sábado, 23 de setembro de 2023

Não vou trocar o ‘genocida’ por ‘ladrão de nove dedos’

 De volta às redes sociais, Otoni de Paula (MDB-RJ) diz fazer oposição propositiva

Discussão e votação de propostas. Dep. Otoni de Paula (MDB - RJ). Foto: Agência Câmara

Do - Diário do PoderDepois de dois anos sem redes sociais e após deixar um cenário ‘terrivelmente bolsonarista’ para compor o MDB, no Rio de Janeiro, o deputado Otoni de Paula falou ao Diário do Poder sobre a configuração política em que se enquadra atualmente. “Eu não acho que seja uma nova postura, eu acho que esse sou eu, eu acho que talvez tenha sido, em algum momento, consumido pela guerra. Eu era um soldado na frente da batalha e a minha missão era a de proteger o ex-presidente da república”, elencou.

E completou: “Então qualquer tiro que vinha sobre ele, o meu comportamento era me colocar a frente ali. Então talvez eu tenha errado a mão com um comportamento mais beligerante”.

Sobre a atual polarização política do Brasil, Otoni considera que “a gente não vai conseguir mudar a nação nesse nível de guerra que nós vivemos lá atras, e que nós ainda estamos vivendo uns resquícios dela. Acho que a maioria como brasileiro precisa respirar a paz, querer a paz entre os poderes, e querer que a democracia seja plenamente respeitada”.

Perguntado sobre o estilo da oposição que faz ao governo Lula, o carioca é ‘categórico’. “Não farei a oposição que eu critico, que tanto a esquerda fez durante 4 anos com o presidente Bolsonaro. Eu não posso trocar agora o ‘genocida’ pelo ‘ladrão de nove dedos’, entendeu? Porque eu vou estar fazendo o que eles fizeram”.

Pretenso candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, Otoni lamenta que, nas palavras dele, o estado esteja envolto ‘’por uma corrupção quase endêmica”.

“Apesar do Supremo ter tomado a decisão dessa derrubada de todas essas delações envolvendo a Odebrecht, uma coisa é a decisão que o ministro Toffoli tomou e que devemos respeitar, e outra coisa, e tomou por uma visão técnica. Mas a realidade é que houve uma delação e que o povo sabe o que aconteceu”, arrematou.

sexta-feira, 22 de setembro de 2023

Indígenas e órgãos internacionais celebram derrubada do marco temporal

Lideranças indígenas fazem passeata contra marco temporal na Esplanada dos Ministérios. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

Por - Mariana Tokarnia

Agência Brasil

Entidades representativas dos povos indígenas e organismos internacionais comemoram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) pela inconstitucionalidade da tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas. Nas redes sociais, o assunto ficou entre os mais comentados na tarde desta quinta-feira (21). Em Brasília, lideranças indígenas e representantes de diversos povos acompanharam a votação.

De acordo com a presidenta da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Joenia Wapichana, prevaleceram, na decisão, os direitos constitucionais dos povos originários.

“Hoje o dia é de comemorar a vitória dos povos indígenas contra o marco temporal. Nós temos muitos desafios pela frente, como outros pontos que foram incluídos, mas é uma luta a cada dia. Uma vitória a cada dia. Nós acreditamos na Justiça, na Justiça do Supremo Tribunal Federal para dar essa segurança jurídica aos direitos constitucionais dos povos indígenas, cumprir o seu dever pela constitucionalidade e dar esperança a esse povo que tem sofrido há muitos anos com intimidações e pressões. Hoje se enterra de vez o marco temporal”, diz em nota divulgada pela fundação.

De acordo com a Funai, a tese do marco temporal ignorava o longo histórico “de esbulho possessório e violência praticada contra os povos indígenas, acarretando a expulsão de seus territórios, além de violar os direitos indígenas previstos na própria Constituição Federal e em tratados internacionais dos quais o Estado brasileiro é signatário”.

