segunda-feira, 20 de novembro de 2023

COMUNICADO

MUDANÇA DE LOCAL DA MISSA DE DOUTOR ELSON MARCOS REIS DA SILVA 

                      MISSA DE 30 DIAS

Nesta terça-feira (dia 21), a Missa de 30° Dia, que seria celebrada em sufrágio da alma de Doutor ELSON MARCOS REIS DA SILVA,  na Igreja Nossa Senhora de Fátima, no Bairro de Fátima, foi transferida para a Catedral de São José, às 18horas.  O comunicado é dos seus familiares. 

Portanto, fica aí avisado à transferência da Igreja Nossa Senhora de Fátima, para a Catedral de São José, no centro da cidade. Desde já a família agradece à compreensão e à  presença de todos, a esse ato de solidariedade e fé cristã.

FERRADAS X CALIFORNIA DISPUTAM O TITULO DO INTERBAIRRO

As seleções de Ferradas e Califórnia vão disputar o título do Campeonato Interbairros de Futebol 2023 no próximo domingo, dia 26, no Estádio Fernando Gomes Oliveira. Os dois times foram os vencedores das semifinais nas partidas da manhã de ontem assistidas por mais de quatro mil pessoas que lotaram as arquibancadas do Itabunão, em clima de festa, alegria e muita paz entre os torcedores.

No primeiro jogo, iniciado por volta das 9h, com gols assinalados por Gel e Tarcísio, Ferradas venceu facilmente o São Lourenço por 2 a 0 em jogo emocionante e bastante disputado. Ao final, valeu a experiência do elenco ferradense, cuja torcida deu um verdadeiro show de animação, tendo vibrado intensamente com o triunfo.

No segundo jogo, a rivalidade, os lances duros e a catimba de Califórnia e Santa Inês marcaram o confronto. Coube a Hannan abrir o placar ainda no primeiro tempo enfrentando um adversário bem postado em campo.

Ao final do segundo tempo, coube a Gabriel empatar a partida num lance bem construído pelo ataque do Santa Inês e levar o jogo para os pênaltis e como se diz no meio esportivo goleiro tem que ter sorte. Por isso, Califórnia venceu o adversário por 2 a 0 e o goleiro Papito ainda foi escolhido o craque da rodada pelas semifinais.

Ilheus melhorias na rodovia BA- 001

Trecho da BA-001 e acesso ao Residencial Sol e Mar recebem melhoria na sinalização viária

A Secretaria de Infraestrutura da Bahia, por meio da Superintendência de Infraestrutura de Transportes (Seinfra/SIT) iniciou na semana passada a revitalização da sinalização viária na Orla Sul, trecho duplicado da BA-001; na passagem urbana de Olivença e também na BR-251, saída do Bairro Nossa Senhora da Vitória até o Residencial Sol e Mar.

A ação atende a solicitação do prefeito Mário Alexandre ao Governo do Estado e visa contribuir para um fluxo de veículos mais seguro, promovendo conforto e acessibilidade de moradores e turistas que trafegam pela região. O trabalho é feito de forma periódica em vias onde as pinturas estão desgastadas.

"São serviços importantes para que possamos disciplinar o trânsito e garantir segurança, principalmente para os pedestres. Com o apoio do Governo do Estado nós temos trabalhado de forma constante, a fim de ouvir e atender as demandas da comunidade”, disse o prefeito Mário Alexandre.

A melhoria viária também é feita em estradas vicinais do município, conforme planejamento da SIT.

Itabuna perde o empresario Hailton Barreto

Morreu neste domingo 19, em Itabuna  o empresário  Hailton Chaves Barreto, um dos fundadores da primeira indústria de plástico desta cidade; a Implassul, que foi extinta há alguns anos atraz, e localizada, próximo ao bairro de Fátima. Na época, era uma das indústrias que mais empregavam no município.

Hailton Barreto. hoje, era proprietário da HS Plásticas, localizada na Avenida do Cinquentenário.  O seu corpo está sendo velado na Mortuária Santa Fê, e o sepultamento acontece às 16/horas, no cemitério do Campo Santo da Santa Casa, em Itabuna.

