segunda-feira, 7 de setembro de 2026

CALÇA RASGADA E BUNDA DE FORA

Editorial: 

Itabuna moderniza as feiras, mas esquece os canais

Itabuna, cidade com cerca de 200 mil habitantes, convive há décadas com um problema que parece não ter fim: os canais que cortam diversos bairros continuam abertos, recebendo águas servidas, resíduos domésticos e outros tipos de sujeira.

A população já solicitou, por diversas vezes, aos gestores municipais a cobertura desses canais. Promessas não faltaram, principalmente em períodos eleitorais. Entretanto, o que deveria sair dos discursos e transformar-se em obras concretas permanece, em muitos lugares, como uma antiga reivindicação dos moradores.

Agora, diante dos projetos de modernização das feiras livres dos bairros São Caetano, Fátima e Califórnia, surge uma pergunta inevitável: por que modernizar os espaços onde são comercializados alimentos sem resolver, ao mesmo tempo, os problemas dos canais que ficam ao seu redor?

As feiras livres merecem, naturalmente, melhores condições de funcionamento. Comerciantes e consumidores precisam de ambientes organizados, limpos e dignos. Mas não é razoável promover uma reforma estrutural e deixar, ao lado, canais transformados em verdadeiros esgotos correndo a céu aberto.

O problema não é apenas estético. Esses canais acumulam sujeira, provocam mau cheiro e contribuem para a proliferação de ratos, cobras, insetos e urubus. Em locais onde são comercializados gêneros alimentícios, a situação se torna ainda mais preocupante.

É como vestir uma roupa nova e sair para a rua com a calça rasgada e a bunda de fora. A aparência pode até melhorar, mas o problema continua evidente.

A modernização das feiras precisa vir acompanhada de uma política de saneamento que contemple os canais. Não se trata de luxo ou de uma obra meramente paisagística. Trata-se de saúde pública, meio ambiente, dignidade dos trabalhadores e respeito aos consumidores.

Itabuna não pode continuar convivendo com esse contraste: de um lado, feiras livres recebendo investimentos e modernização; do outro, esgotos a céu aberto comprometendo o ambiente e a qualidade de vida de quem trabalha e circula nesses espaços.

A população espera que o bom senso impere e que os canais também entrem na agenda de obras do município. Afinal, não basta modernizar a feira. É preciso cuidar de tudo aquilo que está ao seu redor.

Uma cidade de aproximadamente 200 mil habitantes merece muito mais. A Vigilância Sanitária, o quê faz?

"Tenho dito!".

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