segunda-feira, 21 de setembro de 2026

A Primavera não é mais aquela!

A Primavera chega novamente. Mas será que ela ainda é a mesma de antigamente?

Joselito dos Reis

As mudanças e transformações do clima e do meio ambiente já são visíveis em diversas partes do planeta, trazendo consequências cada vez mais preocupantes. Temperaturas extremas, alterações no regime das chuvas, incêndios, secas, enchentes, vendavais e outros fenômenos extremos revelam um desequilíbrio que não pode mais ser ignorado.

O ser humano, movido muitas vezes por uma ambição maior do que a própria capacidade de compreender as consequências de seus atos, vem destruindo áreas verdes em nome do desenvolvimento, do poder econômico, político e tecnológico. Ao derrubar árvores sem promover a necessária reposição, interfere diretamente no equilíbrio da natureza.

As florestas são fundamentais para a manutenção da vida. Elas contribuem para a qualidade do ar, protegem nascentes, preservam a biodiversidade e participam do equilíbrio climático. Quando são destruídas, não desaparecem apenas árvores: desaparecem habitats, espécies animais e vegetais e parte da própria proteção natural do planeta.

É triste!

E as consequências dessa destruição recaem sobre todos os seres vivos. Todos os anos, muitas pessoas e animais morrem prematuramente em consequência de enchentes, deslizamentos, tempestades e outros eventos extremos que podem ser agravados pela degradação ambiental e pelas mudanças climáticas.

Vendavais e furacões também podem provocar enormes perdas humanas e materiais. Em algumas regiões, a elevação do nível do mar e a ocupação desordenada de áreas vulneráveis aumentam ainda mais os riscos para as populações.

Terremotos e tsunamis, por sua vez, possuem causas predominantemente naturais, relacionadas à dinâmica geológica do planeta. Mas suas consequências podem ser agravadas quando o homem ocupa áreas de risco sem planejamento, destrói ecossistemas que funcionam como proteção natural ou não respeita os limites da própria Natureza.

A fauna e a flora sofrem diretamente com esse processo. Os rios, mares e oceanos também recebem toneladas de resíduos, entre eles o plástico, que ameaça inúmeras espécies e chega à cadeia alimentar. Em muitos lugares, a poluição e a degradação ambiental já comprometem até mesmo a beleza natural que durante séculos encantou a humanidade.

As mudanças climáticas também atingem as regiões geladas do planeta. O derretimento de geleiras e outras alterações ambientais contribuem para modificar sistemas naturais que ajudam a regular o clima da Terra. Enquanto isso, o ser humano continua produzindo e consumindo como se os recursos naturais fossem infinitos.

E então chega mais uma Primavera.

Mas aquela Primavera dos ipês floridos pelos campos, dos pássaros cantando entre as árvores, do perfume das flores espalhando-se pelo ar e das nascentes de águas cristalinas parece cada vez mais distante.

A Primavera continua existindo, mas nós estamos mudando o mundo onde ela floresce.

Em muitos lugares, já não encontramos a mesma abundância de árvores, flores e pássaros. Os rios estão poluídos, os mares recebem resíduos e o céu, tantas vezes encoberto pela poluição, perde a transparência daquele infinito azul que fazia parte da paisagem e da memória de tantas gerações.

A Natureza, entretanto, ainda demonstra sua força e capacidade de regeneração. Ainda há tempo para mudar. Ainda podemos plantar árvores, proteger as nascentes, preservar as florestas, reduzir a poluição e respeitar os demais seres vivos que compartilham conosco este planeta.

Precisamos compreender que preservar a natureza não é apenas proteger árvores, rios, mares, animais e flores. É proteger a própria vida humana.

Por isso, neste início de Primavera, fica um apelo:

Nunca mais uma Primavera igual àquela?

Não! Que possamos fazer diferente.

A Primavera chegando...
Que os ipês voltem a florescer abundantemente nos campos. Que os pássaros voltem a cantar nas árvores. Que o perfume das flores volte a dominar o ar. Que as nascentes continuem cristalinas e que nossos rios, mares e oceanos sejam tratados como fontes de vida, e não como depósitos de lixo.

Adeus, destruição!

Uma trégua, humanidade!

Respeitem a Natureza.

Respeitem a vida.

Respeitem a Primavera que está chegando.

Porque, se ainda queremos contemplar amanhã o colorido das flores, o canto dos pássaros e o azul infinito do céu, precisamos começar a cuidar hoje do planeta que nos foi confiado.

A Primavera não é mais aquela. Mas ainda podemos ajudá-la a voltar a ser. Chega nesse dia 22, às  21horas. Vamos recebê-la, com flores!

Joselito dos Reis
Poeta e jornalista

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