Adeus, Jornalistas: A Crônica de uma Profissão em Extinção
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| Joselito dos Reis |
A popularização da internet e a queda do jornal impresso abriram as portas para uma nova realidade, onde todos, munidos de um celular e conectados às redes, se sentem jornalistas. Os blogs, os canais de vídeo, os sites pessoais e agora a inteligência artificial deram a qualquer cidadão a sensação de ser um comunicador nato. A consequência disso foi a invasão do espaço antes reservado a profissionais preparados, éticos e formados.
Hoje, o termo "jornalista" parece ter sido substituído por "comunicólogo", enquanto a identidade profissional vai se diluindo. A imprensa perdeu força e muitos profissionais, sem espaço ou reconhecimento, trabalham de forma autônoma, quando não prestam serviços a grandes conglomerados midiáticos, que impõem narrativas unilaterais. A imparcialidade e a ética, bases do jornalismo clássico, estão ameaçadas por um fluxo descontrolado de informações, muitas vezes distorcidas ou mal apuradas.
A profissão de jornalista, infelizmente, já não é mais a mesma. Foi uma das mais invadidas por amadores e falsos profissionais, que, mesmo sem formação ou compromisso com a verdade, ocupam espaços valiosos de fala. E com o avanço tecnológico constante, outras profissões também estão seguindo pelo mesmo caminho: o do desaparecimento.
Sinto saudades dos jornais impressos, dos clichês de chumbo, das rotativas barulhentas e das gráficas com suas linotipos em funcionamento. Dos repórteres fotográficos nas ruas, dos jornaleiros que, com entusiasmo, anunciavam: “Olha a edição de hoje! Pelé faz seu milésimo gol!”. Eram tempos em que a notícia tinha cheiro de tinta fresca e a credibilidade era conquistada com trabalho árduo, ética e verdade.
Adeus, jornalistas. Os comunicólogos chegaram — mas nem todos vieram para somar.
Joselito dos Reis - Editor

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