Que Deus lhe  conceda o caminho da Luz!    E paz aos seus familiares;  "Mesmo que ande pelo vale da morte terei vida"

Ilhéus promove o maior Novembro Negro da Regiao Cacaueira

 

Consciência Negra: valorização da cultura afro-brasileira e reconhecimento da nossa ancestralidade. A Prefeitura de Ilhéus promove o maior Novembro Negro da história_


Nesta segunda-feira, 20 de novembro, comemoramos o Dia da Consciência Negra e, por estarmos na localidade mais negra fora da África, falar de negritude deveria ser sinônimo de alegria, com exemplos de espaços tomados, de cargos de lideranças assumidos, de sucesso na carreira e na vida pessoal de um povo que compõe mais de 80% da população baiana, conforme dados da PNAD-IBGE no ano de 2022.

Contudo, o que vemos é um cenário desolador, de muita luta e trabalho por justiça, por sobrevivência e as comemorações da Consciência Negra deixam de ser a festa da ancestralidade, das tradições de uma nação, para dar espaço à discussão política de segurança pública, de combate ao racismo e à construção de uma sociedade mais equânime e justa.

Pensando neste cenário, a Prefeitura de Ilhéus promove diversas ações em alusão ao Novembro Negro, proporcionando espaços de celebração, exaltando a cultura afro-brasileira e convidando grandes artistas para abrilhantar a campanha. O Novembro Negro de Ilhéus é o maior da história, pela mobilização, pelas apresentações da Banda Olodum, do cantor Edson Gomes, de bandas e grupos locais.

Mais ainda por trazer culturas até então marginalizadas e tidas como “menores” por muitos que precisam ganhar os holofotes de eventos públicos, como foi a Batalha da Ilha.

*Dia da Consciência Negra*

Nesta segunda-feira (20), a rede municipal de ensino fortalece as atividades com a realização da II Marcha da Consciência Negra. Sob o tema “Escravidão, nunca mais. Racismo, nunca mais!”, a Escola Professora Horizontina Conceição promove uma grande mobilização no bairro Hernani Sá, a partir das 14h. No próximo domingo (26), acontece o I Sarau Negro, também realizado pelos alunos da escola.

“É importante falarmos da II Marcha da Consciência Negra, principalmente quando a gente fala da aplicação da Lei 11.645 [que inclui no currículo oficial da rede de ensino a temática 'História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena'], nos espaços de sala de aula, valorizando a cultura negra e a história do povo africano. Porém, o que é mais belo dessa marcha é a produção realizada pelos alunos, por aqueles, de fato, que são os maiores beneficiários dessa proposta”, exaltou o professor Erlon Costa, organizador das atividades.

Além disso, o Novembro Negro em Ilhéus pretende combater o racismo estrutural presente na sociedade. Por meio de atividades educativas, debates, rodas de conversa e manifestações culturais, buscando promover a conscientização sobre a importância da igualdade racial, do respeito à diversidade e da valorização da história e das contribuições dos negros para o desenvolvimento do país. 

Também pode ser considerado um sopro de conscientização quando a segurança do povo negro, que entra ano e sai ano, continua sendo a maior vítima dos mais variados tipos de violências. “Comemorar o Novembro Negro é trazer a evidência de uma cultura que nos formou enquanto sociedade, é trazermos a nossa ancestralidade, uma vez que a nossa terra é a mais negra, fora da África. Por isso, a Prefeitura de Ilhéus busca comemorar, trazendo grandes shows e valorizando a cultura local”, disse o prefeito Mário Alexandre.

O Novembro Negro em Ilhéus tem este papel importante de luta e construção de uma sociedade mais justa e igualitária. E, ao reconhecer e valorizar a cultura negra, através da inclusão social, do respeito às diferenças e do combate ao racismo.

“Dia de comemorar a nossa ancestralidade e resistência, de denunciarmos o racismo estrutural e todas as negações de direitos ao povo preto. Também é dia de comemorar as nossas conquistas, que são muitas, mas continuar nos aquilombando para avançar em nossa agenda por reparação, educação, saúde, habitação, emprego e cultura e vida digna para os jovens negros”, declarou o vice-prefeito Bebeto Galvão.

