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| Joselito dos Reis |
Quando a vida perde a cor, o silêncio pode esconder uma dor que ninguém vê
Por que algumas pessoas, que um dia foram alegres, comunicativas e cheias de sonhos, de repente parecem se fechar para o mundo?
É uma pergunta difícil. Não existe uma única resposta. Cada pessoa carrega dentro de si uma história, experiências, perdas, frustrações e sentimentos que nem sempre consegue revelar.
Há pessoas que continuam vivas, caminham pelas ruas, conversam, trabalham, convivem com familiares e amigos, mas, interiormente, parecem ter se apagado. É como se a vida continuasse por fora, enquanto alguma coisa tivesse parado por dentro.
Elas deixam de sorrir como antes. Perdem o entusiasmo. Já não fazem planos. Evitam encontros, conversas e até mesmo aqueles que, no passado, faziam parte de sua alegria.
Algumas se trancam dentro de si mesmas.
E quando isso acontece, nem sempre é porque deixaram de amar. Muitas vezes, é porque foram feridas demais.
Uma decepção amorosa, a perda de alguém querido, uma injustiça, uma frustração, problemas familiares, dificuldades financeiras, solidão ou anos acumulando sentimentos podem transformar uma pessoa. O que antes era alegria pode dar lugar ao silêncio. O que antes era esperança pode se transformar em desânimo.
Há também quem se acostume tanto a esconder a própria dor que passa a acreditar que ninguém será capaz de compreendê-la.
Então, fecha-se a porta.
Primeiro para o mundo. Depois para os amigos. Mais tarde, até para aqueles que verdadeiramente desejam ajudar.
É nesse momento que precisamos ter cuidado com os nossos julgamentos.
Nem todo silêncio é arrogância. Nem toda distância é desprezo. Nem toda falta de carinho significa ausência de amor.
Às vezes, existe apenas uma pessoa cansada de sofrer.
Uma pessoa que não sabe mais como explicar aquilo que sente.
Uma pessoa que perdeu a confiança, não necessariamente nos outros, mas talvez na própria capacidade de voltar a ser feliz.
E existe ainda um aspecto delicado: quem convive com uma pessoa assim pode acabar sendo afetado. O silêncio, a indiferença e o comportamento permanentemente negativo podem atingir familiares, amigos e companheiros. A convivência pode se tornar pesada, e aqueles que estão ao redor também podem sofrer.
Por isso, compreender não significa aceitar tudo.
É possível estender a mão sem permitir que a dor do outro destrua a nossa própria paz. É possível oferecer carinho sem carregar sozinho um sofrimento que não nos pertence.
Mas, acima de tudo, é preciso lembrar que ninguém deveria enfrentar determinadas dores completamente sozinho.
Quando uma pessoa perde durante muito tempo a alegria de viver, abandona atividades que antes lhe davam prazer, rompe vínculos, demonstra desesperança ou parece completamente desconectada da própria existência, talvez seja necessário mais do que conselhos de amigos. Em determinadas situações, buscar ajuda profissional pode ser fundamental.
A tristeza prolongada não deve ser romantizada.
E o sofrimento silencioso não deve ser confundido com fraqueza.
Talvez seja por isso que algumas pessoas pareçam ter perdido a luz do espírito. Não porque tenham deixado de possuir sentimentos, mas porque esses sentimentos podem estar escondidos sob camadas de dor.
Às vezes, por trás de uma pessoa aparentemente fria, existe alguém que gostaria de voltar a sorrir.
Por trás de alguém que se afastou, pode existir alguém esperando que alguém pergunte, sinceramente:
“Você está bem?”
Não precisamos ter todas as respostas. Às vezes, basta ouvir.
A vida tem momentos em que todos nós precisamos de uma mão estendida, de um abraço, de uma palavra amiga ou simplesmente da presença de alguém que não nos abandone quando estivermos atravessando uma tempestade.
Ninguém sabe completamente o que acontece dentro do coração do outro.
Por isso, antes de condenar quem se fechou, talvez seja melhor tentar compreender o que fez aquela pessoa fechar a porta.
Talvez ainda exista luz.
Talvez ainda exista amor.
Talvez ainda existam sonhos.
E talvez tudo o que aquela pessoa precise seja encontrar alguém disposto a ajudá-la a abrir novamente as janelas da alma.
Porque estar vivo é muito mais do que simplesmente respirar. É também encontrar motivos para continuar sonhando, amando e acreditando que amanhã pode ser diferente.
Joselito dos Reis
Poeta e jornalista

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