A Funai destaca ainda que pela Constituição, as terras indígenas são bens da União e de usufruto exclusivo dos povos indígenas. Tratam-se de bens inalienáveis e indisponíveis, ou seja, não podem ser objeto de compra, venda, doação ou qualquer outro tipo de negócio, sendo nulos e extintos todos os atos que permitam sua ocupação, domínio ou posse por não indígenas.

O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) acompanha os indígenas em Brasília e em outras regiões do país. Na capital, de acordo com a entidade, cerca de 600 indígenas de várias regiões do país acompanham a votação do lado de fora do STF, por meio de um telão. Além deles, um grupo de 70 lideranças indígenas assistiram a sessão direto do plenário da Corte.

A entidade postou vídeo em que indígenas celebraram com cantos e danças, em tenda montada ao lado da Corte, quando formou-se maioria dos ministros contra o marco temporal.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) disse que a decisão foi uma “vitória na batalha contra o marco temporal, sabendo que a luta em defesa dos nossos territórios continua. Nenhum direito originário será negociado”.

Membros do governo federal e outros políticos também se manifestaram pelas redes sociais. Na rede social X, a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva disse: “STF forma maioria para derrubar Marco Temporal das terras indígenas. Vitória dos povos indígenas e do respeito ao seu modo de vida, e da grande contribuição que podem dar à humanidade e ao planeta”.

Organismos internacionais

Entidades internacionais também se manifestaram. O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) parabenizou o Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão contrária à tese do marco temporal, que segundo o organismo internacional impactaria a vida de crianças e jovens indígenas e significaria um retrocesso para o país.

“O Brasil deve atuar de forma a assegurar os direitos de crianças e jovens indígenas. Isso inclui o entendimento de que a garantia do direito à terra e ao território é de suma importância para a preservação da identidade, das tradições e da cultura de um povo, sendo fundamental para o desenvolvimento social e coletivo de meninos e meninas indígenas”, diz o Unicef, no Instagram.

Já a porta-voz do Greenpeace Brasil, Ariene Susui, afirmou que “ao formar maioria, o STF avança rumo à decisão histórica de rejeitar o Marco Temporal de uma vez por todas”. “Quem ganha somos todos nós, porque promover os direitos indígenas significa, sobretudo, a defesa de direitos constitucionais. Rejeitar o marco temporal é assegurar direitos de toda a sociedade, pois direitos conquistados não devem ser questionados e sim cumpridos. Os povos originários e seus territórios exercem um papel fundamental na defesa da biodiversidade brasileira que, por sua vez, possui grande importância na mitigação da crise climática e na regulação do clima global”.

Marco Temporal

A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (21) por invalidar a tese do marco temporal para demarcação de terras indígenas.

Pela tese, defendida por proprietários de terras, os indígenas somente teriam direito às terras que estavam em sua posse no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, ou que estavam em disputa judicial na época.

Apesar da maioria formada contra o marco temporal, os ministros ainda vão analisar o alcance da decisão. Pela corrente aberta com o voto do ministro Alexandre de Moraes, particulares que adquiriram terras de “boa-fé” podem pedir indenização pelas benfeitorias e pela terra nua. A decisão valeria para proprietários que receberam do governo títulos de terras que deveriam ser consideradas como áreas indígenas.

Do - jornal da midia.com.br

A "COISA" BRAVA NA BAHIA

Operação policial do governo petista de Jerônimo Rodrigues mata mais 6 na Bahia

Outros 15 suspeitos foram presos e ao todo operação já soma mais de 15 mortes

Do  -Diário do Pider - Mais seis pessoas foram mortas e outras 15 tiveram mandados de prisão cumpridos em confrontos com policiais durante operação conjunta das forças de segurança da Bahia, chamada de ‘Saigon’, que tem o objetivo de deter grupo de criminosos suspeitos de assassinatos.

Tudo ocorreu na região de Águas Claras (Salvador) e em Feira de Santana (BA) na manhã desta sexta-feira (22). A ação contou com cerca de 400 agentes das polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviária Federal.