Ascom

Materno-Infantil e Costa do Cacau realizam Mutirão quilombola

Materno-Infantil e Costa do Cacau realizam Mutirão quilombola em Itacaré com mais de mil atendimentos

Aliane Gomes

No nono mês de gestação, Ariele Santos passou pelo exame de ultrassonografia na UPA de Itacaré, no sul do estado. Saiu da sala emocionada ao ouvir os batimentos cardíacos da filha e saber que está tudo em ordem com a gestação. “Diminuiu muito a minha ansiedade. Está chegando a hora”, revelou. A cinco quilômetros dali, no Hospital Municipal de Itacaré, a quilombola M.G.S, de 64 anos, passava por uma pequena intervenção cirúrgica para a retirada de uma exérese de cisto sinovial, um procedimento realizado através de uma incisão em cima do cisto, retirando-o por completo. A ação simultânea só foi possível graças à união das duas maiores unidades hospitalares do estado na região, que comemoram aniversário agora em dezembro e são referências no atendimento ao Sistema Único de Saúde do sul da Bahia. O Hospital Materno-Infantil Dr. Joaquim Sampaio e o Hospital Regional Costa do Cacau realizaram em parceria o Mutirão Quilombola de Itacaré. Com uma população estimada em 27 mil habitantes, segundo o Censo do ano passado, Itacaré conta com cerca de cinco mil quilombolas, distribuídos em comunidades nas áreas rural e urbana do município.

Atendimento

Durante todo o dia, o mutirão resultou em mais de mil atendimentos, em especialidades como cardiologia, pneumologia, pediatria, obstetrícia, ginecologia, cirurgia pediátrica, clínico geral, cirurgia geral, nutricionista e assistência social, além dos serviços de USG, ECG, inserção de DIU, preventivo, testes rápidos, aferição de pressão arterial, de glicemia e imunização para crianças. 

O diretor médico do

Diretores do Hospital
com Cecilia, quilombola 
HMIJS, Samuel Branco, revela que das 40 consultas realizadas com cardiologista, quatro foram encaminhadas para cirurgia no Hospital Regional Costa do Cacau; e dos 14 atendimentos com cirurgião pediátrico, nove foram agendados para cirurgia no Hospital Materno-Infantil Joaquim Sampaio. Foram realizados ainda 20 procedimentos de pequenas cirurgias, 20 inserções de DIU de cobre, 85 USG, entre outros procedimentos. 

*Opções e gratuidade*

“Vim para ter uma consulta de pediatra para o meu filho. Descobri o procedimento para a inserção de DIU. Isso aqui facilitou muito a vida de muita gente”, elogiou a quilombola Beatriz. Moradora do Quilombo Porto de Trás, o único urbano de Itacaré, Cecília destacou a possibilidade de se fazer exames gratuitos, “que seriam impossíveis numa outra circunstância, pelo alto custo deles”. Turíbio foi incisivo: “uma das coisas mais importantes que já vi em minha vida”. Membro do Conselho Quilombola de Itacaré, Aliane Nascimento Gomes, uma das contempladas pela iniciativa, destacou a importância com a prevenção e o cuidado. “Apoiamos a atitude e abraçamos a causa”, emendou.

Diretores

O Mutirão Quilombola de Itacaré foi uma iniciativa do HMIJS e do HRCC, através das instituições que administram as unidades – respectivamente Fundação Estatal Saúde da Família (FESF SUS) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Administração Hospitalar (IBDAH) -, com apoio da Secretaria Estadual da Saúde, Faculdade Afya e Prefeitura de Itacaré. Diretor Adjunto da FESF, 

André Nascimento destacou a importância da ação social. “A demanda reprimida com parceria com a municipalidade agora se sana”, disse. Para a diretora do HMIJS, Domilene Borges, essa foi uma importante e histórica ação conjunta para fortalecimento da saúde da região. “E essa parceria ajuda a estreitar o acesso à saúde”, reforça a diretora do HRCC, Cristine Câmara. As duas também destacam o sentimento de voluntariado dos colaboradores das duas unidades, que se dispuseram a comparecer gratuitamente ao evento.

Especialidade em cardeologia

*Construção de um SUS cada vez mais forte*

“Essa é verdadeiramente uma construção para ampliar o serviço de saúde no território”, assegura o diretor-médico do Materno, Samuel Branco. A união destes dois hospitais é importante para o sul da Bahia, visto que são os hospitais que têm a maior quantidade de serviços ofertados 100 por cento SUS para o sul da Bahia”, reforça. Para a secretária municipal de Saúde de Itacaré, Andreia Palafoz, o mais importante foi poder contar com especialidades e procedimentos que não constam no rol de serviços ofertados diariamente pelo município.

