domingo, 17 de maio de 2026

CEPLAC: ENTRE A MEMÓRIA E O RISCO DO DESAPARECIMENTO

 EDITORIAL;

Sede da Ceplac
CEPLAC: ENTRE A MEMÓRIA E O RISCO DO DESAPARECIMENTO

O sul da Bahia assiste, há anos, ao lento enfraquecimento de uma das instituições mais importantes da história econômica e científica da região: a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira — a nossa Ceplac.

Durante décadas, a Ceplac foi muito mais que um órgão federal. Foi símbolo de progresso, esperança e desenvolvimento. Foi ela quem ajudou a transformar o cacau em riqueza, emprego e crescimento regional. Seus técnicos, pesquisadores e extensionistas levaram conhecimento ao campo, impulsionaram a economia e fizeram do sul da Bahia referência mundial da cacauicultura.

Hoje, porém, o cenário é outro.

A cessão contínua de áreas da Ceplac para implantação e expansão da Universidade Federal do Sul da Bahia reacendeu um debate inevitável: afinal, qual será o futuro real da instituição?

É evidente que a educação superior merece apoio. A presença da UFSB representa avanço importante para a formação acadêmica, científica e tecnológica da região. O problema não está na universidade. O problema está no abandono histórico sofrido pela Ceplac.

Hoje, sede da UFSB

Enquanto novas estruturas universitárias avançam, a antiga potência agrícola vai perdendo espaço físico, orçamento, autonomia e pessoal técnico. A cada aposentadoria sem reposição, a cada laboratório fechado, a cada setor esvaziado, cresce o sentimento de que a Ceplac está sendo lentamente apagada da história regional.

E isso preocupa.

Porque destruir ou enfraquecer a Ceplac não significa apenas perder prédios ou terras. Significa enfraquecer um patrimônio científico construído ao longo de gerações. Significa abandonar conhecimentos acumulados sobre o cacau, a Mata Atlântica, a agricultura sustentável e o próprio desenvolvimento regional.

Não se trata de ser contra universidades ou contra a modernização. Muito pelo contrário. O sul da Bahia precisa crescer em todas as áreas. Mas é impossível aceitar que uma instituição estratégica seja reduzida ao silêncio administrativo enquanto outras estruturas ocupam, pouco a pouco, o seu espaço histórico.

O que falta é clareza do Governo Federal sobre o verdadeiro projeto para a Ceplac.

Uma grande marca. Zvaindo no es-
quecimento

A região precisa saber: haverá revitalização ou apenas sobrevivência institucional? Haverá investimentos reais ou apenas manutenção simbólica? A Ceplac continuará sendo protagonista ou caminhará para virar apenas memória?

O sul da Bahia possui uma dívida histórica com a Ceplac. E talvez tenha chegado o momento de a sociedade regional voltar a defender aquilo que um dia ajudou a construir sua própria identidade econômica e social.

Porque uma região sem memória também corre o risco de perder o futuro.

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