quarta-feira, 26 de novembro de 2025

Mais um cemiterio psra Itabuna!

Itabuna Precisa Enterrar Seus Mortos com Dignidade

Joselito dos Reis
 -  O crescimento populacional de Itabuna nas últimas décadas tornou evidente um problema que já batia à porta, mas que vinha sendo ignorado pelo poder público: a falta de um cemitério público municipal capaz de atender à demanda crescente da cidade. A cada dia que passa, torna-se mais difícil para as famílias itabunenses sepultar seus entes queridos de forma digna, humana e justa.

A situação se agravou quando o cemitério pertencente à Santa Casa de Misericórdia — tradicionalmente aberto à população, independente de classe social — foi privatizado. Durante décadas, pobres e ricos encontravam ali o “chão” necessário para sepultar seus mortos sem cobrança pelo espaço. Depois da privatização, passou a valer a lógica empresarial: tudo tem custo, até mesmo o descanso eterno.

É verdade que vivemos em uma sociedade onde “pagamos para nascer, viver e morrer”. Contudo, o grande equívoco não está no simples fato de se pagar por um serviço, mas sim no abandono de uma responsabilidade social. A Santa Casa abriu mão de um papel histórico e o Governo Municipal não se antecipou com a criação de um cemitério público que suprisse essa demanda — algo que ainda pode e precisa ser feito com urgência.

Hoje, muitas famílias de baixo poder aquisitivo, mesmo pagando planos funerários, ainda precisam pagar pelo chão, pela cova ou pela gaveta. Esse cenário tem gerado situações constrangedoras durante velórios e cerimônias fúnebres, expondo a dor de quem já sofre pela perda de forma ainda mais cruel. É, de fato, “um Deus nos acuda”.

Itabuna possui dois cemitérios no centro urbano: o de Ferradas — o mais antigo da cidade, pequeno e sem infraestrutura adequada — e o Jardim da Saudade, moderno, particular e dotado de crematório, algo inexistente nos demais. Porém, ambos não suprem a demanda de uma cidade que cresce e se desenvolve rapidamente.

A discussão sobre um novo cemitério não é nova. Foi tema de debates que nunca avançaram, muitas vezes engavetados com a justificativa de que “não dá votos”. Ainda assim, vereadores como Carlito do Sarinha chegaram a apresentar pré-projetos, como o de instalação de um cemitério no São Caetano, mas nada prosperou.

Enquanto isso, o povo continua enfrentando dificuldades para garantir aos seus mortos o mínimo: respeito.

Diante dessa realidade, Itabuna precisa urgentemente planejar e executar a construção de um novo cemitério público, moderno, acessível e digno. Uma cidade que cresce deve pensar não apenas na vida, mas também em como cuida daqueles que partem.

Enterrar nossos mortos com dignidade é uma questão humanitária, social e moral. Este é o recado que deixo — não apenas como jornalista, mas como cidadão itabunense que acredita em uma cidade mais justa. - Fica o recado.

— Joselito dos Reis - poeta e jornalista

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