Triagem

Coordenador do Comitê de Prevenção e Combate ao Racismo Institucional da Fundação Estatal Saúde da Família (FESF SUS), Saulo de Tarso, também esteve presente acompanhando a iniciativa. Nesta segunda-feira (20), comemora-se o Dia da Consciência Negra. Ele aproveitou para destacar que o mutirão contempla a política integral de saúde da população negra, que rege sobre esse cuidado e atenção com as populações periféricas, quilombolas e os povos negros que estão na dimensão do estado.

Ascom/Por -Maurício Maron 

Consciência Negra: coletivo destaca trajetórias de servidoras pretas

 Bruno de Freitas Moura

Agência Brasil

Iniciativa busca combater invisibilidade e servir de inspiração – Foto: Divulgação/Via ABr

Mulheres pretas que tiveram carreira de destaque no serviço público são o foco de um perfil de rede social que busca combater a invisibilidade dessas personalidades e servir de inspiração para outras negras. A iniciativa é do Coletivo de Mulheres Negras Servidoras e Empregadas Públicas do Governo Federal, que criou a página @servidorasnegras no Instagram.  

Em cada uma das cinco semanas deste mês da Consciência Negra, o coletivo publica uma minibiografia das servidoras que abriram caminhos no serviço público.

A primeira a ser homenageada pela página reúne ainda o elemento curiosidade. Uma mulher que ficou conhecida como Primeira-Dama do Samba, mas que marcou o nome também na reforma psiquiátrica no Brasil. Yvonne Lara da Costa era servidora do Ministério da Saúde e, no mundo da música, ficou conhecida como Dona Ivone Lara.

Não bastasse a relevância que teve no ambiente do samba, Dona Ivone teve uma carreira de destaque como servidora pública voltada para a saúde mental. Foram 37 anos de atuação. Formada em enfermagem e assistência social, a cantora e compositora teve papel de vanguarda ao levar para pacientes o mesmo que oferecia aos admiradores de sua produção artística, a música.

Yvonne Lara da Costa era especializada em terapia ocupacional. O interesse de usar a música nos tratamentos levou à união com outro grande nome do cuidado psiquiátrico no país, Nise da Silveira. As duas trabalham juntas no Rio de Janeiro.

Nise revolucionou o tratamento psiquiátrico no país com ações humanizadas, em contraste aos procedimentos agressivos como eletrochoques e lobotomia. Yvonne sugeriu a Nise que criasse uma sala com instrumentos musicais dentro do hospital em que trabalhavam, isso na década de 40.

“O trabalho de Dona Ivone Lara como servidora foi fundamental para a reforma psiquiátrica no Brasil”, afirma o perfil, que traz uma foto da então enfermeira no hospital em que trabalhava. Dona Ivone morreu em 2018, aos 96 ano.

Surgimento

O coletivo de servidoras negras tem cerca de 170 participantes. O grupo foi criado no começo do ano, depois de uma declaração da ministra do Planejamento, Simone Tebet, sobre dificuldade de conseguir mulheres pretas para compor a equipe.

“Quero não só ter mulheres, mas mulheres pretas. E a gente sabe, lamentavelmente, que mulheres pretas normalmente são arrimo de família. Trazer de fora de Brasília é muito difícil”, disse Tebet, um dia antes de tomar posse em 4 de janeiro.

“Algumas mulheres negras se sentiram particularmente atingidas por essa fala, que não condiz com a realidade. A gente tem um grupo significativo de mulheres com qualificações até mais altas que a de algumas pessoas que estão em determinados cargos do governo. Então, essas mulheres começaram a se organizar”, explicou à Agência Brasil Barbara Rosa, uma das organizadoras do coletivo.

Barbara é servidora do Ministério da Educação (MEC) e está cedida ao Ministério das Relações Exteriores (MRE), onde atua como coordenadora de planejamento de contratações.

À época da posse, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, se comprometeu a ajudar Tebet com uma lista de currículos de mulheres pretas. No dia da posse, Tebet comentou sobre a ajuda. “Foi bom que agora está vindo um monte de currículo. Estou achando ótimo”.

Diplomata

O Itamaraty foi a casa de outra homenageada pelo perfil @servidorasnegras. Trata-se de Mônica de Menezes Campos. Em 1978, aos 22 anos, Mônica foi a primeira mulher preta a ingressar no Instituto Rio Branco, órgão do governo para formação de diplomatas. Em 1980, se tornou a primeira negra diplomata.

