A FALTA DE COMPREENSÃO ULTRAPASSA OS LIMITES...
De Joselito dos Reis - Envelhecer deveria ser um privilégio. Afinal, cada ano vivido representa uma história construída, experiências acumuladas, dificuldades vencidas, sonhos realizados e outros que ficaram pelo caminho. Mas, infelizmente, nem sempre a sociedade enxerga dessa maneira.A partir dos 50 anos, muitas pessoas começam a perceber uma mudança silenciosa ao seu redor. Aos poucos, portas que antes estavam abertas parecem se fechar. O mercado de trabalho passa a considerá-las “velhas” para determinadas funções; algumas relações sociais se distanciam; e o respeito, que deveria aumentar com a experiência de vida, muitas vezes diminui.
É doloroso perceber que o tratamento muda. O nome da pessoa, sua profissão, sua história e tudo aquilo que construiu durante décadas parecem perder importância. Em determinados momentos, ela deixa de ser chamada pelo próprio nome e passa a ouvir expressões depreciativas, como se envelhecer fosse uma espécie de defeito.
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| Sofrem a materia, dignidade; alma e espirito! |
No Brasil, existem leis destinadas à proteção da pessoa idosa. A Constituição Federal assegura direitos fundamentais, e o Estatuto da Pessoa Idosa estabelece garantias importantes para essa parcela da população. No papel, existem direitos. Na realidade cotidiana, porém, muitos idosos ainda precisam lutar para que esses direitos sejam efetivamente respeitados.
Basta observar as filas nos bancos, nos postos de saúde, nos serviços públicos e em tantos outros lugares. A prioridade, que deveria representar respeito e proteção, muitas vezes se transforma em uma verdadeira batalha.
No transporte coletivo, a situação também pode ser constrangedora. Há casos em que o idoso, mesmo apresentando documento oficial capaz de comprovar sua identidade e idade, encontra dificuldades para exercer um direito que a legislação lhe garante. Em vez de acolhimento, pode encontrar desconfiança, constrangimento e até humilhação.
E quando isso acontece com uma pessoa já fragilizada pela idade, a dor não é apenas física. É, sobretudo, moral.
Mas talvez exista uma forma ainda mais cruel de violência contra o idoso: a solidão.
Há idosos que não sofrem por falta de alimento, nem necessariamente por uma doença grave. Sofrem porque foram esquecidos.
Filhos se afastam. Parentes desaparecem. Amigos partem ou deixam de procurar. A casa fica silenciosa. O telefone não toca. Os dias passam lentamente. E aquela pessoa, que durante toda a vida esteve presente para ajudar os outros, descobre que, quando precisa de companhia, quase ninguém aparece.
É uma solidão à revelia.
Mesmo quando possui disposição física e vontade de continuar trabalhando, muitas vezes o idoso encontra as portas fechadas. “Já passou da idade”, dizem. Como se a experiência fosse um peso e não uma qualidade. Como se a sociedade tivesse decidido que, depois de determinada idade, o ser humano deveria simplesmente desaparecer do cenário.
E então chega a aposentadoria.
Depois de décadas de trabalho, contribuições, responsabilidades e sacrifícios, aquilo que deveria representar uma etapa de tranquilidade muitas vezes se transforma em preocupação. O dinheiro mal consegue acompanhar o custo de vida, os medicamentos, a alimentação e as necessidades básicas.
O idoso passa a fazer contas para sobreviver.
E, enquanto isso, a sociedade continua cobrando dele aquilo que nem sempre oferece: paciência, compreensão e resignação.
É preciso dizer uma verdade que muitos preferem ignorar: ninguém permanece jovem para sempre.
A juventude é passageira. O tempo não pede licença. Hoje alguém pode olhar para um idoso com indiferença; amanhã poderá estar ocupando exatamente o mesmo lugar.
Por isso, respeitar o idoso não é apenas cumprir uma lei. É reconhecer a própria condição humana.
Todo jovem de hoje é um possível idoso de amanhã.
A velhice não deveria ser vista como o fim da vida, mas como uma etapa que merece dignidade. O idoso ainda sonha, ama, cria, pensa, escreve, trabalha, ensina, aconselha e tem muito a oferecer. Sua memória é patrimônio. Sua experiência é conhecimento. Sua existência é parte da história de uma família, de uma comunidade e de uma sociedade.
O que falta, muitas vezes, não são leis.
Falta humanidade.
Falta olhar para o idoso e enxergar uma pessoa, e não apenas uma idade.
Falta compreender que, por trás daquele rosto marcado pelo tempo, existe alguém que um dia também foi criança, jovem, trabalhador, sonhador e protagonista da própria história.
E talvez a maior pergunta seja esta:
Que sociedade estamos construindo para aqueles que envelhecem hoje e para aqueles que envelhecerão amanhã?
Se não aprendermos a respeitar a velhice, estaremos apenas preparando para nós mesmos o mesmo abandono que hoje condenamos.
Porque o tempo é democrático.
Ele passa para todos.
E, se tivermos a bênção de viver muitos anos, um dia também poderemos precisar de alguém que nos estenda a mão.
Que essa mão não falte.
Que o respeito não falte.
Que o amor não falte.
E que nenhum idoso precise envelhecer sentindo-se sozinho em meio a uma multidão.
Joselito dos Reis
20.08.2026
Obs: Citamos como exemplo, parece que acontece, tambem, com o transporte coletivo de Itabuna, Ilhéus, uma cidade turistica; se o idoso não tiver de posse do famigerado "cartão eletrônico", ele. não embarca! É triste! Até as poltronas dianteiras, as empresas retiraram! O que deveria ser ao contrário... Voltamos, a repetir é tridte!


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