terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

Kocó do Lordão – Cantor, comendador, cidadão!

"A verdadeira estrela, nunca se apaga" 


Por Ederivaldo Benedito-Bené

Eu conheci Clóvis Leite aos treze anos, em 1972. Ele com 21 anos, cabelos encaracolados, recém-chegado de Salvador. Carioca de nascimento, veio a Itabuna, a convite do baterista Sabará – um dos fundadores do “Ritmos Lords” – para ser, ao lado de Jô Carlos, crooner do Super Som Lordão, um novo grupo musical itabunense, que fazia grande sucesso no interior baiano, se apresentando em bailes e formaturas.

Filemon Carvalho nos teclados, Tobias, Basílio, Cremildes Pereira e Mimide, meu vizinho na rua Abílio Caetano, no Alto Maron, no baixo, eram os outros destaques da banda. “Cocó” – na época com C – e minha irmã Ecely tornaram-se grandes amigos e, também, colegas no Colégio Firmino Alves. Clóvis Leite frequentava a casa de minha mãe e D. Bazinha o recepcionava com almoços, tratando-o como um filho. Conversavam longamente. Ela gostava de ouvi-lo cantar e guardava a sete chaves o LP “O Tempo e o Vento”, lançado em 1976, e autografado por ele e os demais integrantes do grupo.

Eu cresci, ingressei no Jornalismo e consolidei a amizade com um dos maiores intérpretes baianos, divulgando seus shows. Kocó era completo, o príncipe dos palcos. Um artista que, com maestria e alegria contagiante, passeava por todos os ritmos musicais: da marchinha de Carnaval, passando hits internacionais e sucessos românticos da MPB a composições do forró. Um músico, também graduado em Administração.

Em 1978, no “Canacacau” – projeto carnavalesco idealizado pelo radialista e publicitário Vily Modesto na primeira gestão do ex-prefeito Fernando Gomes – Kocó, em cima do trio, com apoio do serviço de sonorização ambiente “King-A Majestade do Som”, fez tremer a avenida Cinquentenário cantando “Carnaval do Cuma”, letra do saudoso Raimundo Rocha: “São quatro dias de folia no Carnaval de Itabuna, o povo cantando com alegria no Carnaval de Cuma. Queiram ou não queiram o Carnaval do Cuma está aí. Como é que é, como é que foi, como é que pode, quem não pode se sacode, olha aí”.

Figura doce e meiga, carinhosa e carismática, o botafoguense “Cócoras” era um papo agradável. Reunia uma legião de admiradores no Bar de Cacau, no Banco Raso; no “Passarela”, bar/restaurante de Eduardo Caldas, no Pontalzinho, e na praça de alimentação do Shopping. Também um homem de fé, devoto de Nossa Senhora, às quintas-feiras participava da Missa da Misericórdia na Catedral de São José. Foi um cidadão que marcou presença nas ações sociais das instituições filantrópicas itabunenses e nas campanhas do Abrigo São Francisco de Assis, entidade que acolheu seu pai.

“Seu Clóvis”, sempre de bem com a vida, tinha uma fé inabalável – resignado, sofreu em junho de 209, a perdeu do filho Júnior Kocó, integrante da banda, vitima de câncer – e era um eterno gozador. Tirava onda com “Benezinho”, mas tinha um carinho especial por Maria da Trindade e uma grande admiração por Mariana Benedito. Em 2012, quando decidiu disputar uma vaga na Câmara de Vereadores, ele nos convidou – eu e minha filha – para participarmos da coordenação da sua campanha. O Legislativo itabunense perdeu um excelente quadro, que em julho de 2018 foi agraciado com a Comenda Comendador Firmino Alves, outorgada pela Prefeitura.

Há pouco mais de um mês, tivemos o último contato. Nós conversamos por telefone. Falamos sobre a Comenda Dois de Julho concedida, em setembro do ano passado, pela Assembleia Legislativa, projeto de autoria do deputado estadual Pancadinha; Natal e Ano Novo, saúde e fé, o Itabuna e Maria Flor, “Nego Katita” e os oitenta anos de Paulo Índio.

Nesta segunda-feira, dia 19, em Salvador, o comendador Clóvis de Figueredo Leite, cidadão itabunense “Kocó do Lordão” faleceu. Apesar de estar hospitalizado, sua morte nos pegou de surpresa e o levou de nós repentinamente, aos 72 anos. O corpo está sendo velado no Cemitério Bosque da Paz onde, às 15 horas desta terça-feira, dia, 20, será cremado.

Neste momento de dor e consternação, só nos cabe pedir a Deus que lhe ilumine e lhe dê paz, e que Deus dê conforto à amiga Sônia Leite, sua esposa; à Marquinhos Vinícius, seu filho, e aos netos Maria, Rauani, Maitê, João Humberto e Maria Antônia, para que possam enfrentar esta imensurável dor com serenidade.

Com o velho “Kocó” eu compartilhei o seu sorriso. E momentos felizes – nos bailes e na folia, nos forrós e nas formaturas – eu vivenciei com amigos e amores, ouvindo a voz vibrante de um grande amigo que veio ao Mundo para, cantando sorrindo, trazer alegria e felicidade aos seus amigos, fãs e admiradores.


Escrita por: Escrito por: Ederivaldo Benedito - Informação ágil, texto leve, comentário objetivo
Notícia da Categoria: DESTAQUE



"KOKÓ: UM CIDADÃO ÍMPAR 

Parabéns, amigo/irmão, Bené, muito dignas as belas lembranças. Eu fiz amizade com o grande cidadão,  e amigo Clóvis Figueirêdo Leite (Kokó), quando ele, ao lado de Filemon Carvalho, passou um periodo no jornal Tribuna da Bahia, do empresário e político, Joacy Góis. A última vez que o vi, foi há 90 dias na Missa da Misericórdia, Catedral de São José e, rogando a Deus, sucesso no seu transplante, nos despedimos, com muita esperança e fé. Agora, na saudade, só podemos  rogar ao nosso Pai do Altíssimo, a  LHE conceder à Luz Eterna. 
Nossa solidariedade à todos seus familiares, colegas de Banda e amigos. LUZ!"

Joselito dos Reis

Nenhum comentário:

Mais de 80% das pastagens do Sul da Bahia podem ser convertidas em Sistemas Agroflorestais com cacau

Mensagens de celular mostram Motta tratando de negócios milionários com Vorcaro

Operação envolve empréstimo ao menos de R$22 milhões do Master. Hugo Motta, presidente da Câmara, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso por...