Produtores de cacau do sul e baixo-sul da Bahia realizaram um protesto no Porto de Ilhéus contra a chegada de cerca de 10 mil toneladas de cacau importado da África, carga que, segundo os manifestantes, ameaça diretamente a produção nacional e agrava a crise enfrentada pela cacauicultura regional.
A mobilização reuniu cacauicultores, representantes de entidades do setor, lideranças políticas e contou com a presença do prefeito de Ilhéus, Valderico Júnior, além de representantes de municípios da região cacaueira. O ato teve como principal objetivo chamar a atenção das autoridades para os impactos econômicos, sociais e sanitários provocados pela importação em larga escala do produto.
De acordo com os produtores, a entrada de cacau estrangeiro pressiona os preços no mercado interno, reduz a rentabilidade do agricultor brasileiro e coloca em risco milhares de famílias que dependem da lavoura cacaueira. Eles também alertam para possíveis riscos fitossanitários, com a introdução de pragas e doenças que podem comprometer ainda mais as plantações da Bahia.
Durante o protesto, os manifestantes destacaram a importância histórica, econômica e cultural do cacau para a região. Ilhéus, reconhecida como a Capital do Cacau e do Chocolate, simboliza a resistência de um setor que já enfrentou crises severas, como a vassoura-de-bruxa, e que agora luta para sobreviver diante da concorrência internacional considerada desleal.
Os cacauicultores defendem políticas públicas de proteção à produção nacional, valorização do cacau brasileiro, incentivo à industrialização local e maior diálogo entre o governo, produtores e o setor exportador. Segundo eles, sem medidas urgentes, a cadeia produtiva do cacau corre o risco de novos retrocessos.
O protesto no Porto de Ilhéus reforça o grito de alerta da cacauicultura baiana: defender o cacau nacional é defender a economia regional, o emprego no campo e a identidade histórica do sul da Bahia.

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