Fazemos nossas as sua palavras. Veja artigo:
IBICARAÍ, 74 ANOS: A CIDADE QUE O TEMPO NÃO CONSEGUE LEVAR DE MIM
Por: Maria Reis Gonçalves
(Tia Nem)
Hoje, Ibicaraí completa 74 anos de história, e meu coração volta no tempo para reencontrar uma parte de mim que nunca saiu de lá.
Existem lugares que habitamos por algum tempo e existem lugares que passam a habitar dentro de nós para sempre. Ibicaraí é assim: não é apenas a cidade onde nasci, mas o chão onde comecei a construir quem sou, onde recebi minhas primeiras lições de vida e de onde levei comigo a régua e o compasso para desenhar os caminhos que percorri.
Aos 17 anos, parti em busca de outros horizontes. A vida me levou a conhecer outros lugares, outras pessoas, outras paisagens e outras formas de enxergar o mundo. Cresci, amadureci, vivi experiências, enfrentei desafios e construí minha própria história. Mas há uma verdade que o tempo nunca conseguiu modificar: por mais longe que meus passos tenham chegado, minhas raízes continuam fincadas em Ibicaraí.
E como não sentir saudade?
Não esqueço a Rua do Paraguaçu, suas lembranças e seus encantos, nem a Praça Dr. Diney e a Praça Dr. Henrique Sampaio, espaços que guardam muito mais do que lembranças: guardam pedaços da nossa juventude, encontros, conversas, amizades e momentos que, na época, talvez nem imaginássemos que um dia se tornariam tão preciosos.
E o Clube dos Comerciários? Ah, quantas lembranças! Quantas noites de alegria, quantos encontros, quantos passos de dança ao som dos Corsários, a nossa banda, que interpretava tantos sucessos nacionais e internacionais e embalava os sonhos, os romances e a juventude de uma geração!
Bastam algumas recordações para que a memória abra suas portas e, por alguns instantes, nos devolva àquele tempo em que a felicidade parecia morar nas coisas mais simples. E talvez morasse mesmo! Porque éramos feitos de encontros, de abraços, de conversas sem pressa, de amizades que nasciam espontaneamente e de uma convivência que deixava marcas profundas na alma.
Também não esqueço os amigos e as amigas que permanecem na nossa querida terrinha, conservando viva a história que compartilhamos. Nem aqueles que, como eu, partiram em busca de novos ares, levando na bagagem sonhos, esperanças e a coragem necessária para recomeçar.
Alguns ficaram. Outros partiram. A vida nos espalhou por diferentes cidades, estados e caminhos. O tempo mudou nossos rostos, nossos endereços, nossas responsabilidades e até nossas maneiras de enxergar a existência. Mas existe algo que a distância não apaga: a memória afetiva de tudo aquilo que vivemos juntos.
E como é bonito perceber que, mesmo depois de tantos anos, basta ouvir o nome de uma rua, recordar uma praça, lembrar uma música ou reencontrar um nome conhecido para que o coração reconheça imediatamente o caminho de volta. Porque a saudade não é apenas a lembrança de quem fomos. É também o reconhecimento de tudo aquilo que continua vivo dentro de nós.
Ibicaraí, você me deu o começo. E ninguém esquece o lugar onde começou a aprender a viver.
Hoje, aos seus 74 anos, celebro não apenas a história de uma cidade, mas a história de tantas vidas que se entrelaçam com a sua. Celebro os que aqui permanecem, os que partiram, os que voltam de vez em quando e aqueles que, mesmo distantes, carregam Ibicaraí no coração.
Celebro as pessoas que fizeram e fazem essa história acontecer, porque uma cidade não é feita apenas de ruas, praças, casas e edifícios. Uma cidade é feita de gente, de sonhos, de lutas, de afetos, de partidas e reencontros. É feita de histórias que talvez nunca apareçam nos livros, mas que permanecem eternizadas na memória de quem as viveu.
E há uma reflexão que gostaria de deixar neste aniversário: o tempo passa, as cidades mudam, as gerações se renovam, mas as nossas raízes continuam nos lembrando de onde viemos e de tudo o que nos ajudou a ser quem somos.
Talvez a vida nos tenha ensinado a partir, a enfrentar o desconhecido e a construir novos caminhos. Mas ela também nos ensina que não precisamos morar para sempre em um lugar para pertencermos a ele.
Há cidades que deixamos para trás no mapa, mas que jamais deixamos para trás na alma. Ibicaraí é uma dessas cidades para mim.
Hoje, minha homenagem é para a terra que me viu nascer, que testemunhou os meus primeiros passos e que permanece guardada naquele lugar especial onde o tempo não envelhece lembranças. Que os próximos anos tragam desenvolvimento, oportunidades, cuidado com as pessoas, respeito à história e esperança para as novas gerações. Que os jovens encontrem razões para permanecer ou, se precisarem partir, que possam levar consigo o orgulho de suas origens e o desejo de contribuir para uma Ibicaraí cada vez melhor.
Parabéns, minha querida Ibicaraí, pelos seus 74 anos! Que Deus abençoe esta terra, suas famílias, seus trabalhadores, seus filhos e todos aqueles que, de perto ou de longe, continuam ligados a ela por um laço que nem a distância, nem o tempo, nem as mudanças da vida conseguem romper.
E, se alguém me perguntar o que Ibicaraí representa para mim, talvez eu não consiga explicar inteiramente. Porque há sentimentos que não cabem nas palavras.
Direi apenas que foi lá que tudo começou.
E que, depois de tantos anos, tantas estradas percorridas e tantos horizontes conhecidos, ainda existe uma parte de mim que caminha pelas ruas da minha infância, reencontra os amigos da juventude, ouve os Corsários tocando e sorri diante das lembranças de um tempo que não volta, mas que nunca termina dentro de nós.
Porque o mundo pode nos levar para longe do lugar onde nascemos, mas jamais terá o poder de apagar o lugar que nos ensinou a pertencer.
Feliz aniversário, Ibicaraí! Minha terra, minhas raízes, minhas memórias e uma parte eterna da minha história.
Com carinho e saudade, uma filha de Ibicaraí que partiu aos 17 anos, mas que nunca deixou de levar sua terra dentro do coração.

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