Crédito inovador eleva renda com cacau na Bahia
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| Alana Reis |
Microcrédito beneficiou 184 pequenos produtores de cacau que viram a renda crescer, em média, quase 40%.
Do -capitalresete.com - Ailana Reis, 37, casada e com dois filhos, mora há 11 anos no assentamento Nova Vitória na zona rural de Ilhéus (BA), uma agrovila com 36 residências que se sustenta com o cultivo de banana, hortaliças e, principalmente, da cabruca, como é conhecido o método de plantar cacau à sombra de um pedaço preservado da Mata Atlântica.
Para os organizadores, a inadimplência quase zero é resultado do desenho de concessão de crédito baseado na confiança e no acompanhamento técnico.
“Os agricultores criaram grupos formados por afinidade em que todos são mutuamente avalistas e recebem um único boleto. Desta forma o grupo se apoia e se acompanha para que todos possam contribuir. Isso diminui muito o custo de cobrança”, afirma Vilela que também é especialista em microcrédito.
O acompanhamento técnico foi fundamental principalmente para a conversão de culturas de cacau comum para cacau de qualidade, destinado à produção de barras de chocolate bean to bar, feitas com o chamado cacau de qualidade, cultivado em floresta conservada e com insumos orgânicos.
“Quem usou o recurso para converter a produção em cacau de qualidade teve um aumento de renda de 58,6%”, afirma Vilela. “E quem seguiu no cacau comum agora não está mais na loucura de colher e vender as amêndoas para pagar as contas. É possível fazer um estoque e esperar um preço melhor”, diz Ailana Reis.
Na região do sul da Bahia, o cacau commodity é comprado principalmente pelas empresas Olam (Cingapura), Barry Callebaut (Bélgica e Suíça) e Cargill (EUA) que pagaram cerca de R$ 10 por kg de amêndoa pela cotação média da última semana de maio. Essa produção tipicamente é vendida para a grande indústria.
Já as produtoras de barra bean to bar pagam mais que o dobro pelo cacau de qualidade. As principais compradoras da região são as brasileiras Dengo, Amma e Kalapa.
Outra história
Thais Ferraz, diretora-executiva do Instituto Arapyaú, lembra que a região de Ilhéus povoa o imaginário cultural brasileiro. “A literatura de Jorge Amado retrata uma região com mata exuberante, praias lindas, onde o ciclo do cacau, no século passado, atraiu uma riqueza enorme, mas sempre concentrada”.
Mas um dia o cacau acabou, varrido pela vassoura de bruxa, fungo que dizimou as plantações baianas nos anos 90. A participação do Brasil na produção da commodity caiu de 15% para menos de 4% naqueles anos. As fazendas foram abandonadas e os indicadores sociais e econômicos da região (que já não eram dos melhores) só pioraram.
“Por muito tempo, as instituições financeiras assumiram que o cacau ali não se pagava. Os resultados desse CRA são emblemáticos para reverter essa suposição”, afirma Roberto Vilela, diretor-executivo da Tabôa.
Segundo Ferraz, o renascimento dos pés de cacau agora ocorre em paralelo a um novo modelo de desenvolvimento. “O Brasil hoje está no ranking de países produtores de cacau de qualidade para barras bean to bar da International Cocoa Organization (ICCO). É um cacau que conta uma história diferente, com uma riqueza que está sendo distribuída e que ainda promove conservação ambiental”.
(Crédito da foto: Ana Lee/ Divulgação)
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