sábado, 21 de março de 2026

Uesc abre inscrições para Licenciatura em Filosofia da Terra na Bahia

Curso inédito, em parceria com o Incra, amplia a educação do campo e propõe reflexão sobre sustentabilidade, direitos humanos e convivência com a natureza

Estão abertas, até 15 de abril de 2026, as inscrições para 50 vagas do curso de Licenciatura em Filosofia da Terra, ofertado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). A iniciativa marca um avanço na atuação da universidade na formação superior voltada às populações do campo e comunidades tradicionais.

O curso é destinado a beneficiários da reforma agrária, quilombolas, acampados, reassentados de barragens, integrantes do Programa Nacional de Crédito Fundiário, além de dependentes de Reservas Extrativistas (Resex), comunidades de Fundo e Fecho de Pasto e de Florestas Nacionais reconhecidas pelo Incra. As inscrições são gratuitas e realizadas exclusivamente pela internet, mediante envio de documentação pessoal e comprovação de vínculo com os públicos atendidos.

O reitor da Uesc, Alessandro Fernandes, destaca o caráter democrático e abrangente do edital. “Apesar de ser um curso inovador realizado na Uesc, o edital é público e garante a inscrição de pessoas pertencentes ao público indicado de todo o Brasil. Evidentemente, pelo compromisso das organizações de trabalhadores da região, a presença mais expressiva será de candidatos locais”, afirmou.

Para o vice-reitor, Maurício Moreau, a proposta fortalece o papel social da universidade pública. “A criação da Filosofia da Terra reafirma o compromisso institucional com a inclusão e com a produção de conhecimento comprometido com a realidade social e ambiental. Trata-se de uma formação que dialoga com os desafios contemporâneos e valoriza os saberes das comunidades”, ressaltou.

Coordenado pelo professor Ademar Bogo, o curso integra as ações do Pronera, programa criado em 1998 pelo Governo Federal para promover educação em diferentes níveis no campo, desde a alfabetização até a pós-graduação. Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Agrário, mais de 190 mil estudantes já foram formados em diversas áreas, como Pedagogia, Direito, Agronomia, Medicina e Comunicação, sendo a Filosofia da Terra uma das novas frentes em implantação.

Na Uesc, a iniciativa representa um marco na consolidação da educação superior voltada ao campo. Até então, a universidade já havia desenvolvido ações de alfabetização e cursos de especialização técnica, ampliando agora sua atuação para a graduação e, futuramente, para a pós-graduação. Já estão aprovados, inclusive, novos cursos vinculados ao Pronera, como Ciências Sociais da Terra, especialização em Agroecologia e mestrado em História.

Com duração de quatro anos e carga horária total de 3.515 horas, o curso adota a metodologia da Pedagogia da Alternância, que articula dois tempos formativos: o universitário, com aulas teóricas no campus, e o comunitário, desenvolvido nos territórios de origem dos estudantes. A proposta prevê 66,5% da carga horária em atividades teóricas e 33,5% em práticas acompanhadas por professores, monitores e técnicos.

A matriz curricular amplia o escopo tradicional da Filosofia, incorporando abordagens como filosofia indígena, africana, feminina, latino-americana, ecológica e para crianças, além de temas que poderão ser definidos ao longo do curso. A proposta busca integrar conhecimentos acadêmicos e saberes populares, promovendo uma reflexão crítica sobre o sentido da vida, a relação entre sociedade e natureza e a construção de práticas sustentáveis.

Inserida no contexto da Mata Atlântica, a Uesc reforça, com a nova graduação, seu compromisso histórico com a preservação ambiental e com o desenvolvimento regional. A Filosofia da Terra propõe não apenas a defesa dos direitos humanos, mas também a valorização dos direitos da natureza, estimulando uma perspectiva biocêntrica que reconhece a interdependência entre todas as formas de vida.

A iniciativa pretende contribuir para a formação de educadores e lideranças sociais capazes de atuar em seus territórios, fortalecendo práticas sustentáveis e ampliando o diálogo entre ciência, cultura e meio ambiente. Ascom. ' Confira mais notícias

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