segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Pesquisadores baianos desenvolvem prótese para pacientes amputados

Projeto visa melhorar qualidade de vida de amputados que não possuem condições de arcar com próteses vendidas por um valor mais caro

 A curiosidade de um estudante na busca por melhorar a qualidade de vida de pacientes amputados que conheceu durante o estágio no departamento de enfermagem levou à criação de próteses automáticas de baixo custo. Tulio Calil, que cursa sistemas de informação na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), em Jequié, e Mitale Barbosa, enfermeira, estão à frente do projeto que foi inspirado no gosto por filmes, séries e animes. O protótipo funciona através de um leitor de impulso nervoso conectado no antebraço da pessoa, que interpreta, comandos e converte em posição para a prótese.


De acordo com o estudante, a iniciativa é voltada para ajudar as pessoas que não tem condições de pagar pelas próteses disponíveis no mercado atualmente. “Nosso produto é feito de sucatas como PVC, nylon e correntes de bike. O diferencial no material permite a possibilidade de utilizar tecnologia acessível e itens reciclados ou de menor custo para construir as próteses e vender por um preço mais acessível”, explicou.
O protótipo tem um viés social e através da tecnologia busca desenvolver soluções acessíveis em programação. “Para um indivíduo com membro amputado ter a mínima chance de realizar ações cotidianas como segurar um copo, caneta ou abrir uma porta, esse projeto é um divisor de águas entre a desesperança e a esperança. Isso melhora a autoestima, dá novas chances e consequentemente gera impactos psicológicos positivos”, destacou.

Atualmente, o trabalho está em fase de desenvolvimento e aprimoramento, com o apoio do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento de Software (CPDS) e do grupo de Pesquisa em Análise Cognitiva, Modelagem Computacional e Difusão do Conhecimento. “Tivemos a chance de expor o trabalho na Campus Party, que aconteceu em 2018, onde muitas pessoas puderam testar. Agora, esperamos poder remontar e encontrar materiais mais leves e resistentes, além de melhorar a estética. Outro item a ser trabalhado diz respeito à parte bioeletrônica, já que o membro precisa alcançar melhores níveis de calibração do impulso para torná-lo cada vez mais responsivo e exato”, concluiu.

Para dar andamento ao projeto, o estudante fez uma vaquinha entre os professores do curso de enfermagem da UESB. “Nossa professora Mariana Lacerda nos ajudou com a arrecadação e conseguimos comprar os materiais. O apoio do CPDS também foi decisivo na continuidade, permitindo desenvolver a segunda etapa da elaboração com a impressão da mão em 3D, motores mais fortes e peças mais adequadas ao uso”, ressaltou o jovem, que é orientado pela professora Claudia Lopes.

Bahia Faz Ciência

A Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) estrearam, no dia 8 de julho, o Bahia Faz Ciência, uma série de reportagens sobre como pesquisadores e cientistas baianos desenvolvem trabalhos em ciência, tecnologia e inovação de forma a contribuir com a melhoria de vida da população em temas importantes como saúde, educação, segurança, dentre outros. As matérias serão divulgadas semanalmente, sempre às segundas-feiras, para a mídia baiana, e estarão disponíveis no site e redes sociais da Secretaria. Se você conhece algum assunto que poderia virar pauta deste projeto, as recomendações podem ser feitas através do e-mail comunicacao.secti@secti.ba.gov.br

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