EDITORIAL;
CEPLAC: ENTRE A MEMÓRIA E O RISCO DO DESAPARECIMENTO
Sede da Ceplac
O sul da Bahia assiste, há anos, ao lento enfraquecimento de uma das instituições mais importantes da história econômica e científica da região: a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira — a nossa Ceplac.
Durante décadas, a Ceplac foi muito mais que um órgão federal. Foi símbolo de progresso, esperança e desenvolvimento. Foi ela quem ajudou a transformar o cacau em riqueza, emprego e crescimento regional. Seus técnicos, pesquisadores e extensionistas levaram conhecimento ao campo, impulsionaram a economia e fizeram do sul da Bahia referência mundial da cacauicultura.
Hoje, porém, o cenário é outro.
A cessão contínua de áreas da Ceplac para implantação e expansão da Universidade Federal do Sul da Bahia reacendeu um debate inevitável: afinal, qual será o futuro real da instituição?
É evidente que a educação superior merece apoio. A presença da UFSB representa avanço importante para a formação acadêmica, científica e tecnológica da região. O problema não está na universidade. O problema está no abandono histórico sofrido pela Ceplac.
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| Hoje, sede da UFSB |
Enquanto novas estruturas universitárias avançam, a antiga potência agrícola vai perdendo espaço físico, orçamento, autonomia e pessoal técnico. A cada aposentadoria sem reposição, a cada laboratório fechado, a cada setor esvaziado, cresce o sentimento de que a Ceplac está sendo lentamente apagada da história regional.
E isso preocupa.
Porque destruir ou enfraquecer a Ceplac não significa apenas perder prédios ou terras. Significa enfraquecer um patrimônio científico construído ao longo de gerações. Significa abandonar conhecimentos acumulados sobre o cacau, a Mata Atlântica, a agricultura sustentável e o próprio desenvolvimento regional.
Não se trata de ser contra universidades ou contra a modernização. Muito pelo contrário. O sul da Bahia precisa crescer em todas as áreas. Mas é impossível aceitar que uma instituição estratégica seja reduzida ao silêncio administrativo enquanto outras estruturas ocupam, pouco a pouco, o seu espaço histórico.
O que falta é clareza do Governo Federal sobre o verdadeiro projeto para a Ceplac.
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| Uma grande marca. Zvaindo no es- quecimento |
A região precisa saber: haverá revitalização ou apenas sobrevivência institucional? Haverá investimentos reais ou apenas manutenção simbólica? A Ceplac continuará sendo protagonista ou caminhará para virar apenas memória?
O sul da Bahia possui uma dívida histórica com a Ceplac. E talvez tenha chegado o momento de a sociedade regional voltar a defender aquilo que um dia ajudou a construir sua própria identidade econômica e social.
Porque uma região sem memória também corre o risco de perder o futuro.


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