“Sua admissão à carreira diplomática foi um marco. A trajetória de Mônica de Menezes Campos é um referencial para mulheres negras do serviço exterior brasileiro e para candidatas às carreiras de diplomata e de oficial de chancelaria”, publicou o coletivo no Instagram. Mônica morreu em 1985, aos 27 anos, vítima de um aneurisma cerebral.

No último dia 9 de novembro, o Itamaraty realizou o seminário Relações Internacionais, Política Externa e Igualdade Racial: Reflexões em Homenagem a Mônica de Menezes Campos. O encontro abordou o programa de ação afirmativa do MRE, igualdade racial como objetivo transversal da política externa, impacto de acadêmicas negras na teoria das relações internacionais e igualdade racial no serviço exterior.

Primeira engenheira negra

Outra servidora lembrada é Enedina Alves Marques, a primeira engenheira negra do Brasil. Filha de um lavrador e de uma empregada doméstica, a curitibana se formou em engenharia civil em 1945, pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Precisou trabalhar como doméstica para ajudar a pagar os estudos. Foi a primeira mulher a atingir a formação em engenharia no estado.

“Ao longo da graduação, Enedina teve embates com colegas, professores e com a própria instituição de ensino, por ser mulher, negra e pobre em um curso reservado aos homens brancos e ricos”, diz a publicação no Instagram.

Funcionária do Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica do Paraná, Enedina foi uma das responsáveis pela construção da Usina Capivari-Cachoeira (atual Parigot de Souza), inaugurada em 1971 no município de Antonina, litoral do Paraná.

“Enedina abriu espaços para a presença de pessoas negras e de mulheres na engenharia, sendo ainda hoje inspiração para mulheres negras que buscam espaço nas áreas de ciência e tecnologia”, escreveu o coletivo.

Em janeiro deste ano, quando completou 110 anos de nascimento, a engenheira preta recebeu uma homenagem na página de busca principal do Google.

A biografia de Enedina, que em 1940 buscou inserir-se em uma área profissional ocupada majoritariamente por homens, foi tema do trabalho de conclusão do curso de história na UFPR.

Enedina morreu em 20 de agosto de 1981, aos 61 anos.

Pioneira na medicina

A baiana Maria Odília Teixeira é mais uma das homenageadas pelo perfil. Filha de um médico branco de origem pobre e neta – por parte de mãe – de uma ex-escravizada, Maria Odília se tornou a primeira negra formada em medicina no país, em 1909.

Ainda na graduação, trabalhou para desmistificar teorias embasadas no racismo científico. Apresentou tese sobre a cirrose, desvinculando-a da população preta.

“A médica optou por não discutir os aspectos sociais da doença, nem atribuiu fatores genéticos e raciais às pessoas que desenvolviam a cirrose alcoólica. Diferentemente de muitos contemporâneos, Odília não recorreu a nenhum pressuposto das teorias racialistas”, escreveu em dissertação acadêmica Mayara Santos, mestre em história social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Em 1914, Maria Odília atingiu mais um pioneirismo ao ser a primeira professora negra da Faculdade de Medicina da Bahia, onde se formou. A primeira médica negra do Brasil morreu em 1970, aos 86 anos.

Música e ativismo

Aos 85 anos, uma homenageada que une ativismo pelo movimento negro e pioneirismo na educação é Lydia Garcia, primeira professora de música da rede pública do Distrito Federal. A carioca, formada em piano clássico, é filha de uma costureira e de um funcionário público. Ela foi para a capital federal na década de 60, onde vive atualmente.

Lydia se utilizava de atividades como ciranda, coral, cantigas, entre outras, para iniciar crianças no mundo musical. Além do ensino de alunos, atuou também na formação de professores.

Ela criou, há mais de 30 anos, o Bazafro, ateliê cultural de moda e arte étnica que valoriza a autoestima e historicidade do povo negro. Além disso, é matriarca do Coletivo de Mulheres Negras Baobá.

A pianista, professora e ativista é vencedora do 1º Prêmio Cultura Afro-Brasileira, promovido pela Secretaria de Cultura do Distrito Federal, e do 3º Prêmio Marielle de Direitos Humanos, oferecido pela Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Inspiração

A servidora do MEC Barbara Rosa contou que os nomes foram escolhidos em reuniões do coletivo, e a divulgação dos perfis tem dois objetivos principais.

