Eterno Problema de Saúde Pública em Itabuna
A saúde pública em Itabuna, assim como em diversas cidades brasileiras, enfrenta um desafio histórico e persistente. A Constituição Federal garante, em seu primeiro artigo, a saúde como direito fundamental do cidadão, mas, na prática, esse princípio raramente é respeitado. O reflexo disso é o sentimento de revolta e impotência vivido diariamente pela população, que não encontra a quem recorrer diante da precariedade do sistema.
Em Itabuna, a situação se agrava por uma contradição preocupante: enquanto se investe em construções, reformas e ampliações de hospitais, o ser humano que necessita urgentemente de atendimento permanece esquecido. Recursos financeiros são direcionados a obras que, embora necessárias, acabam mascarando a realidade: a dificuldade de acesso imediato ao atendimento básico, emergencial e especializado. Para quem pode pagar, a rede privada abre portas com eficiência; já para a maioria, resta o sofrimento nas filas intermináveis e a espera angustiante por procedimentos que muitas vezes não chegam a tempo.
Nos últimos meses, a população tem manifestado ainda mais insatisfação diante de medidas adotadas pela gestão municipal. O recente remanejamento de cotas de atendimento, proposto como forma de alinhar a oferta de serviços, vem sendo duramente criticado. Muitos usuários denunciam que, na prática, essa decisão obriga pacientes a se deslocarem para unidades de saúde mais distantes, ignorando a realidade de pessoas idosas, com deficiência ou limitações físicas, que não têm condições de enfrentar esse trajeto.
Esse cenário revela um descompasso entre a política de saúde e as reais necessidades da população. O cidadão não quer apenas prédios novos ou inaugurações festivas; ele exige médicos disponíveis, exames realizados em tempo hábil, medicamentos acessíveis e respeito ao seu direito fundamental.
Itabuna precisa, com urgência, repensar sua estratégia de saúde pública. O desafio não está apenas na construção de hospitais, mas, sobretudo, na construção de dignidade. A solução passa por gestão eficiente, transparência na aplicação dos recursos e valorização do atendimento humano, que deve ser a essência de qualquer política de saúde.
Enquanto a lógica da obra prevalecer sobre a lógica do cuidado, o problema seguirá eterno, e o povo continuará pagando com dor e descaso por um direito que já deveria estar garantido, na espera de um novo cobertor que cubra a todas.







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