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| Primo, foto Web |
Agência O Globo - O delegado Breno
Pardini disse que Sérgio Rosa Sales, primo do ex-goleiro Bruno
Fernandes, foi executado, segundo o site de notícias G1. Sérgio morreu
com seis tiros no bairro Minaslândia, no norte de Belo Horizonte, na
manhã desta quarta-feira. Ele era um dos réus no processo que apura o
desaparecimento e morte de Eliza Samudio, ex-namorada de Bruno.
O
delagado, no entanto, disse que é cedo ligar a morte de Sérgio ao
processo que investiga o caso Eliza Samudio. A polícia deve refazer os
passos dele nos últimos dias. Pardini contou que a vítima tomou o
primeiro tiro antes do local onde ele foi encontrado morto, mas a
execução aconteceu na entrada da casa onde o primo do ex-goleiro tentava
se esconder.
Sérgio respondia por homicídio triplamente
qualificado, sequestro, cárcere privado e ocultação de cadáver. De
acordo com a Polícia Militar, o pai de Sérgio, Carlos Alberto Sales,
disse que ele havia saído para trabalhar - como pedreiro -, pouco antes
do crime. Sérgio teria avistado dois homens em uma moto e correu até o
quintal de uma casa, onde foi atingido.
O primo de Bruno ajudou a
polícia na reconstituição do crime feita no sítio de Bruno em outubro
de 2010. Ele contou detalhes do que teria acontecido no local nos dias
anteriores ao desaparecimento de Eliza Samudio. Na ocasião, ele disse
que a jovem estava na sala do sítio, com um ferimento no topo da cabeça.
O
primo do ex-goleiro havia sido solto em agosto de 2011 por ter
contribuído nas investigações. Na época, os desembargadores do Tribunal
de Justiça de Minas Gerais (TJMG) decidiram que ele responderia em
liberdade pelo processo. Os membros da 4ª Vara Criminal do TJ-MG
argumentaram que o réu não tinha antecedentes criminais e havia
cooperado com as investigações. Entenderam também que ele não teria
condições financeiras para coagir testemunhas. Sérgio ficou preso na
penitenciária Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves.
Na
mesma sessão, os desembargadores negaram recurso dos réus à sentença que
determinou que eles sejam submetidos a júri popular e mantiveram a
decisão da juíza de Contagem (MG) Marixa Rodrigues, sob o argumento de
que os advogados não trouxeram novas informações relevantes ao caso ou
que justificassem qualquer decisão em contrário. Os advogados ainda
podem recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar evitar o
júri.
Com a decisão da libertação de Sérgio, apenas Bruno, seu
parceiro Luiz Henrique Romão (mais conhecido como Macarrão) e o
ex-policial civil Marcos Aparecido Santos (Bola) aguardariam o
julgamento presos.
Ao lado de Bruno, Macarrão e Bola, Sérgio iria
a júri popular, ainda sem data definida, por sequestro e cárcere
privado, homicídio triplamente qualificado e ocultação de cadáver, as
mesmas acusações pelas quais o ex-goleiro e o amigo responderão. Já o
ex-policial será julgado por homicídio duplamente qualificado e
ocultação de cadáver.
Os outros cinco réus no processo continuam
em liberdade para responder por sequestro e cárcere privado. São eles:
Dayanne de Souza, ex-mulher do goleiro; Fernanda Castro, ex-amante de
Bruno; Elenílson Vítor da Silva, ex-administrador do sítio em Esmeraldas
(MG); e Wemerson Marques de Souza, o Coxinha, amigo do atleta.
Também
em agosto de 2011, a juíza Maria José Starling, suspeita de intermediar
uma negociação de venda de habeas corpus para a liberação do ex-goleiro
do Flamengo, foi internada após ter ingerido remédios. A juíza foi
resgatada em casa, na Zona Sul de Belo Horizonte, e encaminhada a um
hospital particular. Segundo os policiais, eles foram avisados por uma
denúncia anônima.
A magistrada era titular da comarca de
Esmeraldas, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e está suspensa
do Tribunal de Justiça de Minas Gerais desde o dia 27 de julho de ano
passado, após denúncias feitas pela noiva do ex-goleiro, Ingrid
Calheiros, de que ela teria participado de uma negociação de venda de
habeas corpus para o atleta, que está preso desde o ano passado na
Penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, acusado de envolvimento no
desaparecimento e na morte da ex-namorada Eliza Samudio. O plano teria
sido desfeito quando pessoas ligadas a Bruno perceberam que não havia
garantia de sucesso.
Maria José foi oficialmente afastada por ter
dado entrevistas criticando decisões do desembargador Fernando
Starling. No entanto, escutas telefônicas feitas com autorização da
Justiça flagraram a relação de intimidade da magistrada com Ingrid
Calheiros, noiva de Bruno. Em junho, Ingrid veio a público denunciar que
um advogado contratado pela juíza teria cobrado R$ 1,5 milhão para
garantir a liberação do ex-atleta. Um contrato de prestação de serviço
teria sido assinado para concluir o negócio, mas teria sido cancelado
quando o advogado resolveu cobrar o dinheiro antes da libertação do
ex-goleiro.
O Ministério Público determinou a investigação do
episódio e confirmou a relação de proximidade entre Ingrid e a juíza.
Por meio de seu advogado, Maria José sempre negou ligação com Ingrid. No
entanto, na gravação de um telefonema da juíza para a noiva de Bruno, a
magistrada sugere que Ingrid contrate o advogado de sua confiança, dá
outros conselhos e pede uma camisa do ex-goleiro.