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sábado, 24 de dezembro de 2016

Cinco artigos de Antonio Nunes

Preparativos de Papai Noel!

Antonio Nunes de Souza*


Ante véspera de Natal a equipe de Papai Noel está na maior agonia no grande depósito, fazendo a seleção de presentes, colocando endereços e CEPs para facilitar as entregas, mesclando as substituições em função de não merecerem ou estar em falta, fazendo a parte mais chata que é a de embrulhar com laços e fitinhas, etc.!

Uma equipe dos mais jovens auxiliares está selecionando as Renas mais ariscas, fortes e sadias para a grande viagem em volta da terra, fazendo suas paradas em chaminés e janelas com meias ou sapatinhos dos esperançosos que, mesmo depois de adultos, continuam acreditando em milagres!

Papai Noel, como sempre foi um velhinho previdente, todos os anos faz um check-up completo um mês antes do Natal, pois, não gosta e nem acha sensato aparecer indisposições de última hora. Ele nunca esqueceu uma noite que, na hora da saída, deu uma disenteria e ele teve que ir levando dois penicos no trenó e fazendo suas necessidades pelos caminho!

Como ele é uma figura lendária, suponho que já tenha nascido velho e com barbas brancas, pois, nunca soube nada a respeito dele adolescente ou jovem fazendo entregas de presentes. O fato é lhe queremos um bem muito grande, lhe dedicamos muito amor, pois, a bem da verdade, faz a alegria das crianças e, muitas vezes, dos velhinhos e adultos!

Então, esperem todos a sua chegada, enfeitem a suas casas, coloquem suas árvores iluminadas, por menores que sejam e, amanhã a noite, se ele não aparecer, transformem-se todos em Papai Noel e façam a felicidade de todos que estão em suas voltas, mostrando solidariedade e humanismo!
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O pequeno grande homem!

Antonio Nunes de Souza*

Em todos lugares, principalmente em comunidades interioranas, temos sempre um articulador político, espécie de mestre de cerimônia com representação que, tranquilamente, pode entrar ou sair governo, mudar ou não mudar partidos e, como um peixe ensaboado, esse personagem está sempre por cima e, sorrateiramente e escorregadio, cheio de poderes com as administrações!

Aqui em nossa querida Itabuna, temos, reconhecidamente, meu antigo e querido amigo Rui Machado, bem mais conhecido com a alcunha de “LITTLE PIG”!

Não sou contra seus grandes poderes junto aos políticos que estão no poder, apenas, como cidadão, munícipe e gostar muito da minha terra, creio que seria muito mais justo, que os prefeitos dessem seus cargos como compensações dos favorecimentos eleitoreiros, porém exigissem que esses fossem ocupados por pessoas da área, qualificados e que ofereçam a comunidade serviços eficientes e de qualidade profissional. Custamos acreditar que, nessa hora que estamos procurando melhorar o nível educacional, cultural e de cidadania, nossa instituição maior nessas árias, seja entregue a uma pessoas, que não nego as suas qualidades em outros setores!
Espero, sinceramente, que nosso “pequeno grande homem”, nosso astuto cheio de prestígios, faça reflexões, pense em beneficiar o povo e a vertente artística da região, em vez de nos entregar na boca de “um leão”. Basta o Leão do imposto de renda que não temos escapatória.

Se você meu Little PIG repensar sua indicação da FICC e outras indicações, juro que começarei a trata-lo como: THE BIG PIG”!
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A história do Doutor Sabi!

Antonio Nunes de Souza*

- Boa tarde Dr. Sabi. Eu sou o jornalista José Roberto designado pela tv para entrevistá-lo, em função do senhor ter ganho o prêmio máximo da Academia Sul-americana de Psicanalistas!
-Boa tarde e muito prazer! Queira sentar-se, dê as coordenadas ao seu câmera e estou as suas ordens! 

-Geralmente as entrevistas são feitas através de perguntas e respostas, mas, o meu estilo é um tanto diferenciado e, como estou tratando com um homem qualificadíssimo e respeitado mundialmente, com o dom de oratório invejável, prefiro, se não for incômodo, ligar o microfone e a câmera e o senhor, sem interrupções, narrar a sua história desde criança!

