sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Afundada na lama, agora Dilma quer legislar contra a corrupção. É muito cinismo.

SEXTA-FEIRA, 13 DE FEVEREIRO DE 2015

Dilma Rousseff e o PT perderam o último pingo de vergonha que tinham na cara. É de um cinismo deslavado a proposta de nova legislação para combater a corrupção, que a presidente pretende enviar ao Congresso para tentar mudar a avaliação de mais de metade dos brasileiros de que ela é desonesta, mentirosa e conivente com a corrupção.

Tudo que Dilma pretende corrigir ela ou seu partido cometeram nos últimos anos. É achar que os brasileiros são completos idiotas. Que continuam cegos diante de tantas mentiras.A última pesquisa Datafolha mostrou que a ficha caiu e que apenas os pobres diabos explorados eleitoralmente pelos programas sociais ainda sustentam este governo podre.

A primeira medida contra corrupção gestada dentro do mar de lama do Palácio do Planalto pretende transformar em crime o caixa dois das campanhas eleitorais. Durante todo o processo do Mensalão a defesa dos petistas era que este estratagema era um mal menor. Apenas um desvio de conduta e uma prática condenável moralmente. José Dirceu e companhia foram parar na Papuda por corrupção, formação de quadrilha e outros crimes. Por que não defenderam que caixa dois deveria ser crime à época do Mensalão, usando a sua utilização como um deslize qualquer?

Uma segunda proposta eleva a punição dos agentes públicos que apresentarem enriquecimento ilícito. Isto é uma jogada cretina e de má fé. Estamos todos vendo na Lava Jato que o dinheiro roubado dos cofres públicos alimenta contas secretas no exterior e que raramente o patrimônio do corrupto é ampliado. Que o dinheiro da propina vai parar na mochila do Vaccari, em dinheiro vivo. Ou em contratos das empreiteiras como José Dirceu para pagar "análises sociológicas".  

Agora vejam a terceira proposta: mudar a estrutura do Judiciário para acelerar o julgamento de autoridades que detenham foro privilegiado. Ora, o Supremo Tribunal Federal está funcionando precariamente, atrasando julgamentos porque Dilma Rousseff não nomeia o substituto de Joaquim Barbosa. Desde julho o STF funciona apenas com 10 ministros e tem sofrido com a falta de quorum qualificado para julgar questões constitucionais. Dilma, antes de propor mudanças, deveria fazer o tema de casa. 

A quarta e quinta propostas de Dilma também são pura perfumaria, pretendendo instituir ação civil pública de extinção de patrimônio, a fim de permitir o sequestro imediato de bens comprovadamente fruto de corrupção e acelerar o julgamento de processos que tratem de desvios de recursos públicos. Lembrem que a presidente foi a primeira a ficar indignada com o bloqueio dos bens de Graça Foster.

Dilma Rousseff manteve durante meses o tesoureiro João Vaccari Neto como conselheiro de Itaipu. Da mesma forma, sustentou por quase um ano a presidente e os diretores da Petrobras, blindando Graça Foster. Acaba de nomear para a presidência da Petrobras um suspeito de liberar empréstimo em bancos públicos rasgando todos os procedimentos internos, apenas porque a cliente era sua amiga. São casos e mais casos de acobertamento, leniência, até cumplicidade. Nas medidas da presidente contra a corrupção não há uma só que contemple estes casos. É como se a corrupção não estivesse dentro do seu governo e do seu partido. É muito cinismo.
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O PMDB presidindo e outro partido que não o PT relatando a nova CPI é garantia de que os principais requerimentos, justamente aqueles que envolvem petistas, serão aprovados e que a investigação não acabará em pizza. 

( O Globo) Após ganhar a presidência da Câmara, de colocar na presidência da comissão especial da reforma política um representante do DEM e de escolher como líder um deputado que fez campanha para Aécio Neves (PSDB), o PMDB se prepara para impor mais uma derrota ao PT. À frente do bloco com o maior número de parlamentares na Casa, o partido pretende ter não só o presidente da CPI da Petrobras, mas também indicar para a relatoria um aliado não petista.

Três parlamentares do bloco do PMDB (SD, PP, PTB, PSC, PHS, PEN, PRB, PTN, PRP, PSDC, PRTB) confirmaram negociações nesse sentido. — Somos o maior bloco, e a relatoria deve ficar conosco também — afirmou. 

Os peemedebistas já conversam com as outras siglas para ver quem aceitaria a missão. O PP, embora com bancada com 40 deputados, deve sair do páreo porque foi citado como beneficiário do esquema criminoso investigado na Operação Lava-Jato. O PTB é uma possibilidade, mas o líder Jovair Arantes (GO) nega que isso esteja em pauta.

O PT, no entanto, não está disposto a abrir mão facilmente da relatoria. O líder Sibá Machado (AC) avisou que lutará para que seu partido tenha lugar de destaque na CPI. — Vamos lutar para ficarmos com a relatoria. O PT não abre mão — disse. 

Após uma semana agitada na Câmara com a aprovação de medidas indigestas para o governo, o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), resumiu ontem numa frase suas atitudes neste início da gestão dele. Entre as medidas que desagradaram ao governo estão a aprovação do orçamento impositivo e o convite aos 39 ministros de Dilma para que prestem esclarecimentos aos deputados. Para ele, o governo não tem motivos para reclamar. — Não sei se o governo gostou ou não gostou. Mas também não estamos lá para agradar ou desagradar a quem quer que seja — afirmou. 

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