Estudos analisam ambientes protegidos e rios urbanos para compreender a distribuição desses contaminantes e seus possíveis impactos sobre a biodiversidade
Pesquisadores da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) desenvolvem estudos voltados à identificação e à compreensão da presença de microplásticos em ecossistemas aquáticos da Bahia. As pesquisas abrangem desde riachos situados em áreas protegidas até rios submetidos a diferentes níveis de urbanização, contribuindo para ampliar o conhecimento sobre a distribuição desses contaminantes emergentes e seus possíveis impactos sobre os organismos e a qualidade ambiental.
Uma das pesquisas é conduzida pelo Laboratório de Biogeoquímica Aquática (LBA/Uesc), em parceria com o LANMBI/Uesc, LOA/Uesc, LEPLAN/Uesc e LHT/Uesc, além da participação de pesquisadora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). O estudo investiga a ocorrência de microplásticos em riachos localizados dentro e fora dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina, uma das mais importantes unidades de conservação da Bahia.
Intitulado “Microplásticos em Unidades de Conservação: implicações no ecossistema aquático”, o projeto é coordenado pela professora Daniela Mariano Lopes da Silva, do Departamento de Ciências Biológicas (DCB/Uesc). A iniciativa reúne docentes da Uesc e da UFSB, além de estudantes de mestrado e doutorado vinculados ao Programa de Pós-Graduação em Sistemas Aquáticos Tropicais (PPGSAT) e ao Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Meio Ambiente (Prodema/Uesc), bem como estudantes de iniciação científica.
O projeto conta com financiamento da Uesc e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), além de bolsas destinadas aos estudantes pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) e CNPq.
Para compreender a distribuição dos microplásticos nos ecossistemas aquáticos, os pesquisadores analisam diferentes compartimentos ambientais e organismos que funcionam como indicadores, entre eles água, sedimento, plâncton, peixes e girinos.
Os resultados obtidos até o momento apontam para a ocorrência de microplásticos, principalmente, nas amostras de peixes e girinos. Quantidades menores foram identificadas na água e no sedimento. De modo geral, os riachos localizados fora dos limites do Parque Nacional da Chapada Diamantina apresentaram maior ocorrência desses materiais.
Um dos resultados que mais chama a atenção, entretanto, é a identificação de microplásticos também em riachos localizados dentro da unidade de conservação. Embora presentes em menores quantidades, os contaminantes encontrados demonstram que mesmo ecossistemas inseridos em áreas protegidas não estão completamente livres da influência da poluição por plásticos.
O resultado reforça a crescente preocupação da comunidade científica com os microplásticos, considerados contaminantes emergentes, e evidencia a necessidade de aprofundar os estudos sobre suas fontes, formas de transporte e possíveis efeitos sobre a biodiversidade aquática.
Microplásticos em rios urbanos do sul da Bahia
Além das pesquisas realizadas na Chapada Diamantina, o grupo do Laboratório de Biogeoquímica Aquática (LBA/Uesc) também coordena outro projeto voltado à compreensão da contaminação por plásticos em ambientes aquáticos, desta vez com foco em rios submetidos à influência da urbanização.
Financiado pelo CNPq, o projeto “Macro e microplásticos em rios urbanos no Nordeste brasileiro” investiga a presença desses materiais em três importantes bacias hidrográficas do sul da Bahia: dos rios Cachoeira, Almada e Una.
O objetivo é avaliar de que forma os diferentes graus de urbanização e ocupação das bacias hidrográficas influenciam a ocorrência e a distribuição de macro e microplásticos nos ambientes aquáticos da região.
A pesquisa conta com a participação do LANMBI/Uesc, de estudante de doutorado do Prodema/Uesc e de estudantes de iniciação científica. As coletas já estão sendo realizadas nas três bacias hidrográficas, permitindo a comparação entre ambientes submetidos a diferentes níveis de pressão decorrente das atividades humanas.
Os dados obtidos deverão contribuir para ampliar o conhecimento sobre a contaminação por plásticos nos rios do sul da Bahia e oferecer informações que possam subsidiar futuras ações de monitoramento, conservação e gestão dos recursos hídricos. Ascom.
Além de produzir conhecimento científico sobre um problema ambiental de crescente relevância mundial, os projetos fortalecem a integração entre pesquisa, pós-graduação e iniciação científica na Uesc. As investigações também contribuem para a formação de novos pesquisadores e para uma compreensão mais ampla dos impactos das atividades humanas sobre os ecossistemas aquáticos da Bahia.




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