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segunda-feira, 16 de julho de 2018

Telmo Padilha 21 anos sem sua nova poesia

HOJE 16 DE JULHO COMPLETAM 21 ANOS SEM O POETA TELMO PADILHA

"Nunca esqueçam do acento-agudo da palavra "grapiúna" exigência do poeta Telmo Padilha. 

O poeta, Telmo Fontes Padilha, que morreu tragicamente no dia 16 de Julho de 1997, quando pilotava seu automóvel na BR-101, entre Itabuna/Buerarema, está completando hoje  21 anos de seu desaparecimento.

Telmo Padilha era sócio do Clube do Poeta Sul da Bahia, e ajudou muito para sua existência, quando a entidade foi criada na redação do extinto Diário de Itabuna, em 02 de Janeiro de 1991, ao lado, também, do grande e saudoso poeta e contista Ariston Tibério Caldas. 

Dia da Poesia  em Itabuna


No próximo dia 27 de Julho, véspera do Dia da cidade se comemora em Itabuna "O Dia da Poesia", um projeto de autoria do então vereador Joilson Rosa. No primeiro ano, a data foi lembrada e marcada com o lançamento do livro: "Grito Sem Eco" do poeta e jornalista, Joselito dos Reis. Neste segundo ano, seria bom se a data fosse marcada com uma homenagem ao Telmo Padilha, que tanto divulgou e divulga Itabuna lá fora. E assim, poderíamos seguir uma sequencia com Ariston Caldas, Valdelice Pinheiro, Sósogines Costa   Terezinha Leite, Juarez Vicente, Firmino Rocha e muitos outros poetas que deixaram esse mundo, mas sua poesia  continua viva..   

Trajetória e poesias do poeta:

O poeta Telmo Fontes Padilha nasceu em Itabuna, a 5 de maio de 1930, assim como seu compadre, tambem, no Bairro de Ferradas. Foi jornalista e Membro da Academia de Letras de Ilhéus, por indicação de Adonias Filho. Publicou os seguintes livros: "Girassol do Espanto"(1956); "Ementário"(1974); "Onde tombam os pássaros"(1974); "Pássaro da Noite" (1977); "Canto Rouco"(1977); "O Rio"(1977); "Vôo Absoluto" (1977); "Poesia Encontrada"(1978); "Travessia"(1979); "Punhal no Escuro"(1980) e "Noite contra Noite" (1980), todos no melhor gênero da poesia. Muitas obras de sua autoria foram traduzidas para o italiano, o espanhol, o inglês, o francês, o alemão e o japonês. 

Informações do: antoniomiranda.com.br - Destacou-se como poeta no cenário nacional e foi agraciado com muitos prêmios como "Melhores Livros", da Câmara municipal de Itabuna (1956); "1º Concurso de Poesia - A Tarde"; "Prêmio Nacional de Poesia do Instituto Nacional do Livro" (1975); Prêmio do Concurso Internacional de Poesia San Rocco, Itália (1976); 1º Prêmio do Concurso de Poesia Firmino Rocha, da Prefeitura Municipal de Itabuna (1981); e Prêmio Sosígenes Costa da Prefeitura Municipal de Ilhéus (1981). 


      Poeta de reflexões existenciais, que constantemente indaga-se, questiona-se, numa linguagem repleta de sutilezas líricas. Inquieto, reafirma uma poética cuja temática indaga de forma intimista o viver, o morrer, a infância, a solidão e, ainda, sua relação com a realidade da sua terra, da cultura do cacau e do tempo que estabelece esta história que se escoa pelas frestas cotidianas. Sua poesia reside numa lírica lucidez, num abismo interior, entre a febre e insônia, expressa num processo criativo maduro e num estilo impecável. 



      Telmo Padilha faleceu no dia 16 de julhoTelmo Padilha nasceu em Itabuna, a 5 de maio de 1930. Foi jornalista e Membro da Academia de Letras de Ilhéus, por indicação de Adonias Filho. Publicou os seguintes livros: "Girassol do Espanto"(1956); "Ementário"(1974); "Onde tombam os pássaros"(1974); "Pássaro da Noite" (1977); "Canto Rouco"(1977); "O Rio"(1977); "Vôo Absoluto" (1977); "Poesia Encontrada"(1978); "Travessia"(1979); "Punhal no Escuro"(1980) e "Noite contra Noite" (1980), todos no melhor gênero da poesia. Muitas obras de sua autoria foram traduzidas para o italiano, o espanhol, o inglês, o francês, o alemão e o japonês.      Fonte: http://www.itabuna-ba.com.br/telmo.htm  

O jornal ITABUNA – no seu Portal da Capital do Cacau prestou uma homenagem ao poeta e publicou o poema em homenagem à cidade, que reproduzimos a seguir:




ITABUNA

Se não há montanhas,
como escalá-las?
Se não há florestas,
Com embrenhar-me
em sombras
que não estas?
Se não há o mar,
como falar de águas
e horizontes?

