Isy Amõkamby. Em tupi significa “Mãe, amamente”. A frase estampada na parede da aldeia Tupinambá, lembrava ontem (10), as comemorações do Agosto Dourado. A ação comemorativa ao incentivo ao aleitamento materno, promovida pelo Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio (HMIJS), ultrapassou o muro da instituição e foi parar na aldeia da comunidade de Acuípe do Meio, em Ilhéus. Diretoria e colaboradores, ao lado dos técnicos e enfermeiros do Distrito Sanitário Especial Indígena da Bahia (DSEI Bahia), promoveram palestra e assistiram apresentações teatral e de cordel, para estimular a iniciativa desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A palestrante foi a enfermeira Brenda Valles, coordenadora da UTI Neonatal do HMIJS, que falou sobre a importância e o estímulo à amamentação. Diversas mulheres da etnia – gestantes e puérperas – participaram da iniciativa. Os Povos Originários do sul da Bahia receberam com festa a equipe, com direito a cocar e dança de boas-vindas. A ação é mais um movimento do hospital, da FESF e do Governo do Estado, através da Sesab, para a implantação do programa de atenção especializada para os povos originários. O hospital será, em breve, o primeiro da Bahia e o segundo do Brasil a contar com um serviço deste perfil.
*Reconhecidos*
“Hoje se inicia um novo ciclo, histórico, das nossas mulheres gestantes e o povo da nossa comunidade. A gente se sente acolhido, visto e pertencente à proposta de acolhimento do hospital”, disse Nicinha Tupinambá, líder da comunidade. Os Tupinambá doaram um colar à instituição, “de todas as cores e de todos os tamanhos, representando a igualdade que precisa ser exercida”. Participante do ato, a coordenadora de Educação Permanente da instituição, enfermeira Ayalla Campos, disse que o hospital rompe as barreiras do modelo hospitalocêntrico com uma política pública de saúde extramuro inclusiva e de qualidade. O diretor médico, Samuel Branco, comentou que ao usar o cocar, se sentiu parte do processo. “Claro que continua não sendo meu lugar de fala, mas não deixa de ser meu lugar de luta”, escreveu.
Esta foi a segunda aldeia visitada pela equipe do HMIJS em menos de um mês. A primeira foi a Itapoã, também na região do Acuípe. “Foi ainda um momento de troca de experiência e informações junto à equipe do DSEI, que atende as comunidades Tupinambá. Cada dia damos mais um passo para a habilitação do serviço especializado em nossa unidade”, afirmou a diretora-geral. Com a iniciativa proposta pela direção, o atendimento ganhará qualificação na prestação do serviço, respeitando contextos interculturais, cuidados tradicionais e a presença de atividades de educação permanente nas aldeias, dentre outros importantes eixos, conforme previsto em Portaria do Ministério da Saúde.
*População grande*
Os Tupinambá estão situados em uma área de 47 mil quilômetros quadrados entre os municípios de Ilhéus, Buerarema e Una, no Território Litoral Sul da Bahia. São 23 aldeias tradicionais e pelo menos 90 por cento desta área ficam localizados no município de Ilhéus. A maior parte da comunidade é formada por mulheres.
Por - Maurício Maron




Nenhum comentário:
Postar um comentário