Lucas Monteiro Caribé um policial federal, foi morto na semana passada durante operação em Salvador. Em sequência, pelo menos mais nove pessoas foram mortas pela polícia.   

 Cada vez mais as forças policiais do Governo da Bahia, que há 17 anos é governado por petistas, vem sendo marcado por estímulo da violência policial. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado recentemente apontam que 1.464 pessoas foram mortas pela polícia baiana em intervenções oficiais no ano de 2022, conseguindo superar, pela primeira vez o estado do Rio de Janeiro líder em todos os anos anteriores desde o início da contagem, registrou 1.330 assassinatos em 2022.  

O número de mortes na Bahia representa 22,7% do total de mortes praticadas por policiais em todo o Brasil, que foi de 6.430 mortes. 


ILHEUS VAI GANHAR NOVOS ONIBUS

Transporte público: Ilhéus renova frota e amplia serviços para garantir melhoria do sistema

As empresas Viametro e São Miguel devem adquirir sete ônibus cada uma, até o final de outubro

Mais um importante passo para ampliar a eficiência do atendimento aos usuários do transporte coletivo em Ilhéus. Nesta quinta-feira (21), a empresa Viametro apresentou cinco, do total de sete ônibus, que serão adicionados à frota municipal, em cumprimento ao decreto nº 043/2023. Por meio da aquisição dos veículos, a gestão do prefeito Mário Alexandre estanca um problema agravado durante a pandemia de Covid-19, quando houve queda na arrecadação e redução da circulação de ônibus.

O Município informa que as empresas Viametro e São Miguel devem adquirir sete ônibus cada uma, até o final de outubro, bem como assegurar ampliação dos horários das linhas existentes. O objetivo principal é assegurar a manutenção e substituição gradativa da frota. A aquisição representa a contrapartida do aumento das tarifas estabelecidas no início do mês de maio.

“Obedecendo à determinação da Prefeitura, estamos realizando a renovação da frota para proporcionar melhorias no sistema. Já aumentamos os horários nas linhas urbanas e nas linhas rurais e agora estamos atendendo ao que foi estabelecido no decreto. São sete novos ônibus. Estamos apresentando cinco hoje e dois até o próximo mês. Buscamos oferecer serviços de qualidade, visando sempre o bem-estar dos clientes e de toda a comunidade”, disse Carlos Bahia, gerente da Viametro.

novos ônibus; viametro; frota municipal

Conforme a empresa, os ônibus são do modelo Torino 2023, com tecnologia Euro 6, chassis Mercedes-Benz, motor eletrônico, elevadores de acessibilidade e tomadas USB. “A Viametro já se antecipou e apresentou parte da nova frota. Realizamos a vistoria para que os veículos possam entrar em circulação imediatamente. Estamos nos reorganizando administrativamente, com foco na prestação de um serviço eficiente e que atenda as demandas da população”, explicou Hermano Fahning, diretor-geral da Autarquia de Transporte e Trânsito (Sutram).

Reforço na frota operacional

Carlos Bahia destacou que a Viametro realiza a reforma completa dos veículos para que tenham condições de transportar a população com segurança. A previsão é que nove ônibus, dois da Viametro e sete da São Miguel, sejam entregues até o fim de outubro.

novos ônibus; viametro; frota municipal

De acordo com Jailson Nascimento, presidente do Conselho Municipal de Transporte e Trânsito (COMUTRAN), o compromisso da renovação gradual foi assumido dentro da realidade financeira das empresas. “Quando o serviço de transporte melhora, não melhora para as empresas, melhora para a nossa população. O nosso intuito é tornar Ilhéus referência em transporte público para o Brasil”, acrescentou.

O Município ressalta que as ações são construídas mutuamente, através da atuação dos órgãos de controle.  Nos últimos meses foram promovidos ajustes na operação do transporte coletivo, incluindo ampliação de horários de linhas, principalmente na zona rural, que suprem, de forma emergencial, as necessidades de deslocamento diário para o trabalho, escola e atividades de lazer, inclusive aos domingos e feriados.

novos ônibus; viametro; frota municipal



Sucom

Ação educativa para comemorar Semana Nacional do Trânsito em Itabuna

 

Prefeito Augusto Castro- Abertura da 19ª Semana Nacional do Trânsito, em Itabuna.