Sou o cantor
desta planície
e me abismo
em mim,
e desço aos outros
de mim,
e sofro os outros
de mim.

Seleção de Walmir Ayala
Poemas publicados originalmente na
REVISTA DE CULTURA BRASILEÑA
Junio 1975 N. 39

                        INFÂNCIA
                               fartura. Nem tanto
mais que uma fazenda
com seus pastos, seus animais,
o engenho antigo, o rio
correndo entre pedras,
tímido sob as grandes
árvores,
água.
A noite desenhava
úmidas assombrações.
O vento no rosto
do menino cavalgava
mais que seu cavalo.
A vida tinha seu cheiro
de eternidade, exato
e puro.
A morte era um fato
natural, quase geométrico
na ignorância da tarde.

RIMA

A palavra amor
já não rima com flor:
outra é sua correspondente
na escala do som,
na escala do ritmo.
Pode-se combiná-la
com calor, noutro plano;
ou com identidade,
aquela que mente
à outra verdade.
Com cal e giz
a escrevemos
no poema
antes que apague.


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TEXTOS EN ESPAÑOL


RIMA

La palabra amor
ya no rima con flor:
es otra su correspondiente
en la escala del son,
en la escala del ritimo
puede combinarse
con calor, en otro sentido;
o con identidad,
aquella que miente
la otra verdad.
Con cal y tiza
la escribimos
en el poema
antes de que se apague.


INFANCIA

Hartura. No mas
que una hacienda
con sus pastos, sus animales,
la antigua factoría, el rio
corriendo entre las piedras,
tímido bajo los grandes
árboles,
agua.
La noche dibujaba
asombraciones húmedas.
El viento en el rostro
Del niño cabalgaba
más aún que su caballo.
La vida tênia olor
de eternidad, exacto
y puro.
La muerte era um hecho
natural, casi geométrico,
en la ignorância de la tarde.


TEXTOS EM PORTUGUÊS   -   TEXTS IN ENGLISH

PADILHA, Telmo.  Birds/Night – poems.  A bilingual edition. Translated from the Portuguese by Fernando Camacho.  Londo: Rex Collings; Rio de Janeiro: Sel Editora, 1976.  61 p.  13,5x21 cm.   “ Telmo Padilha “ Ex. Bibl. Antonio Miranda



Lição

Com as fábricas aprendo
sábia lição: que ferros
se ajustam sem erros
nos erros da mão.

Com as fábricas aprendo
madura lição:

que se funda a arquitetura
na arquitetura da mão.

Com as fábricas aprendo
prosaica lição: que a mão
é firme se não treme
a dúvida da outra mão.

Lesson

From the factories I learn
a wise lesson: that peices of iron
are adjusted to one another without error
by erring hands.

From the factories I learn
a mature lesson:

that architecture is based
upon the architecture of the hands.

From the factories I learn
a prosaic lesson: that the hand
is steady while doubt does not
shake the other hand.

Noites

Noites há, como esta
sublevada: mais que mar
proceloso, mais que vento,
E vem—cinza e treva—de dentro.

Noites há, como esta
impressentida: altas ondas,
afundados barcos, patinantes
ilhas de tédio: chuva e medo.

Noites há, como esta
insuspeitada: treva e nada,
trementes nervos açoitados,
e este fugir de quem não escapa.


Nights

There are nights, like this
agitated: more than the storm, more than the sea
more than the gale.
And it comes — grey and dark — from within.

There are nights, like this
unnoticed: high waves,
sunken ships, skating
islands of boredom: rain and fear.

There are nights, like this,
unsuspected: darkness and nothing,
the flogging of trembling nerves,
and this flight of someone who cannot escape.



As fundações

Te construo
a partir da escura
matéria de punhais
altissonando palavras
em gases revestidas.
São dores gerais
esses particulares ais.
Fragilidade e grito
não impedem a infinito.
Comungo a total
no totalizante geral.
A tensão conclama
tua voz que me chama.


The foundations

I construct you
from the dark matter of daggers
enlarging the sound of words
clothed in veils.
They are universal pains
those individual crimes.
My fragility and my screaming
do not hold back the infinite.
I shave the whole
with the infinite generality.
And your voice comes to me
through that converging tension.


