OPINIÃO-- Por, Eugenio Abreu - Sou a CEPLAC – Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira. Nasci em 20 de fevereiro de 1957, vinculada ao Ministério da Agricultura, com a missão de recuperar, fortalecer e expandir a cacauicultura brasileira, especialmente no sul da Bahia.
Antes de mim existiu o Instituto do Cacau da Bahia (ICB), criado em 1931, que desempenhou papel fundamental no apoio à produção cacaueira. Entre seus dirigentes destacou-se o médico e ex-deputado estadual Antônio Menezes Filho. O instituto foi extinto em 1992, mas deixou uma importante herança para a região.Ao longo de minha trajetória, contribuí decisivamente para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Produzi pesquisas, difundi tecnologias, prestei assistência técnica aos produtores, fortalecei cooperativas e participei da formação de milhares de profissionais.
Tive a honra de ser administrada por grandes homens, dentre eles José Haroldo Castro Vieira, uma gestão de sucesso e progresso.
Também deixei minha marca na educação. Criei a EMARC, referência nacional na formação de técnicos agrícolas, e participei da implantação das primeiras estruturas da FESPI, atual Universidade Estadual de Santa Cruz, a UESC.
Durante décadas fui instrumento de desenvolvimento, geração de riqueza, conhecimento e oportunidades.
Hoje, porém, vivo um processo de lento esvaziamento. Prédios abandonados, áreas experimentais desativadas, equipamentos sucateados, patrimônio disperso e um quadro funcional sem renovação há décadas revelam uma instituição que perdeu espaço e prioridade.
Não peço privilégios nem homenagens. Peço apenas respeito à história construída por gerações de pesquisadores, extensionistas, técnicos, servidores e produtores rurais.
Se meu destino for realmente o fim, que não me condenem ao esquecimento. Que preservem minha memória, valorizem meu legado e reconheçam minha contribuição para a agricultura, a educação e o desenvolvimento regional.
Porque instituições também têm alma. Elas vivem nas oportunidades que criaram, nos conhecimentos que produziram e nas vidas que transformaram.
E, se já não houver lugar para mim no futuro, concedam-me ao menos aquilo que toda instituição que serviu com lealdade ao seu povo merece:
Um sepultamento digno à:
CEPLAC — uma instituição que ajudou a construir o Brasil e não merece ser esquecida.
Eugênio Abreu - Geógrafo

Nenhum comentário:
Postar um comentário