 


A Prefeitura programou uma série de ações educativas para comemorar em Itabuna, a 19ª. Semana Nacional do Trânsito. A agenda, aberta na segunda-feira, 18, com a “Campanha criança segura na Escola Pio XII”, na Praça Olinto Leone, continua nesta sexta-feira, 22, com palestra na Escola João Mangabinha Filho, no Bairro da Mangabinha. 

Thales Silva, secretario - tema: “No trânsito, escolha a vida!” - Foto Pedro Augusto

 

Técnicos da Secretaria de Transporte e Trânsito (Settran), além de serem responsáveis pelas palestras, também programam as ações que estão sendo levadas para unidades escolares, inclusive as do campo, no centro da cidade e também na sede da própria secretaria, no Bairro Lomanto.


Já na manhã da próxima segunda-feira, 25, além da ação Educatran com escolas do campo, haverá uma “motociata”, com a participação do Clube dos Motociclistas. A ação será na Avenida do Cinquentenário. Na terça, quarta e quinta-feiras, dias 26, 27 e 28, a programação Educatran com as escolas do campo se repetirá na sede da Settran, entre as 8 e 11 horas.


Na abertura da 19ª Semana Nacional do Trânsito em Itabuna, uma das atividades foi a ação integrada com a participação da Polícia Rodoviária Estadual (PRE). A atividade se repetiu na quinta-feira, 21, na Base da Polícia Rodoviária Federal (PRF). Ambas as PRs são consideradas importantes parceiras das ações promovidas pela Settran.


A Semana Nacional de Trânsito, prevista no Código de Trânsito Brasileiro (CTB), acontece anualmente, entre os dias 18 e 25 de setembro, quando os órgãos que compõem o Sistema Nacional de Trânsito são convocados a participar de ações que mobilizem a sociedade.


Os temas das campanhas, quase sempre apelativos, são definidos pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran). Este ano o tema escolhido foi “No trânsito, escolha a vida!”, que visa, principalmente conscientizar os cidadãos em relação ao seu comportamento no trânsito, tentando reduzir os altos índices de mortalidade no trânsito.


Ascom.


NOVA DIRETORIA DO CLUBE DO POETA SUL DA BAHIA

Nesta quinta-feira 21, às 19h, na Câmara Municipal de Itabuna, aconteceu a posse da nova diretoria do Clube do Poeta Sul da Bahia e do poeta Adeildo Marques, mais uma  vez, como presidente, para o triênio 2022/2024. O poeta Adeildo, que retorna ao cargo, pela terceira vez, tem como principais metas: lançar a "Atologia Centenária" e conquistar uma sede própria para a entidade.

O Clube do Poeta Sul da Bahia, reconhecida como de Utilidade Pública Municipal, num projeto do saudoso vereador Roberto de Souza, na oportunidade, homenageou várias personalidades regional, consideradas amigas do Clube, inclusive, o prefeito da cidade, Augusto Castro. 

Em breve, dentro do cronograma do Clube  será ortogada a "Comenda Poeta Telmo  Padilha".  Sócio  da entidade e, que, contribuiu muito. Faleceu em 16 de Julho de 1997.  O Clube, foi fundado em 2 de Janeiro de 1991, com sede provisória no Centro de Cultura Adônis Filho

Portanto, a entidade cultural, já completando 33 anos de grandes serviços no resgate e incentivo à poesia do sul do Estado, desejamos sucesso a todos os membros que formam a nova diretoria. 

"A POESIA É A MÁE DE TODAS AS ARTES".

Rosa Weber vota pela descriminalização do aborto até 12 semanas

Rosa pautou a ação —da qual é relatora— no sistema eletrônico para conseguir apresentar o seu voto antes de deixar a corte. Em 2 de outubro, ela completa 75 anos, limite de idade para a aposentadoria de ministros do STF.
 

