Cerimônias de despedida acontecem neste domingo (5), em Ilhéus; professor, advogado e presidente da Academia de Letras de Ilhéus morreu aos 74 anos, em Salvador
Do - O Tabuleiro -O velório do professor, advogado, escritor e presidente da Academia de Letras de Ilhéus (ALI), Josevandro Raymundo Ferreira Nascimento, será realizado neste domingo (5), das 6h às 12h, na Loja Maçônica Vigilância e Resistência, localizada na Avenida Itabuna, nº 630, em Ilhéus.
De acordo com as informações divulgadas pela família, uma celebração religiosa será realizada às 11h, durante o velório. O sepultamento está marcado para as 13h, no Cemitério da Vitória, também em Ilhéus.
Josevandro Nascimento faleceu neste sábado (4), aos 74 anos, em Salvador, onde estava internado no Hospital Português. Segundo familiares, ele havia sido submetido recentemente a um procedimento cirúrgico.
Natural de Ilhéus, Josevandro construiu uma trajetória de mais de quatro décadas dedicada ao Direito, à educação e à cultura. Advogado, mestre em Direito Público, professor universitário e autor de livros, também presidia a Academia de Letras de Ilhéus e exercia a função de chefe do Cerimonial da Prefeitura de Ilhéus.
Ao longo do dia, diversas instituições divulgaram notas de pesar destacando sua contribuição para a advocacia, a educação, a cultura e a vida pública do município, ressaltando o legado deixado por sua atuação profissional e comunitária.
DE PAWLO CIDADE
SOBRE A PARTIDA DE JOSEVANDRO NASCIMENTO
Pawlo Cidade
Ao longo do lusco-fusco que foi o seu terceiro mandato, caminhei ao lado de Josevandro Nascimento — o nosso Zevandro, como a afetuosa intimidade das letras exigia — na grave condição de seu conselheiro. Não o fiz porque ele vacilasse diante dos novos tempos que batiam à porta da presidência da ALI, tampouco porque ele fizesse de minhas palavras um dogma. Era algo maior, mais nobre. A experiência, essa mestra severa, havia lhe sussurrado que o tempo dos soberanos solitários havia ruído no passado remoto. Ele compreendeu que governar é conjugar no plural. O lema que ecoava em seus passos era a coletividade, a horizontalidade dos iguais. Nenhuma decisão era tomada no isolamento de sua mesa; cada passo era partilhado com a diretoria, decidido sob o manto sagrado da confraria. E foi sob essa sinfonia de vozes, ouvindo o sopro e o clamor de tudo e de todos, que ele regeu a segunda academia mais antiga da Bahia.
Nas tardes que a memória agora insiste em eternizar, eu, ele e o saudoso André Rosa costumávamos desafiar a própria finitude com o riso. “Eu não quero furar a fila”, dizia Zevandro, com um sorriso que desafiava o destino. “Muito menos eu”, retorquia André, e nossas gargalhadas ecoavam, adiando o inevitável. Mal sabíamos que aquela ironia trágica, nascida das palavras do querido confrade Dorival de Freitas — que na partida de Ton Lavigne alertara que, de vez em quando, alguém rompe a ordem natural da travessia —, se tornaria nossa própria sentença. André, com uma pressa incompreensível, furou a fila. E agora, você, Zevandro, repete o mesmo gesto abrupto. Para que tamanha urgência em ascender ao plano invisível? Vocês nos desarmaram, roubando-nos o chão sem aviso prévio.
Hoje, curva-se a minha alma diante da certeza de que os mais grandiosos planos e gestões humanas desmoronam diante do imponderável. Tolos somos nós, que tantas vezes nos apegamos às vaidades terrenas, às engrenagens estéreis e aos métodos frios, esquecendo-nos de que somos apenas passageiros sem saber em qual curva o bilhete nos será exigido. Tentamos barganhar com as horas, implorar por mais um sopro de tempo, mas quando o chamado final ecoa, o abismo não aceita adiamentos.
Vá em paz, meu eterno presidente. A sua última e mais silenciosa assembleia agora é com a eternidade.

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