Sessão especial do Consu destaca lideranças acadêmicas e indígenas e reafirma o compromisso da universidade com a inclusão e o conhecimento plural
A Universidade Estadual de Santa Cruz realizou, nesta terça-feira (28), uma sessão especial do Conselho Universitário (Consu) em comemoração aos 52 anos do campus Professor Soane Nazaré de Andrade, em Ilhéus. A solenidade, aberta ao público, ocorreu no Centro de Arte e Cultura e foi marcada pela entrega dos títulos de Professor Honoris Causa e Doutor Honoris Causa, as mais altas distinções acadêmicas da instituição.
O evento reuniu autoridades, representantes institucionais e a comunidade acadêmica, compondo uma cerimônia de forte simbolismo histórico. Entre os presentes, estiveram dirigentes universitários, lideranças políticas, representantes estudantis e membros da sociedade civil, reforçando o caráter público e coletivo da universidade.
Foram agraciados como Professores Honoris Causa José Bites de Carvalho, Evandro Nascimento Silva e Luiz Otávio de Magalhães. Os três possuem trajetórias consolidadas na gestão universitária e atuação decisiva na defesa da educação pública na Bahia, com destaque para políticas de inclusão, expansão do ensino superior e fortalecimento da pesquisa científica.
O título de Doutor Honoris Causa foi concedido ao médico Silvio Porto de Oliveira e às lideranças indígenas Maria Valdelice Amaral de Jesus (Jamapoty) e Maura Rosa Vieira Titiah. A homenagem às duas lideranças indígenas marcou um momento inédito na instituição, ao reconhecer simultaneamente representantes dos povos Tupinambá e Pataxó Hãhãhãe. A presença das comunidades indígenas conferiu à cerimônia um caráter de emoção e reafirmação identitária, evidenciando o reconhecimento dos saberes ancestrais.
Maria Valdelice Amaral de Jesus destacou-se pela atuação na defesa do território e da identidade cultural do povo Tupinambá, enquanto Maura Rosa Vieira Titiah é referência na preservação da medicina tradicional e na organização do movimento de mulheres indígenas. Já Silvio Porto de Oliveira teve sua trajetória reconhecida pela contribuição à medicina, à formação acadêmica e ao cooperativismo em saúde.
Durante a solenidade, o reitor Alessandro Fernandes de Santana ressaltou o caráter histórico do evento e a importância da universidade como espaço plural. Em seu discurso, afirmou que a Uesc demonstra ser uma instituição “de todos e para todos”, comprometida com a inclusão e com o reconhecimento da diversidade de saberes.
O reitor também destacou o papel das gestões anteriores na consolidação da instituição. Em nome dos reitores e reitoras que o antecederam, agradeceu às comunidades acadêmicas que contribuíram para a construção da universidade ao longo de sua trajetória. Ressaltou ainda a importância dos fundadores do campus, enfatizando a visão e o legado do professor Soane Nazaré de Andrade, que dá nome ao campus. Segundo ele, sem o sonho,
a coragem e a dedicação dessas lideranças e de todos que passaram pela instituição, não seria possível celebrar os 52 anos do campus. O reitor registrou também agradecimento à família do agricultor Manuel Nabuco, pela doação de parte do terreno onde está instalada a universidade.A fala do dirigente reforçou, ainda, que a universidade pública é sustentada pela sociedade e deve permanecer a seu serviço, destacando a relevância da autonomia universitária e da convivência democrática entre diferentes culturas, origens e formas de conhecimento.
A cerimônia evidenciou o papel histórico da Uesc na formação de profissionais e na produção de conhecimento, consolidando-se como referência regional e nacional. Ao completar 52 anos, a instituição reafirma seu compromisso com a educação pública de qualidade, a inclusão social e a valorização da diversidade como fundamento essencial do ambiente universitário. Ascom.










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