Barroso é o próximo presidente do STF e, nessa função, caberá a ele pautar o processo no plenário físico.
 

A ADPF (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental) 442 foi apresentada pelo PSOL em 2017, foi tema de audiência pública em 2018 e foi a julgamento no plenário virtual.
 

Em seu voto, Rosa argumentou que a fórmula restritiva sobre aborto que vigora hoje no Brasil não considera "a igual proteção dos direitos fundamentais das mulheres, dando prevalência absoluta à tutela da vida em potencial (feto)".
 

"Desse modo, entendo que a criminalização da conduta de interromper voluntariamente a gestação, sem restrição, não passa no teste da subregra da necessidade, por atingir de forma o núcleo dos direitos das
 

mulheres à liberdade, à autodeterminação, à intimidade, à liberdade reprodutiva e à sua dignidade", escreveu a ministra.
 

Ele criticou a criminalização do procedimento e destacou que essa perspectiva para lidar com problemas que envolvem o aborto não é a política estatal adequada.
 

"A justiça social reprodutiva, fundada nos pilares de políticas públicas de saúde preventivas na gravidez indesejada, revela-se como desenho institucional mais eficaz na proteção do feto e da vida da mulher comparativamente à criminalização".
 

"Com efeito, a criminalização do ato não se mostra como política estatal adequada para dirimir os problemas que envolvem o aborto, como apontam as estatísticas e corroboraram os aportes informacionais produzidos na audiência pública", disse.
 

No final de seu voto, Rosa destacou ainda que as mulheres eram excluídas da condição de "sujeito de direito" na década de 1940, data do Código Penal que criminalizou o aborto "de forma absoluta".
 

"A dignidade da pessoa humana, a autodeterminação pessoal, a liberdade, a intimidade, os direitos reprodutivos e a igualdade como reconhecimento, transcorridas as sete décadas, impõem-se como parâmetros normativos de controle da validade constitucional da resposta estatal penal", disse.
 

Nesta quarta (20), a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), a Frente Parlamentar Mista contra o aborto e em defesa da vida, a União dos Juristas Católicos de São Paulo e o Instituto de Defesa da Vida e da Família protocolaram um pedido para levar o julgamento ao ambiente presencial. A Anajure (Associação Nacional de Juristas Evangélicos) também peticionou a retirada da ADPF da pauta.
 

O QUE PEDE A AÇÃO?
 

A ADPF pede ao STF que analise a constitucionalidade dos artigos 124 e 126 do Código Penal, de 1940. O artigo 124 prevê pena de detenção de 1 a 3 anos para quem "provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque" e o artigo 126 estipula reclusão de 1 a 4 anos para quem "provocar aborto com o consentimento da gestante".
 

Atualmente, as únicas três situações em que o aborto não é criminalizado no país são em caso de estupro, quando a gestação gera risco de vida para a gestante e, por decisão do STF, quando é constatada anencefalia fetal.
 

A ADPF argumenta que a lei atual leva mulheres e meninas a procurar métodos inseguros, pondo suas vidas em risco. De 2008 a 2017, foram 2,1 milhões de internações no país para tratar complicações de abortos, gerando um gasto de R$ 486 milhões para o SUS. De 2000 a 2016, ao menos 4.455 pacientes morreram.
 

O documento aponta que, enquanto aquelas com melhores condições financeiras buscam clínicas clandestinas, pacientes pobres se submetem a tratamentos desumanos, e ressalta um recorte racial. Pesquisa publicada recentemente na revista Ciência & Saúde Coletiva mostra que a probabilidade de se fazer um aborto é 46% maior para mulheres negras.
 

A ação defende que a criminalização viola a dignidade da pessoa humana, os preceitos da cidadania e da não discriminação, bem como o direito à inviolabilidade da vida, liberdade, igualdade, saúde, planejamento familiar e a proibição de tortura ou tratamento degradante previstos na Constituição Federal.
 

