domingo, 21 de junho de 2026

Oposição acusa diretoria da Sicoob de fraude em eleição com celulares e contas ‘fantasmas’

Pelo esquema, cada celular votar por três ou quatro pessoas; PF já investiga

Agora, a Polícia Federal deverá investigar denúncia de fraude na direreçõ da Sicoob Credicom.
Do -Diário do Poder - A eleição para o Conselho de Administração da cooperativa de crédito Sicoob Credicope, marcada para esta terça-feira (23), virou alvo de grave denúncia de fraude eletrônica.

Em um documento protocolado na Justiça de Conselheiro Pena no dia 18 de passado, o candidato da chapa de oposição, Antônio Henrique Gripp, pede medida urgente ao juiz para barrar ou garantir a lisura do pleito. Segundo a ação, a atual diretoria estaria usando uma nova forma sofisticada de fraudar os votos no aplicativo oficial Sicoob Moob.

O principal testemunho vem de um ex-funcionário da própria cooperativa, que trabalhou cerca de seis anos no setor administrativo. Em duas declarações registradas em cartório (atas notariais de 10 e 15 de junho de 2026), ele descreve como a cooperativa teria montado um esquema com celulares antigos da frota da empresa.

Antônio Henrique Gripp, candidato de oposição.

A denúncia impressiona pela gravidade, de acordo com o relato:

  • Os aparelhos seriam carregados com várias contas de cooperados ao mesmo tempo.
  • Cada celular conseguiria votar por três ou quatro pessoas.
  • Os alvos principais seriam cooperados mais velhos ou com pouca familiaridade com celular, que nunca instalaram o app e nem sabem que estão “votando”.
  • A cooperativa teria cerca de 200 aparelhos nesse esquema, o que poderia gerar centenas de votos falsos em uma única assembleia.

O ex-funcionário disse textualmente: “se bater na porta da casa deles, eles nem sabem que votaram”. E completou: “É o dono do sistema fraudando o sistema”.Números que não batemA denúncia ganha força quando comparada com os números oficiais das assembleias anteriores, registrados pela própria cooperativa na Junta Comercial:

  • Em 18 de novembro de 2025: só 94 pessoas presentes, mas 973 votos computados.
  • Em 25 de março de 2026: só 99 presentes, mas 1.329 votos registrados.

Antes de 2025, quando não havia chapa de oposição forte, o número de votos costumava ser próximo ao de participantes. A partir do momento em que surgiu disputa real pelo poder, os votos explodiram.

Dificuldade para quem quer votar de verdade

Além da fraude eletrônica, a oposição acusa a cooperativa de não divulgar direito a assembleia. Até o dia anterior ao protocolo da ação, várias agências ainda tinham cartazes de eleições antigas, já canceladas ou suspensas pela Justiça. Não havia informação clara sobre a votação de 23 de junho.

A assembleia está marcada como excusivamente digital, no mesmo sistema que a oposição denuncia como manipulado.

Os fatos foram levados ao Ministério Público. O MP Estadual encaminhou o caso para o Ministério Público Federal, que determinou a abertura de inquérito policial pela Polícia Federal em Governador Valadares. A PF investiga possíveis crimes de fraude, falsidade ideológica e outros.

O candidato da oposição, Antônio Henrique Gripp pede ao juiz que tome medidas urgentes antes de terça (23) para:

  • Garantir que a eleição aconteça de forma segura e auditável;
  • Preservar as provas digitais;
  • Evitar que votos falsos decidam o resultado.

A cooperativa ainda não se manifestou publicamente sobre as acusações, e o que talvez explique a dificuldade do Diário do Poder de obter seus esclarecimentos. Porém, o espaço permanece aberto. A eleição para renovar o Conselho de Administração está mantida para esta terça-feira (23). O caso agora está nas mãos da Justiça e da Polícia Federal.

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