-Será interessante dessa forma, pois, com a liberdade de falar o que desejo, certamente, contarei fatos desde minha infância até os dias atuais. Pois, sem querer ofender a capacidade jornalística de ninguém, já tive oportunidade de ser entrevistado em algumas ocasiões e, infelizmente, saí decepcionado com as tolas perguntas, comprovando o despreparo do entrevistador!

-Sou filho de família paupérrima, meu pai um lavrador analfabeto, assim como a minha mãe, ambos empregados de um velho coronel do cacau, itabunense que morava na cidade e fazia periódicas visitas a sua grande roça, produtora de 6 mil arroubas de cacau. Como você pode ver, sou negro, de descendência africana, uma vez que meus pais eram descendentes diretos de legítimos africanos. E, naquela época era comum os patrões, nas suas sabedorias, como era praxe os trabalhadores pedir aos patrões para batizar os seus filhos, eu fui batizado pelo coronel, na capela da fazenda, quando o padre vinha fazer mensalmente uma missa!

-Já com dez anos, forte e com ótima saúde, como era hábito, os patrões escolhiam sempre mocinhas e meninos seus afilhados, para dizer que iam cria-los na cidade e levavam para servirem de escravos domésticos, nos matriculando em escolas públicas a noite que, pelo cansaço do trabalho durante o dia, ficávamos quase cochilando nas salas de aula. Porém, como eu percebi que só quem tem valor nas cidades são as pessoas que sabem ler e escrever bem, fazia um esforço sobre humano e, não só estudava a noite, como também durante o dia em qualquer horinha livre, metia a cara no livro!

-Os filhos do patrão me colocaram logo o apelido da SABI. E eu, como nem sabia o que e porque, atendia por esse nome, enquanto todos davam risada. Eu até que achava engraçado, mas, nem sabia o porquê!

-Desculpe doutor a minha interferência, mas o seu nome não é Sabi?
-Claro que não! Mas, depois foi que eu fui descobrir que, por eu ser negro retinto e pequeno eles me chamavam de Sabi achando que eu era um saci com duas pernas. Assim formava uma junção da palavra “saci e de dualidade o bi”. Tenha certeza que fiquei com o maior ódio dessa discriminação e deboche que eles, sarcasticamente, procediam. Não que me sentisse inferiorizado, mas, pela maneira desprezível que era pronunciada com um sorriso de deboche nos lábios. Resultado é que todos da casa já me chamavam, até a asquerosa da minha madrinha que explorava meu trabalho infantil.

Mas, você pensa que todas essas coisas me melindravam? Nada disso, serviam de estímulos para que, com 17 anos já estar terminando meu secundário e preparando-me para enfrentar o vestibular. A essa altura já um rapaz, experiente e bem informado, fazia as funções domésticas, lavava os carros, limpava os sapatos, a piscina, lavava toda área em volta da grande casa, cuidava do jardim e da grama, além de compras e outros pequenos e grandes serviços. E isso tudo em troca de casa e comida e alguns trocados eventuais, pois eu não era empregado era um “parente” que ajudava nos serviços domésticos. Até as minhas roupas eu herdava das velhas e fora de moda dos seus dois filhos. Uns canalhas exploradores, que utilizavam esse método habitual na região!

Quando completei 18 anos fiz vestibular e passei em primeiro lugar em duas faculdades e segundo em outra, sendo bastante elogiado pela minha cor, perseverança, e ainda tive que suportar a minha madrinha se vangloriar e dizer que graças a sua bondade e cuidados que teve comigo, eu conseguir vencer essa etapa na vida.

-Vendo e sentindo isso, resolvi fazer um concurso, já que ganhei bolsa em duas das faculdades, além da federal e, pelo meu preparo e abnegação, consegui uma vaga de auditor no Estado, sendo o mais jovem dos meus colegas. Naquela época não era exigido nível universitário para trabalhar na auditoria. Imediatamente aluguei um pequeno apartamento quitinete num bairro suburbano, por ser mais barato e fui morar sozinho, mesmo levando a pecha dos meus exploradores de mal agradecido em abandonar os serviços, pois obrigariam eles pagarem, pelo menos, um salário mínimo à um substituto!