Linguagem

Não me peças mais que este
dizer que não diz,
senão em rota indireta.
Que as palavras são armaduras
do dizer que mais diz.
Atrás dela é mais clara
a chama que mais brasa
queima porque não diz.


Language

Don't ask me for more than
this saying which says nothing
except by an indirect route.
Because words are armour duty
saying more than they say.
Through it, the flame is dearer
which burns more.
                    And burns because it doesn't show.


Os dias

Caminho
em tudo carne,
carne prisão cela
e o navio que não parte.

Os deveres, sim os deveres!
Salas, papéis, os poemas
dominicais. Chora o pássaro.

Os arcabouços, viseiras sempre
por tirar.

Passageiro de outro expresso,
o que não parte.

Voltar não é retornar
ao mesmo lugar.


The days

A trail
in everything made of flesh,
flesh, prison, cell
and a ship which never leaves port.

The duties, yes the duties!
Rooms, pieces of paper, and the Sunday
poems. The bird shrieks out.

The skeletons, and the disguises always
to shed off.

Passenger of the other train,
the one that doesn't leave.

To return is not to go back
to the same place.




TEXTOS EM PORTUGUÊS - TEXTOS EM FRANCÊS (FRANÇAIS)

PADILHA, Telmo.  Esquisses.   Traduit du brésilien par Emanuel von Lauenstein Massarani.  Illustrations originales de Patrick Goettelen. Couverture de Alceu Polvora.   Genève, Suisse:  Éditions Roulet, 1975   36 p.  10,5x15 cm.  Edição: 600 exs. Numerados.   Ex. n. 576 bibl. part. De Antonio Miranda.


I
Em cada lugar deixei
um pouco do que fui
daquele que não serei.
Como juntar essas coisas
que outros nomes se dão
na palma de uma só mão.
Se são vastos estuários
e esses rios agrários
desembocam no coração.
Se são rostos, contrações,
esgares, risos, apelos,
lágrimas, incomunhões.
Se a poeira cobriu tudo
nas dobras do coração ?


I

J'ai laissé en chaque lieu
un peu de ce que j'ai été
et de ce que je ne serai.
Comment tenir ces choses
auxquelles on donne d'autres noms
dans la paume d'une seule main.
Si ce sont de vastes estuaires
et ces fleuves fertilisants
qui débouchent dans le cœur ?
Si ce sont visages, contractions,
grimaces, rires, appels,
larmes, choses non communiquées ?
Si la poussière recouvre tout
dans les replis du cœur ?



IV

Onde as varizes
destas árvores tão antigas?

         Que morte as faz assim preclaras
         coisas no ar parado
         varando o ar gelado?

         Quem as ancorou
         na noite deste lado
         para que a morte não as apague?


         IV


Où sont les veines
de ces arbres si vieux ?
Quelle mort ne les broie, gelés et flagellés ?
Qui en fait ainsi choses illustres dans l'air en suspens coupant l'air gelé ?
Qui les a ancrés
dans la nuit, de ce côté
pour que la nuit ne les effacent ?


TEXTOS EM ALEMÃO (GERMAN)

PADILHA, Telmo.  Wo die vögel hinfallen.  Vom Brasiliannischen übersetzst,  Originale Federzeichbungen Alceu Polvora.  Lausanne, Suisse: Éditions de La Tour SA, 1976. 63 p.           ilus.  Tiragem 500 3xs. Ex. n. 252 na bibl. part. Antonio Miranda.
   


An den Zweigen welken
wie verachtete Frauen
die Früchte. Von Begierde brennend
während machtlos
Tage und Nächte
ihnen zu Füssen gleiten
wie eine Uhr unerbittlich.
Die Reife
mehrt ihr Leid
im Bangen um den Frühling
der fortgleitet
unter ihren Füssen.
Bei seiner Rückkehr
knistert das Feuer
nicht wie die Erde
unter den Bäumen,
warm und tief,
das Geheimnis
des Keimens hütend.


AM BODEN

Niemand sah den Körper fallen
wie einen Baum, von der Axt getroffen.
Niemand hat die unsagbare Freude gesehn
die sein Gesicht ausstrahlte, noch das Lächeln
das seinen Mund umspielte, als er
an den Boden gedrückt
den Pulsschlag des Todes im Herzen hörte.
Niemand sah seine Hände — lose und ruhig —
die Erde betasten, ohne Aufruhr,
nur in Gewissheit.
An den Boden geschmiegt hat er gewartet
bis die Nacht ihn in Schatten hüllend
mit sich fortnahm.



Página ampliada e republicada em janeiro de 2017

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