“O primeiro é proporcionar reflexão sobre a carreira, sobre as possibilidades que a gente tem. O segundo é reconhecer e valorizar o legado dessas mulheres, seja em vida ou pós-morte. Trazer à luz essas trajetórias.”

Além de combater o que classifica como invisibilidade de servidoras públicas pretas, o coletivo acredita que a iniciativa é um incentivo para que mais negras queiram fazer carreira no setor.

“Nosso perfil atinge não só mulheres que já são servidoras. Queremos inspirar nessas trajetórias históricas e consolidadas, porém não tão visíveis, outras mulheres que almejam destaque no serviço público”.

Representatividade

Reportagem publicada pela Agência Brasil no mês passado mostrou que pessoas negras, apesar de figurarem como maioria da população brasileira (56%), são apenas 35% no serviço público federal, além de receber menores salários.

O coletivo de mulheres negras reconhece a baixa representatividade. Esse é um dos motivos para a realização de seminários preparatórios para concursos públicos. De agosto a outubro, 250 pessoas participaram dos encontros.

Barbara acredita que a valorização de mulheres negras no setor público se dá por meio de mais presença e igualdade.

“Essa valorização se dá tanto por valorizar as carreiras onde estamos, na redução das desigualdades salarias entre carreiras, na garantia de oportunidades de ascensão e exercício de liderança, e na ampliação da participação nas carreiras onde somos minoria”, disse.

“Para fazer isso é necessário reformular a forma de ingresso a fim de garantir diversidade e, ao mesmo tempo, propiciar que pessoas que já são servidoras tenham oportunidades de terem carreiras que garantam qualidade de vida e dignidade”, conclui.

Lei de Cotas

A disparidade entre negros e brancos poderia ser pior não fosse a Lei de Cotas (Lei 12.990, de 9 de junho de 2014), que reserva 20% das vagas em concursos públicos da União para pretos e pardos. No ano 2000, para cada 100 novos servidores do Executivo federal, 17 eram negros. Em 2020, essa relação saltou para 43 em 100 novos aprovados.

A lei tem vigência de dez anos a contar de 2014, mas há iniciativas para que seja prorrogada. Uma delas é o Projeto de Lei 1.958, de 2021, de autoria do senador Paulo Paim (PT/RS), que tramita no Senado e mantém a reserva de 20% por mais dez anos.

Dentro do governo, além de interesse na prorrogação da lei, há um movimento para aumentar a faixa de reserva de 20% para 30%. A proposta foi construída pelos ministérios da Igualdade Racial, da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos e da Justiça e Segurança Pública.

Comissionados

Outra medida para diminuir a desigualdade dentro do serviço público é o decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em março deste ano, que reserva 30% dos cargos de confiança na administração direta, autarquias e fundações para pessoas negras.

As cotas são para os cargos comissionados executivos (CCE), de livre nomeação, e as funções comissionadas executivas (FCE), também de livre nomeação, mas exclusivas para servidores concursados. A norma determina a observação da paridade de gênero na ocupação desses cargos.

EM ITABUNA 

Walmir do Carmo, e um grande
defensor
As comemorações em Itabuna,  neste dia 20,  que já acontecem desde o início deste mês, resune-se numa "passeata" ao longo da Avenida do Cinquentenário, com a concentração no Jardim do "O"; uma Sessão Especial na Câmara de Vereadores às 19h, onde a importância da luta da Raça Negra será debatida.

O coordenado há muitos anos da defesa dos negros em Itabuna, poeta e professor  Walmir do Carmo, ainda informou que as comemorações serão encerradas no próximo  dia 25, com a escolha da "rainha da beleza negra". Evento, que será realizado na AABB, à noite, no bairro São Judas, Itabuna.

Mais de 80% das pastagens do Sul da Bahia podem ser convertidas em Sistemas Agroflorestais com cacau

Materno-Infantil de Ilhéus disponibiliza anticorpo que previne bronquiolite em bebês prematuros ou com comorbidades

A pequena Maya nasceu, no último dia 5, prematura, na 34ª semana da gestação de Adriele dos Santos, pesando apenas 1,785 kg. Ela está intern...