"No Estado democrático de Direito, pressupõe-se que o papel do Poder Judiciário, a partir da interpretação da Constituição, é a proteção dos direitos humanos e dos princípios e garantias internacionais. Caso eles sejam violados, cabe ao Judiciário incidir e impedir a violação", afirma a vereadora Luciana Boiteux, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e uma das autoras da ADPF.
 

"O que está em jogo é o reconhecimento da cidadania das mulheres e a igualdade de gênero, que é uma luta ainda incompleta no Brasil", defende a advogada, que observa o amadurecimento da corte em relação à temática. Exemplos disso são a permissão da fertilização in vitro, processo em que há descarte de embriões, a liberação de pesquisas com células-tronco e a inclusão de anencefalia nas exceções do aborto legalizado.
 

O QUE DIZ O OUTRO LADO?
 

A AGU (Advocacia-Geral da União) defende que o tema não deveria ser tratado no Supremo, mas sim no Congresso, sob pena de "grave dano ao Estado brasileiro e aos seus cidadãos, que têm debatido amplamente a questão por meio de seus representantes no Parlamento".
 

"Trata-se, de fato, de questão extremamente delicada sob os aspectos jurídico, moral, ético e religioso, a demandar cautelosa análise por parte das instituições estatais, sem que se possa prescindir da efetiva participação da sociedade", complementa a AGU.
 

Esse também é o ponto de entidades que pediram para participar como amicus curiae (amigo da corte), expressão que designa um terceiro autorizado a ingressar na ação para fornecer subsídios ao órgão julgador. A ADPF 442 tem dezenas de amici curiae de ambos os lados.
 

"A CNBB entende que a ADPF 442 não deveria sequer ter sido recebida pelo STF, uma vez que se está diante do caso mais flagrante de desrespeito e invasão de uma competência típica do Parlamento já protagonizado pelo Supremo. A matéria do aborto é exaustivamente tratada pela norma brasileira, que aponta as hipóteses de excludente de ilicitudes. Modificar ou ampliar as hipóteses legais constitui escandaloso episódio de desrespeito às prerrogativas do Congresso Nacional", diz Hugo Sarubbi Cysneiros, advogado da CNBB.
 

"Além das leis brasileiras que tratam do tema, o Brasil é signatário de inúmeros tratados internacionais que regulam esse objeto, não havendo em nenhum deles nada que permita essa atuação do STF", complementa.
 

Ele afirma ainda que a ação é baseada em princípios inexistentes: da irrelevância jurídica da vida intrauterina até a 12ª semana de gestação; da proteção gradativa da vida, pelo qual a vida humana tem proteção variável a depender do seu estágio; e do direito ao aborto.
 

Em carta aberta ao STF, a Anajure também apresenta-se como contrária à ADPF, afirmando que eventual decisão ocasionaria graves prejuízos à proteção ao direito fundamental à vida do nascituro.
 

O CFM (Conselho Federal de Medicina) é outra entidade que se opõe à análise em plenário virtual e que defende a discussão no Congresso. Em nota divulgada nesta quinta (21), a entidade reitera que defende o cumprimento da legislação atual, que permite o aborto apenas em três situações.
 

ENTIDADES FAVORÁVEIS
 

Entre os amici curiae favoráveis à descriminalização está a organização Católicas pelo Direito de Decidir. "Sendo o Brasil um Estado laico, não deve se submeter a nenhuma religião", diz a socióloga Maria José Rosado Nunes, uma das fundadoras da entidade.
 

"As pesquisas sobre aborto evidenciam que são as mulheres cristãs as que mais abortam, contrariando as hierarquias e doutrinas religiosas conservadoras. É por essas mulheres anônimas, que compartilham a mesma fé que nós, que entendemos a importância e a força de nos posicionarmos de modo divergente desse poder hierárquico e patriarcal."
 

A Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), por sua vez, defende ser inadmissível que, diante da possibilidade de realizar um procedimento seguro, cerca de meio milhão de mulheres sigam realizando abortos todos os anos, sob o risco de grave adoecimento ou morte.

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ITABUNA EM FOCO

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