sábado, 10 de outubro de 2026

MÁRIO DE QUEIROZ: UM OLHAR QUE ATRAVESSOU GERAÇÕES E ETERNIZOU A HISTÓRIA

A imprensa baiana perde um grande profissional da fotografia, testemunha de uma época em que cada imagem era fruto de técnica, paciência, sensibilidade e talento.

Luz & luz, amigo.
Por Joselito dos Reis -A imprensa baiana está de luto. Morreu na madrugada deste sábado, 10 de outubro, em Ilhéus, no sul da Bahia, vítima de um infarto, o jornalista e repórter fotográfico Mário Araujo de Queiroz, aos 83 anos, profissional que dedicou parte significativa de sua vida à arte de registrar acontecimentos e eternizar momentos por meio de suas lentes.

Sua partida representa uma perda para o jornalismo e, particularmente, para a história da fotografia na Bahia. Com uma trajetória que alcançou importantes veículos de comunicação do país, Mário teve trabalhos publicados em jornais como O Globo, Jornal do Brasil e A Tarde, de Salvador, além de revistas e outras publicações que reconheceram a força expressiva de suas imagens.

Da fotografia em preto e branco à era digital

Mário de Queiroz pertenceu a uma geração de profissionais que conheceu de perto os desafios e os encantos da fotografia analógica. Naquele tempo, antes da popularização das câmeras digitais, fotografar exigia conhecimento técnico, precisão, paciência e uma sensibilidade especial para captar o instante certo.

As imagens em preto e branco guardavam uma beleza própria. Cada registro dependia da habilidade do fotógrafo, do domínio da luz, do enquadramento e da escolha precisa do momento. Depois do clique, ainda havia o processo de revelação dos filmes e a produção das fotografias, etapas que exigiam dedicação e conhecimento.

Mário acompanhou essa transformação histórica. Viu a fotografia sair dos filmes e negativos para ingressar no universo digital, com suas novas possibilidades de captação, tratamento e transmissão de imagens. Assistiu à mudança dos equipamentos, à modernização das redações e à aceleração do trabalho jornalístico.

Mais do que testemunhar essa evolução, fez parte dela, atravessando diferentes fases da profissão e contribuindo para manter viva a importância da reportagem fotográfica.

O fotógrafo que contava histórias com imagens

Uma boa fotografia não é apenas uma imagem. É informação, memória, emoção e história. Muitas vezes, um único registro consegue revelar aquilo que centenas de palavras não conseguem traduzir.

Esse é o valor do trabalho dos repórteres fotográficos: estar no lugar certo, observar os acontecimentos e captar a imagem que permanecerá na memória coletiva.

Com suas lentes, Mário de Queiroz ajudou a registrar fatos, personagens e momentos de diferentes épocas, levando seu trabalho a leitores de jornais e revistas e contribuindo para a construção da memória visual do jornalismo.

Sua atuação em grandes veículos de comunicação demonstra o alcance de uma carreira que ultrapassou os limites regionais, sem perder a ligação com a Bahia e com a região cacaueira, onde sua partida deixa uma lembrança dolorosa entre os profissionais da imprensa.

Uma lacuna na imprensa baiana

A morte de Mário de Queiroz deixa saudade entre colegas, amigos e todos aqueles que reconhecem o valor dos profissionais que dedicam suas vidas à informação.

O jornalismo muda, as tecnologias avançam e os equipamentos se renovam. Entretanto, permanece indispensável o olhar humano capaz de perceber, em meio à movimentação dos acontecimentos, a imagem que merece ser eternizada.

Mário fez parte dessa história. Da fotografia analógica ao ambiente digital, sua trajetória acompanhou uma transformação que modificou profundamente a maneira de produzir e divulgar notícias.

Neste momento de pesar, fica o reconhecimento por sua contribuição à imprensa e à arte de fotografar.

Até a divulgação desta homenagem, a família ainda não havia informado o local e o horário do velório e do sepultamento.

Aos familiares, amigos e colegas de profissão, nossos sentimentos de solidariedade. Que Deus conforte os corações enlutados e conceda paz a todos.

Mário de Queiroz parte, mas as imagens que captou permanecem. Porque o tempo pode levar o fotógrafo, mas não apaga a história revelada por suas lentes.

Descanse em paz, Mário de Queiroz!

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