Dissertação foi defendida na Aldeia Tukum, no Território Indígena Tupinambá de Olivença, em Ilhéus
A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), por meio do Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (PPGDMA), realizou, pela primeira vez, uma defesa de dissertação de mestrado em um território indígena. A atividade aconteceu na terça-feira, 29 de setembro, na Aldeia Tukum, no Território Indígena Tupinambá de Olivença, em Ilhéus, com a defesa da dissertação da mestranda Ana Claudia Cury Fratino, orientada pela professora doutora Christiana Cabicieri Profice.
Intitulada “Clima de mudança: reflexões e perspectivas decoloniais no Território Indígena Tupinambá de Olivença”, a pesquisa aborda os conflitos socioambientais vivenciados no território e sua relação com a colonialidade do poder e a crise climática. O trabalho também busca compreender como processos históricos de disputa e transformação territorial continuam relacionados aos desafios ambientais e sociais enfrentados atualmente.
A realização da defesa na Aldeia Tukum está ligada à própria forma como a pesquisa foi desenvolvida. O território é tratado não apenas como objeto de estudo, mas como espaço de vivências, conhecimentos, conflitos e construção coletiva. O encontro reuniu lideranças e integrantes da comunidade Tupinambá, professores, estudantes, representantes de órgãos públicos e demais participantes.
Para Nádia Akawã Tupinambá, a aproximação entre universidade e comunidade precisa gerar resultados que retornem ao território e contribuam com suas demandas.
“A gente quer retorno, a gente quer que as pessoas que entrem e vivenciem o que a gente precisa fazer para contribuir. [...] O canudo é só um papel, mas quando ele está a serviço, ele tem essa diferença, essa importância que nós precisamos, que pode mudar muitas vidas.”
A pesquisa também dialoga com a luta do povo Tupinambá pela demarcação territorial e com a busca por alternativas diante dos desafios relacionados à crise climática. Entre as perspectivas apresentadas estão a justiça climática e a construção de políticas públicas colaborativas, considerando os conhecimentos e as experiências da comunidade.
Para a mestranda Ana Claudia Cury Fratino, levar a defesa para a própria aldeia representa uma forma de compartilhar com a comunidade os resultados de uma pesquisa construída em diálogo com o território e com as pessoas que contribuíram para sua realização.
Durante a atividade, o cacique da Aldeia Tukum, Ramon Tupinambá, destacou o significado da primeira defesa de mestrado realizada na comunidade e a importância da aproximação entre diferentes formas de produção de conhecimento.
“Hoje é o dia de um marco. Aqui acontece a defesa de uma dissertação de mestrado pela primeira vez. [...] A gente quer construir juntos, a gente quer trazer possibilidades, nós queremos fazer parte de poder contribuir com algo que a gente acredita.”
A realização da defesa representa o encerramento de uma etapa acadêmica, mas também mantém abertas as discussões levantadas pela pesquisa. A experiência reforça o espaço de produção, troca e compartilhamento de conhecimentos.
A defesa foi transmitida pela internet e está disponível no YouTube, permitindo o acompanhamento por quem não pôde estar presencialmente na Aldeia Tukum: https://www.youtube.com/watch?v=9yjKaA_wQXQ&t=6895s



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