A Primavera chega novamente. Mas será que ela ainda é a mesma de antigamente?
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| Joselito dos Reis |
As mudanças e transformações do clima e do meio ambiente já são visíveis em diversas partes do planeta, trazendo consequências cada vez mais preocupantes. Temperaturas extremas, alterações no regime das chuvas, incêndios, secas, enchentes, vendavais e outros fenômenos extremos revelam um desequilíbrio que não pode mais ser ignorado.
O ser humano, movido muitas vezes por uma ambição maior do que a própria capacidade de compreender as consequências de seus atos, vem destruindo áreas verdes em nome do desenvolvimento, do poder econômico, político e tecnológico. Ao derrubar árvores sem promover a necessária reposição, interfere diretamente no equilíbrio da natureza.
As florestas são fundamentais para a manutenção da vida. Elas contribuem para a qualidade do ar, protegem nascentes, preservam a biodiversidade e participam do equilíbrio climático. Quando são destruídas, não desaparecem apenas árvores: desaparecem habitats, espécies animais e vegetais e parte da própria proteção natural do planeta.
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| É triste! |
E as consequências dessa destruição recaem sobre todos os seres vivos. Todos os anos, muitas pessoas e animais morrem prematuramente em consequência de enchentes, deslizamentos, tempestades e outros eventos extremos que podem ser agravados pela degradação ambiental e pelas mudanças climáticas.
Vendavais e furacões também podem provocar enormes perdas humanas e materiais. Em algumas regiões, a elevação do nível do mar e a ocupação desordenada de áreas vulneráveis aumentam ainda mais os riscos para as populações.
Terremotos e tsunamis, por sua vez, possuem causas predominantemente naturais, relacionadas à dinâmica geológica do planeta. Mas suas consequências podem ser agravadas quando o homem ocupa áreas de risco sem planejamento, destrói ecossistemas que funcionam como proteção natural ou não respeita os limites da própria Natureza.
A fauna e a flora sofrem diretamente com esse processo. Os rios, mares e oceanos também recebem toneladas de resíduos, entre eles o plástico, que ameaça inúmeras espécies e chega à cadeia alimentar. Em muitos lugares, a poluição e a degradação ambiental já comprometem até mesmo a beleza natural que durante séculos encantou a humanidade.
As mudanças climáticas também atingem as regiões geladas do planeta. O derretimento de geleiras e outras alterações ambientais contribuem para modificar sistemas naturais que ajudam a regular o clima da Terra. Enquanto isso, o ser humano continua produzindo e consumindo como se os recursos naturais fossem infinitos.
E então chega mais uma Primavera.
Mas aquela Primavera dos ipês floridos pelos campos, dos pássaros cantando entre as árvores, do perfume das flores espalhando-se pelo ar e das nascentes de águas cristalinas parece cada vez mais distante.
A Primavera continua existindo, mas nós estamos mudando o mundo onde ela floresce.
Em muitos lugares, já não encontramos a mesma abundância de árvores, flores e pássaros. Os rios estão poluídos, os mares recebem resíduos e o céu, tantas vezes encoberto pela poluição, perde a transparência daquele infinito azul que fazia parte da paisagem e da memória de tantas gerações.
A Natureza, entretanto, ainda demonstra sua força e capacidade de regeneração. Ainda há tempo para mudar. Ainda podemos plantar árvores, proteger as nascentes, preservar as florestas, reduzir a poluição e respeitar os demais seres vivos que compartilham conosco este planeta.
Precisamos compreender que preservar a natureza não é apenas proteger árvores, rios, mares, animais e flores. É proteger a própria vida humana.
Por isso, neste início de Primavera, fica um apelo:
Nunca mais uma Primavera igual àquela?
Não! Que possamos fazer diferente.
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| A Primavera chegando... |
Que os ipês voltem a florescer abundantemente nos campos. Que os pássaros voltem a cantar nas árvores. Que o perfume das flores volte a dominar o ar. Que as nascentes continuem cristalinas e que nossos rios, mares e oceanos sejam tratados como fontes de vida, e não como depósitos de lixo.
Adeus, destruição!
Uma trégua, humanidade!
Respeitem a Natureza.
Respeitem a vida.
Respeitem a Primavera que está chegando.
Porque, se ainda queremos contemplar amanhã o colorido das flores, o canto dos pássaros e o azul infinito do céu, precisamos começar a cuidar hoje do planeta que nos foi confiado.
A Primavera não é mais aquela. Mas ainda podemos ajudá-la a voltar a ser. Chega nesse dia 22, às 21horas. Vamos recebê-la, com flores!
Joselito dos Reis
Poeta e jornalista