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| Ederivaldo Benedito |
“Meu Preto!” é título do livro de poemas que o jornalista e radialista Itabunense Ederivaldo Benedito-Bené está lançando pela Via Literarum Editora. Segundo o autor, são blocos temáticos, líricos e críticos, com afeto, experiências no imaginário, que reúnem reflexões e pensamentos de positividade sobre negritude, relacionamentos, questionamentos e memórias.
“Trata-se de um longo poema, constituído de sessenta estrofes”, afirma o ficcionista e poeta Ruy do Carmo Póvoas, que assina o prefácio da obra. Mestre em Letras Vernáculas e professor de Língua Portuguesa Uesc-Universidade Estadual de Santa Cruz, ele é sacerdote do Candomblé, babalorixá do Ilê Ijexá Axé, terreiro de origem nagô, da nação Ijexá, em Itabuna, sul da Bahia.
Póvoas destaca que “numa primeira leitura, percebe-se um texto à moda da antiga cantiga de amor. Uma representante da mulher negra canta os predicados de seu homem, negro também. De repente, outra mulher, negra também, invade o texto e assume sua condição de mãe. Então, a amada e a mãe se fundem numa única imagem, cantando a negritude, os valores de quem tem seu corpo forrado pela pele negra”.
Para Maria de Lourdes Netto Simões, que faz a apresentação, “as reflexões apontam as contribuições culturais, religiosas, sociais que a raça trouxe, embora tratada como desigual”. Professora da Uesc-Universidade Estadual de Santa Cruz, Tica Simões é doutora em Estudos Portugueses e pós-doutora em Literatura Comparada e Turismo Cultural pela Universidade Nova de Lisboa.
Bené define “Meu Preto!” como “uma caixa de memória na qual é forte a presença feminina, representada por mães, irmãs, esposa, filhas e outras amadas, e a presente lembrança das antepassadas, na imagem da saudosa avó a pedir um cheiro e um abraço ao seu preto, afilhado”. Acrescenta que são “pensamentos inspirados no viver cotidiano, sob a ótica de ligações fortes, duradouras, multifacetadas e, também, de breves/fugazes, mas marcantes amores não-púrpuros”.
Natural de Itabuna, ele descobriu na palavra escrita sua forma de traduzir o Mundo, percorrendo negritude e questões sociais. Há cinco décadas atua como jornalista e ativista social, investigando temas como justiça social e memórias. Seus primeiros trabalhos saíram na página literária Sua Vez, do Diário de Itabuna. É autor de “Expresso do Tempo”–poemas, pelas Edições GRD/São Paulo-1982.

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