sábado, 10 de janeiro de 2026

AFRONTO AMBIENTAL: O BRASIL NA CONTRAMÃO DA TRANSIÇÃO VERDE

Joselito dos Reis 
Nossa Opinião - Em um momento em que o mundo acelera políticas de incentivo às energias limpas e à mobilidade sustentável, o Brasil, sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), caminha perigosamente na contramão desse movimento global. A decisão de taxar placas solares e elevar impostos sobre carros elétricos revela uma postura incoerente com o discurso ambiental que o país apresenta em fóruns internacionais

Energia renovada nao atinge
o meio ambiente
A energia solar e os veículos elétricos são hoje símbolos da luta contra o aquecimento global. Em diversos países, esses setores recebem incentivos fiscais e apoio governamental justamente para reduzir emissões de carbono e estimular uma economia verde. No Brasil, entretanto, a lógica adotada foi a da arrecadação imediata, penalizando cidadãos e empresas que tentam investir em soluções sustentáveis.

A contradição é evidente. O mesmo governo que se coloca como defensor da Amazônia e do meio ambiente no cenário internacional, internamente cria barreiras para o avanço das energias renováveis. Isso levanta uma questão crucial: até que ponto o compromisso ambiental do governo é real ou apenas retórico?

Carros elétricos, idem...

Outro aspecto preocupante envolve os recursos internacionais destinados ao combate ao desmatamento da Amazônia. Esses investimentos dependem da credibilidade do país e da coerência entre discurso e prática. Medidas que desestimulam tecnologias limpas podem minar a confiança dos países parceiros e colocar em dúvida a continuidade desses repasses financeiros.

É legítimo questionar: após decisões que vão na contramão da política ambiental mundial, os países comprometidos com a agenda climática continuarão enviando recursos ao Brasil? A dúvida é pertinente e preocupante.

Ao optar por taxar soluções sustentáveis, o governo Lula transmite a impressão de que o interesse arrecadatório se sobrepõe à responsabilidade ambiental. O impacto é negativo para o meio ambiente, para os investidores e para a população, que vê encarecer alternativas que deveriam ser incentivadas.

O enfrentamento da crise climática exige ações concretas, coerentes e responsáveis. Penalizar quem aposta em energia limpa é um retrocesso grave, com reflexos que ultrapassam as fronteiras nacionais. Em um tema de ordem global, o Brasil não pode agir como se estivesse isolado do mundo.

Quando o discurso não se traduz em prática, o resultado é descrédito. E, no caso do meio ambiente, o custo desse descrédito pode ser irreversível.

Joselito dos Reis

Jornalista e poeta

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