sábado, 5 de setembro de 2020

Perícia afirma que incêndio no Pantanal mato-grossense foi intencional

Operação Pantanal 2, combate ao incêndio na região

Da - agenciabrasil.ebc.com.br O governo do Mato Grosso divulgou resultados das perícias em cinco áreas da região do Pantanal, ao sul do estado, onde ainda ocorrem incêndios florestais. Em nota, o governo afirma que há danos provocados por ação humana intencional.

De acordo com o Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional (Ciman-MT), na Reserva Particular do Patrimônio Natural Sesc Pantanal (RPPN) – região de Barão de Melgaço, o incêndio foi provocado com o propósito de queimar a vegetação desmatada “para criação de área de pasto para gado.”

Em outro local, denominado Fazenda São José, o fogo começou por causa da “queima de raízes para o uso de fumaça a fim de retirar os favos de mel”, em uma área onde se costuma fazer extração de mel de abelhas silvestres.

A perícia diagnosticou também causas acidentais. Na Fazenda Espírito Santo, a máquina agrícola que fazia limpeza de área e juntava o material colhido para fazer feno “pegou fogo e começou o incêndio na região.”

Na Rodovia Transpantaneira, a causa do incêndio florestal foi um veículo que pegou fogo, após acidente no qual despencou do barranco próximo a uma ponte na estrada. Na Rodovia Helder Cândia, um cabo de alta tensão se rompeu e as faíscas provocaram o incêndio.

A apuração das razões dos incêndios havia sido prometida pelo governador de Mato Grosso, Mauro Mendes.

“A Secretaria estadual do Meio Ambiente tem tecnologias suficientes para identificar minuto a minuto o que acontece no estado de Mato Grosso. Uma região de incêndios dessa nós recuperamos as imagens do Sistema Planet, e nós vamos ter imagens que podem demonstrar quando o fogo começou, aonde ele começou, em que ponto começou”, disse Mendes após fazer vistoria aérea do local no dia 18 de agosto. 

De acordo com a Lei nº 9.605/1998, é crime “provocar incêndio em mata ou floresta” com pena de “reclusão, de dois a quatro anos, e multa”.

Operação Pantanal

Desde 5 de agosto, o Ministério da Defesa estendeu a Operação Pantanal que se dedicava ao combate aos incêndios no Mato Grosso do Sul para o Mato Grosso. Equipes e veículos das Forças Armadas, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Corpo de Bombeiros epanta brigadistas atuam no combate ao fogo.

Na última quinta-feira, 182 militares e 139 agentes atuaram contra três focos de incêndio em Porto Jofre e Hotel Pantanal Mato Grosso, no município de Poconé (MT). Eles também debelaram dois focos de incêndio nas localidades de Fazenda Santa Maria e Fazenda Rio Novo, em Barão de Melgaço.

Cerca de 1,7 milhão de hectares devem ter sido destruídos, no Mato Grosso, por causa de incêndios florestais. Além da ação humana, a vegetação seca e o calor potencializam o surgimento de focos de incêndio no estado.


Operação Pantanal 2,  incêndio 
Foto: Mayke Toscano/Secom-MT

Tempo seco e calor favorecem novos focos de incêndio 

Fogo na região já dura mais de 40 dias

As chamas continuam destruindo parte do Pantanal mato-grossense. A expectativa de que a chuva da semana passada e a proibição de realização de queimadas ajudassem a tarefa de controle do fogo não se concretizou. Juntos, a vegetação seca e o calor continuam favorecendo o surgimento de novos focos de incêndio.

A partir da análise de imagens de satélite, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) calculou que, entre 1º de janeiro e 16 de agosto, foram registrados, no Mato Grosso, 13.238 focos de incêndios e queimadas. A variação em relação às 13.225 ocorrências registradas no mesmo período de 2019 é imperceptível. Contudo, segundo um balanço que o Instituto Centro de Vida divulgou esta semana, indica a destruição de cerca de 1,7 milhão de hectares em todo o estado – uma área cinco vezes maior que o território da capital mato-grossense Cuiabá.

Os dados divulgados pelo instituto apontam que 37% do total de focos de calor registrados neste ano estavam em áreas de vegetação amazônica no Mato Grosso, mas, na sequência, vêm os incêndios no Pantanal, que representaram 32% do total. Considerando a proporção entre a área atingida e o tamanho do bioma, o instituto conclui que o Pantanal foi o que mais sofreu os efeitos das chamas, perdendo cerca de 9% de sua área.

A situação se agravou nos últimos dois meses, em função do período de seca que, habitualmente, começa entre maio e junho. De acordo com o Comitê Estadual de Gestão do Fogo, grupo que reúne representantes de vários órgãos de governo, o fogo no Pantanal já dura mais de 40 dias.

Saúde e economia

Incêndio atinge o Pantanal no mês de julho.
Brigadistas combatem incêndio no Pantanal - Ascom/CBMMS

Além de destruir extensas áreas de vegetação nativa, os incêndios afetam a saúde da população e a economia pantaneira que, em boa parte, depende do turismo. Já no ano passado, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), do Ministério da Saúde, estudaram o impacto das queimadas para a saúde infantil.

Embora tenham analisado apenas os efeitos de incêndios em biomas amazônicos, os especialistas concluíram que as queimadas aumentaram em 36% o risco de problemas respiratórios. E concluíram que, na cidade de Comodoro (MT) – e em outras quatro do Pará e de Rondônia (Santo Antônio do Tauá, Ourilândia do Norte, Bannach e Santa Luzia d’Oeste, respectivamente) – as internações infantis aumentaram cinco vezes além do esperado, devido à maior presença de material particulado no ar, ou seja, de resíduos tóxicos gerados pelos incêndios.

As chamas também atingem os animais silvestres. Macacos, antas, jabutis, tamanduás, lagartos, serpentes, jacarés e exemplares de outras espécies já foram encontrados carbonizados, feridos ou desidratados. Para socorrer e cuidar dos bichos ameaçados, representantes de órgãos públicos estaduais e federais, além de entidades de classe, organizações não governamentais e instituições privadas, montaram uma força-tarefa que está distribuindo alimentos e água ao longo da rodovia Transpantaneira (MT-060) e mapeando pontos d´água junto aos quais os animais ameaçados possam estar procurando se abrigar do fogo.

Segundo o governo do Mato Grosso, a população pode apoiar o resgate dos animais doando utensílios e medicamentos veterinários. A relação dos itens necessários pode ser acessada no site do Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV-MT). Também é possível colaborar com a vaquinha virtual organizada pela ONG Ampara Silvestre.

Edição: Denise Griesinger

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