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segunda-feira, 29 de julho de 2013

VEJA ARTIGO: Dra EMILLY SERAPIÃO "TER CÓLICA MENSTRUAL É NORMAL?"


TER CÓLICA MENSTRUAL É NORMAL?....................................................................


A endometriose é uma das doenças mais estudadas nos últimos anos e uma das mais complexas também, visto que suas causas ainda não foram estabelecidas pela comunidade médica. Ela consiste no crescimento de tecido endometrial (mucosa interna do útero) fora da cavidade uterina. Estima-se que 10% das mulheres em idade reprodutiva tenham a doença, e dentre as que relatam infertilidade ou dor pélvica crônica, este número ultrapasse 50%.O pico de incidência é em torno dos 30 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade no período reprodutivo. Na adolescência a incidência é em torno de 4 à 17%, atingindo até 70% naquelas que foi constatado dor pélvica crônica.
A Endometriose pélvica é uma doença de caráter crônico e progressivo, cuja apresentação clínica mais frequente é a dor pélvica, em suas diversas formas: dor na hora da relação sexual, cólica menstrual, em especial, aquela progressiva, que fica a cada ciclo pior e de difícil controle com medicamento.
Inúmeros artigos científicos têm demonstrado que há uma demora em se fazer o diagnóstico da doença, com média de tempo variando entre serviços e países. Em uma recente publicação na Human Reproduction, em trabalho realizado na Alemanha e na Áustria, a média de tempo para obter o diagnóstico da endometriose foi de 10,4 anos. O principal fator de atraso foi a atitude das mães e dos médicos em considerarem a cólica menstrual como algo normal. Esta demora também é observada em outras partes do mundo, incluindo o Brasil.
Há 18 anos tratando pacientes com endometriose, vejo dois pontos positivos atualmente : primeiro, estamos falando mais da doença, chamando a atenção para o tema; e segundo, estamos desmistificando a forma mais grave. O diagnóstico complementar está cada vez melhor, e quando indicado o tratamento cirúrgico na doença profunda, os resultados são bastante satisfatórios, com melhora de todos os parâmetros clínicos: das cólicas, das relações e da qualidade de vida.
No entanto, a experiência prática tem refletido exatamente o que a literatura médica nos apresenta, na maioria das videolaparoscopias realizadas em mulheres jovens com dor pélvica crônica ou infertilidade, mais da metade tem endometriose pélvica leve. Além disso, observamos que a cada ano um número crescente de adolescentes e mulheres abaixo de 25 anos vem recebendo este diagnóstico. Só para exemplificar, recentemente fizemos uma Videolaparoscopia para a retirada de cistos ovarianos endometrióticos, em uma paciente de 15 anos!
Mas apesar de toda divulgação, ainda há muita paciente que experimentam um grande lapso de tempo até seu diagnóstico, sem que recebem o tratamento adequado, clínico e/ou cirúrgico, muitas vezes com agravamento da doença.
A ampliação e divulgação do conhecimento na sociedade em geral e médica, é o que fará a diferença no controle da endometriose. Cólicas menstruais fortes não são normais! Estejam atentas principalmente se for jovem, com história de cólica intensa e progressiva. Procure seu ginecologista se suspeitar da doença, pois fazendo o diagnóstico em sua fase inicial e instituindo o tratamento correto, consegue-se controlar a progressão da endometriose, amelhorar a sua qualidade de vida e preservar seu futuro reprodutivo.



Dra EMILLY SERAPIÃO
CRM BA 13701
Especialista em Cirurgia Minimamente Invasiva em Ginecologia

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