sexta-feira, 11 de abril de 2025

AEROPORTO TERTULIANO GUEDES DE PINHO E O PREFEITO AUGUSTO CASTRO.

Itabuna Precisa Alçar Voo: O Clamor por um Aeroporto Operacional

Por Antônio Paulo

No dia 23 de junho de 1961, a Associação Comercial de Itabuna, então presidida pelo saudoso empresário José Oduque Teixeira, endereçou ao presidente da República, Jânio da Silva Quadros, um documento em que relatava a importância estratégica e operacional do Aeroporto Tertuliano Guedes de Pinho. Com pista de terra batida, o aeroporto já era, naquela época, um ponto de conexão utilizado por políticos, empresários e figuras influentes de Itabuna e região.

Pista de 30 milhoes@
Os números impressionam: entre os anos de 1955 e 1960, foram registrados 88.058 embarques e 83.074 desembarques. Nesse mesmo período, ocorreram 7.611 pousos e igual número de decolagens, além do desembarque de 1.515 cargas, somando 500.532 quilos. Esses dados comprovam a relevância histórica do aeroporto para o desenvolvimento da cidade.

Companhias como Real Aerovias, Nacional, VARIG e Cruzeiro do Sul já operavam na região, com voos que partiam do Rio de Janeiro, sobrevoando a costa brasileira. Suas tripulações pernoitavam no antigo Hotel Odete, seguindo no dia seguinte para Salvador e outras capitais nordestinas. O apoio técnico vinha de um serviço de rádio-telegrafo da VARIG, instalado no bairro da Mangabinha.

Torre de comando

Mesmo diante do crescimento econômico impulsionado pela produção de cacau, principal atividade do sul da Bahia, o aeroporto continuava com sua pista de barro. Décadas depois, um grupo de homens valorosos, como Olívio do Fórum, Comandante Assis e Ewerton, liderou o movimento pela recuperação do Tertuliano Guedes de Pinho. A luta foi árdua, mas resultou no asfaltamento da pista, hoje com mais de 1.500 metros. No entanto, os desafios persistem, tornando o aeroporto ainda um entrave à mobilidade aérea da cidade.

Em conversas com o empresário José Soares Pinheiro, ele sempre afirmava: “Cidade sem aeroporto é meia cidade.” Uma verdade inquestionável.

Enquanto isso, cidades como Guanambi — com população inferior à de Itabuna — avançam. Um consórcio intermunicipal acaba de ser formado, com apoio do Governo do Estado, para construir um aeroporto voltado a aeronaves de médio porte. Por que Itabuna, com mais de 200 mil habitantes e uma localização estratégica, continua parada no tempo?

Em recente sessão na Câmara de Vereadores, a secretária de Infraestrutura, Sônia Fontes, fez referência à reestruturação do aeroporto local, despertando mais uma vez a esperança da população — especialmente do empresariado, que tanto necessita de uma via aérea eficiente.

O prefeito Augusto Castro, que conta com o respaldo dos governos federal e estadual, tem nas mãos a chance de virar essa página. É hora de colocar um ponto final nessa novela que se arrasta há décadas e dar a Itabuna o status que ela merece: o de uma cidade moderna, conectada e pronta para voar mais alto.

* Jornalista Cerimonialista. Membro  da Academia Grapiuna de Artes e Letras'- AGRAL- e coordenador do movimento  do " Senado" do Café  Pomar.

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