissões e viveram, através de sua narrativa, momentos inesquecíveis do futebol.
Nilton Nogueira deixa, portanto, um legado que pertence à história do rádio esportivo da Bahia e do Norte e Nordeste do Brasil.
Parte um grande narrador. Fica uma grande voz. Fica uma história.
Que sua memória permaneça viva entre aqueles que aprenderam a amar o futebol também através do rádio.
Fonte: Paulo Neiva, militar da reserva e repórter.
Créditos: Memória do Rádio Baiano.