Com 23 anos terminei minha faculdade, sendo um dos mais brilhantes da turma e, por essa razão, tornei a ganhar uma nova bolsa, desta feita para fazer pós graduação e mestrado. Não pestanejei e nem de longe deixei de estudar em qualquer minuto livre, procurando sempre ser o melhor e conseguir meus objetivos. Na minha tese de mestrado apresentei um trabalho que foi publicado nos Estados Unidos, com uma admiração tão grande pela minha classe que, a Oxford University me convidou para fazer o doutorado sem nenhuma oneração de custos e ainda uma bolsa complementar de mil dólares mensais para minhas despesas com livros e alimentação!

-A essa altura, pelo hábito de viver anos sendo chamado de SABI, todos os meus trabalhos publicados em revistas especializadas, seminários, conferências, etc., eu sempre usei o meu apelido como pseudônimo. E, como meus trabalhos sempre foram marcantes e provocavam discursões elogiosas, ninguém se preocupara em saber, na verdade, como era o meu nome real. Até a mídia, quando fui lançar meu primeiro livro, com 32 anos de idade, com todos os certificados da linha profissional e curricular, bradou e escreveu em letras garrafais: Doutor SABI lançará seu livro em S. Paulo e este foi elogiado e prefaciado pelo grande filósofo e prêmio Nobel da Literatura Fernando Caldas!

-Depois disso, passei a continuar estudando, fazendo cursos em Cornnel, Cambridge, França, Suíça, Alemanha e outras partes do mundo, já publiquei 23 livros, onde cito as minhas experiências vividas, pesquisas comprovadas, desenvolvimentos mentais e espirituais, as análises e suas nuances, em fim, os segredos da mente humana!

-E, por conta de tudo isso, fui gentilmente agraciado com essa honrosa premiação!

-Sensacional a sua história doutor Sabi. Tenho certeza que servirá de estímulo para muitas pessoas, perceberem que, em vez de se melindrarem, terem coragem frente as adversidades e preconceitos, lutarem mostrando que são capazes de alcançar admiráveis posições profissionais!
-Para finalizar eu gostaria que o senhor dissesse como é o seu verdadeiro nome para os nossos telespectadores!

-Meu nome é Adalmir Theodorico Pacheco de Farias!
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Explosão de Papai Noel!

Antonio Nunes de Souza*

Na cabeça de todo mundo, imagina-se que personagens de origens celestiais, status de santo, que vivem em patamares privilegiados, jamais perdem a paciência e, mesmo baixinho, xingam um nome feio! Mas, tenho que confessar agora que estou bastante revoltado me tranquei na minha casa/iglu e, sozinho, soltei cobras e lagartos, uma serie de nomes dos mais chulos e corriqueiros nas bocas humanas, desabafando minha revolta com relação a uns cretinos pedidos que recebi através de cartas! Lógico que antes de soltar meu praguejamento pecador, verifiquei se não haviam câmeras e microfones da PDS (Polícia Divina do Senhor) escondidas, por ordens do tal juiz Moro, considerado pelos políticos como o maior “alcagoete” vivo da história brasileira!

Agora, já mais calmo, resolvi confessar a causa dessa minha explosão, exatamente e, praticamente, as vésperas do Natal, ocasião que trabalho pra caralho, (oh! Me desculpem esse palavrão), depois de ler milhões de cartinhas das crianças pedindo seus preciosos brinquedos, me chega via Sedex milhares de cartas de políticos de todo Brasil, pedindo para que eu consiga uma liminar Sagrada do Espírito Santo, determinando perdão não só de todos os processos da operação “Lava Jato”, como também uma anulação geral para todos os desmandos, nada de devoluções de numerários e, por fim fazer o povo engolir aplaudindo aos grandes golpistas Temer, Renan Calheiros, Eduardo Cunha e os outros famigerados pecadores pertencentes a classe empresarial!

É ou não é terem caras de pau, em querer me envolver como colaborador de safadezas?

Na verdade as cartas, para ser mais claro, solicitam uma anistia geral, para todos os partidos, desse e do governo passado! É o não é uma grande ousadia e falta de respeito a minha pessoa?

