sábado, 6 de junho de 2026

DÊ-ME UM SEPULTAMENTO DIGNO

OPINIÃO-- Por, Eugenio Abreu -  Sou a CEPLAC – Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira. Nasci em 20 de fevereiro de 1957, vinculada ao Ministério da Agricultura, com a missão de recuperar, fortalecer e expandir a cacauicultura brasileira, especialmente no sul da Bahia.

Antes de mim existiu o Instituto do Cacau da Bahia (ICB), criado em 1931, que desempenhou papel fundamental no apoio à produção cacaueira. Entre seus dirigentes destacou-se o médico e ex-deputado estadual Antônio Menezes Filho. O instituto foi extinto em 1992, mas deixou uma importante herança para a região.

Ao longo de minha trajetória, contribuí decisivamente para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. Produzi pesquisas, difundi tecnologias, prestei assistência técnica aos produtores, fortalecei cooperativas e participei da formação de milhares de profissionais.

Tive a honra de ser administrada por grandes homens, dentre eles José Haroldo Castro Vieira, uma gestão de sucesso e progresso.

Também deixei minha marca na educação. Criei a EMARC, referência nacional na formação de técnicos agrícolas, e participei da implantação das primeiras estruturas da FESPI, atual Universidade Estadual de Santa Cruz, a UESC.

Durante décadas fui instrumento de desenvolvimento, geração de riqueza, conhecimento e oportunidades.

Hoje, porém, vivo um processo de lento esvaziamento. Prédios abandonados, áreas experimentais desativadas, equipamentos sucateados, patrimônio disperso e um quadro funcional sem renovação há décadas revelam uma instituição que perdeu espaço e prioridade.

Não peço privilégios nem homenagens. Peço apenas respeito à história construída por gerações de pesquisadores, extensionistas, técnicos, servidores e produtores rurais.

Se meu destino for realmente o fim, que não me condenem ao esquecimento. Que preservem minha memória, valorizem meu legado e reconheçam minha contribuição para a agricultura, a educação e o desenvolvimento regional.

Porque instituições também têm alma. Elas vivem nas oportunidades que criaram, nos conhecimentos que produziram e nas vidas que transformaram.

E, se já não houver lugar para mim no futuro, concedam-me ao menos aquilo que toda instituição que serviu com lealdade ao seu povo merece:

Um sepultamento digno à:

CEPLAC — uma instituição que ajudou a construir o Brasil e não merece ser esquecida.

Eugênio Abreu - Geógrafo

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