quarta-feira, 10 de junho de 2026

Patente do INPI consagra inovação da Uesc para modernizar a cadeia produtiva do cacau

Tecnologia desenvolvida pelo professor Jorge Sales automatiza a fermentação das amêndoas, amplia a qualidade do produto e fortalece a agricultura cacaueira

A Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc) alcançou mais uma importante conquista no campo da inovação tecnológica com a concessão da Carta Patente nº BR 102020021546-9, expedida em 19 de maio de 2026 pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), referente ao “Fermentador de Cacau com Hélice Rotativo Autônomo”, tecnologia desenvolvida pelo professor doutor Jorge Henrique de Oliveira Sales, docente do curso de Matemática e pesquisador do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional em Ciência e Tecnologia (PPGMC/Uesc).

A patente reconhece uma solução inovadora voltada à automação e ao controle rigoroso do processo de fermentação das amêndoas de cacau, etapa fundamental para a qualidade dos produtos derivados. O equipamento substitui o tradicional revolvimento manual da massa biológica por um sistema automatizado composto por um cocho cilíndrico de aço inoxidável e um eixo central dotado de hélices rotativas, responsáveis pela mistura homogênea das amêndoas em intervalos previamente programados de 48, 72, 96, 120, 144 e 168 horas.

Entre os diferenciais tecnológicos do fermentador está o monitoramento contínuo por meio de 12 sensores integrados — oito instalados nas laterais e quatro no fundo do equipamento — que realizam medições em tempo real de temperatura, umidade e pH. Essas informações alimentam um sistema inteligente de controle capaz de ajustar automaticamente a rotação das hélices, mantendo a temperatura ideal da massa entre 45°C e 50°C e promovendo a adequada oxigenação do processo sem perda excessiva de calor.

A tecnologia também incorpora recursos de conectividade avançada por meio da plataforma ESP8266, permitindo o monitoramento e o controle remoto das operações via rede Wi-Fi. O equipamento foi projetado para operar com um terço de sua capacidade total, correspondente a 666 quilos de amêndoas, garantindo a circulação interna de ar necessária à fermentação. O sistema conta ainda com uma abertura inferior destinada ao escoamento gravitacional do mel de cacau e do vinagre gerados durante o processo.

Segundo o professor Jorge Henrique Sales, o principal objetivo da inovação é democratizar o acesso dos pequenos produtores a tecnologias capazes de agregar valor à produção. “O principal benefício é o seu fácil acesso para o pequeno agricultor. Assim, ele terá acesso a uma tecnologia de baixo custo que pode aumentar a qualidade do seu produto, como o cacau, e aumentar o ganho”, destacou o pesquisador.

O processo de beneficiamento do cacau compreende cinco etapas fundamentais: colheita, quebra, fermentação, secagem e armazenamento. Juntas, essas fases podem ser responsáveis por até 50% das características organolépticas do produto final, especialmente sabor e aroma. Ao controlar de forma autônoma a temperatura e a umidade da fermentação, o equipamento promove maior uniformidade das amêndoas em todo o recipiente, favorecendo o desenvolvimento equilibrado dos precursores responsáveis pela cor, aroma e sabor do chocolate.

Além de eliminar o excesso de amargor e a adstringência da polpa, a inovação garante maior homogeneidade química e térmica da massa fermentada, elevando significativamente a qualidade final do produto. O resultado é um chocolate com características sensoriais mais refinadas e padronizadas, atendendo às exigências de mercados cada vez mais especializados.

O projeto contou com apoio financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Programa de Pós-Graduação em Modelagem Computacional em Ciência e Tecnologia da Uesc.

Outra vertente da pesquisa resultou no desenvolvimento de um secador alternativo de amêndoas movido a energia solar, concebido para reduzir custos de produção e ampliar o acesso dos agricultores familiares a tecnologias sustentáveis. As soluções desenvolvidas reforçam o compromisso da Uesc com a pesquisa aplicada, a inovação tecnológica e o fortalecimento da cadeia produtiva do cacau, atividade de grande relevância econômica, social e histórica para o sul da Bahia.

Com a concessão da patente pelo INPI, a Universidade Estadual de Santa Cruz consolida sua contribuição para o avanço científico e tecnológico do setor cacaueiro, reafirmando o protagonismo de seus pesquisadores na busca por soluções capazes de promover desenvolvimento, competitividade e sustentabilidade para o campo. ASCOM

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