Pois é meus amigos, logo na época que fico alegre e feliz, esses bandidos, me aparecem com essa ideia criminosas para me tirar do sério e fazer eu esbravejar!
O que vou levando e com prazer é uma grande carga de tornozeleiras eletrônicas pra colocar nas canelas dos bandidos mais sagazes que conseguem prisão domiciliar!


Tenho ou não tenho razão para explodir?
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A mulher Bi!
Antonio Nunes de Souza*

Certamente, com esse título, você logo imaginou tratar-se de uma mulher bissexual mas, não é nada disso! Sou padre há 26 anos, me ordenei com 21 anos de idade e, juro por Deus (mesmo tendo que jurar seu nome em vão, que é pecado), que jamais conheci uma pessoa, ou melhor uma confissão tão estranha e pecaminosa, executada de uma maneira completamente inusitada, levando a personagem a um comportamento dúbio e, o que é mais aterrorizador, completamente de hábitos estranhos!

Cidade de porte pequeno para médio, onde quase todos se conhecem, porém, uma das minhas paroquianas das mais fervorosas, que não revelarei o nome, basta estar quebrando o meu juramento de jamais comentar as confissões ouvidas, sendo o correto determinar rezas e atos de contrições e, mais que depressa, esquecer o que ouviu, entregando para o perdão divino!

Mas, nesse caso, se eu também não fizer uma confissão, ficarei engasgado pelo resto da vida, somente por ter ouvido essa pessoa, beata das verdadeiras “baratas de sacristia”.  Mulher de seus quarenta e cinco anos, solteira, sem filhos e moradora sozinha, já que tinha vindo para a cidade há uns 20 anos em função do seu emprego federal que a transferiu para longe da família moradora em outro estado!

A primeira vez que ela me fez esse relato, achei que seria apenas um fato ocorrido, por razões de oportunidade, ou casualidade que, inesperadamente aconteceu. Disse-me ela que, desde de jovem sentia duas grandes necessidades em sua vida: uma de grande religiosidade e a outra de prazer sexual! De dia rezando e professando com fervor a eucaristia e a noite devotando gananciosamente a putaria! Essas foram, textualmente, as suas palavra! Eu quase caí duro no confessionário, levantei o rosto para olhar a sua cara e vi que era mulher nada mocinha, porém ainda bonita e viçosa!

Não me contive e, sem dar ideia de censura, lhe perguntei se isso era comum na vida dela, ou apenas aconteceu uma vez ou duas?

Ela, sem titubear ou tremer a voz, foi incisiva e repetiu: Padre meu dia todo eu ofereço a Deus, rezando ajoelhada e nunca falho. Mas, a noite só sinto-me bem sentada num caralho! O mais curioso é que ela usava de um linguajar perturbador de tão vulgar, sem, pelo menos, disfarçar seus posicionamentos noturnos!

Lógico que procurei dar uma serie de conselhos, mostrar que esse comportamento era inadequado, que ela deveria ser mais comedida, até que arranjasse um marido e oficializasse esse seu pecado mais que mortal! E ela, veementemente, respondeu: Gosto de rolas diferentes! Nada de repetições de cardápio, pois o que mais adora é a surpresa da variação. Grande, pequena, grossa ou fina, essas todas eu curto desde menina!

Meu Deus, fiquei chocado e horrorizado com essa confissão de uma mulher, realmente “Bi”, pois, de dia era uma santa e a noite uma puta! Imaginei logo que, por ser uma média comunidade, que todos os homens já tinhas comido sua xoxota pecadora e demoníaca, instalada num corpo santificado!

Mandei que ela rezasse uma tonelada de Ave Maria e Padre Nosso. Mas, quem disse que resolveu? Todos os sábado ela volta e repete os acontecidos, cumpre sua penitência e, mesmo dando uma na noite do sábado, no domingo pela manhã ajoelha-se em frente ao altar mor, com véu e terço na mão, pede perdão a Deus e faz a sua comunhão, depois vai cantar no coral da igreja!

Que Deus, na sua divina bondade, me perdoe por estar quebrando a jura do silencio. Mas, se eu não fizesse essa confissão, terminaria enlouquecendo!

*Escritor – Membro da Academia Grapiúna de Letras – AGRAL – antoniodaagral26@hotmail.com

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