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sábado, 13 de julho de 2013

Leilão do Teatro Jorge Amado gera polêmica e gestor faz apelo

O leilão do Teatro Jorge Amado está marcado para dezembro deste ano
O leilão do Teatro  Jorge Amado está marcado para dezembro deste ano
Depois que o Teatro Maria Bethânia, no Rio Vermelho, virou casa de bingo e, agora, pertence ao Fogo de Chão, mais um equipamento de cultura chega ao fim em Salvador. O Teatro Jorge Amado, construído pelo Curso de Inglês Universal English Course (UEC) por meio de financiamento da Desenbahia, irá a leilão ainda este ano, a fim de saldar as dívidas, uma exigência do Banco Central à Agência de Fomento do Estado da Bahia. O vereador Tiago Correia, atual presidente da Comissão de Turismo e Desenvolvimento Econômico da Câmara Municipal de Salvador, fez um apelo à Secretaria de Cultura do Estado e à Desenbahia para preservar o espaço e conta a história do centro de cultura e artes:
 
Em 2011 a Agência de Fomento do Estado da Bahia (Desenbahia) assinou com o Tribunal de Justiça da Bahia um Termo de Cessão de Uso, com opção de compra, referente ao imóvel do antigo Curso de Inglês Universal English Course (UEC), situado na Pituba, onde funciona o Teatro Jorge Amado. O curso contratou, em 1995, operação de financiamento com o antigo Desenbanco para construção de sua sede própria na Pituba. Com a extinção do órgão, as operações de financiamento passaram à responsabilidade Desenbahia. A garantia para o financiamento foi à própria sede do UEC. Em 2002, o curso tornou-se inadimplente, obrigando a Desenbahia a ajuizar ação de execução objetivando a recuperação do crédito.(Geraldo Vilalva, Bahia Negócios)
Gestor divulga nota sobre o leilão do Teatro Jorge Amado
Tomei conhecimento através de um funcionário da Desenbahia que o Tribunal de Justiça da Bahia havia comunicado ao Banco seu não interesse em renovar o contrato de comodato assinado em 2011, e a desistência da intenção de compra do imóvel. Esta decisão obriga a Desenbahia a levar a leilão o prédio onde outrora funcionava o Curso de Inglês UEC e onde hoje estão as Turmas Recursais do TJ-Ba e o Teatro Jorge Amado.
A Desenbahia não pode manter-se proprietária de um imóvel do qual não faz uso para suas atividades, e por determinação do Banco Central precisa vendê-lo ainda este ano.
Como muitos devem estar lembrados, em junho de 2010 o imóvel da Av Manoel Dias da Silva nº 2177 – Pituba foi tomado de garantia por recuperação de crédito e o Teatro Jorge Amado, que há 13 anos funcionava naquele local, construído que fora pelo UEC com recursos da Desenbahia, esteve ameaçado de fechamento. Na ocasião um movimento que envolveu imprensa, artistas, produtores e público, foi bastante forte para sensibilizar a Secretaria de Cultura do Estado, o governador Jaques Wagner e a direção da Desenbahia, de modo que foi assegurado ao Teatro Jorge Amado a funcionalidade necessária para cumprir suas pautas comprometidas até dezembro daquele ano.
Em janeiro de 2011 a Desenbahia deu o imóvel em comodato ao Tribunal de Justiça da Bahia, e em acordo que imagino tenha sido costurado pelos acima envolvidos, permitiram que o Teatro também se mantivesse funcionando, sob minha gestão, até que a compra fosse efetivada e um processo licitatório definisse o futuro da administração do espaço cultural.
Durante esses 2 anos e meio o TJA contou com o apoio do Tribunal de Justiça da Bahia para que a convivência entre os dois estabelecimentos fosse respeitosa e de muita parceria, pois os espaços de convivência são muitos e as especificidades das atividades muito diversas.
O Teatro Jorge Amado não é um espaço cultural público, e não conta com o patrocínio nem governamental nem empresarial. Embora conte com inúmeros apoios que sempre foram importantíssimos para sua sobrevivência.
O resultado comercial de suas pautas foi capaz de mantê-lo em atividade nestes 2 anos e meio, não obstante incapaz de proporcionar melhorias mais significativas, como a substituição de poltronas, carpetes e equipamentos.
Mas, mais do que resultados comerciais favoráveis à sobrevivência sem patrocínios, o que mais parece significativo é a dimensão que tomou aquele equipamento cultural após a turbulência pela qual passou em 2010 e cujos números apresento agora:
Em 2011 o teatro Jorge Amado foi palco de 371 apresentações e contou com um público de aproximadamente 117.000 pessoas.
Em 2012 foram 464 apresentações, sendo 397 artísticas e abertas ao público e 67 eventos fechados para escolas e empresas, formaturas, etc. O público que frequentou o teatro foi da ordem de 125.650 pessoas.
Em 2013 – de janeiro a junho, portanto 180 dias, o TJA já realizou 190 apresentações, tendo sido 168 de espetáculos artísticos e 22 eventos fechados. Um público de 52.119 pessoas.
Toda esta pujança de atividade cultural rendeu-lhe a admiração da comissão de análise do projeto “Salvador, um Exemplo Econômico Através da Cultura”, que o Sebrae e a Janela do Mundo estão a discutir ainda em parceria com a UFBA e a Prefeitura Municipal de Salvador. Lá estiveram em abril deste ano um grupo de consultores com ampla experiência no setor de desenvolvimento econômico através da Cultura, do Turismo e das Pequenas e Médias empresas, integrantes da Escola de Negócios IESE, da Universidade de Navarra, na Espanha. Disseram-se impressionados, até mesmo na comparação com os resultados europeus nesta área, onde nenhum teatro resiste sem a subvenção quase total do governo ou do setor empresarial.
Engana-se quem pensa que o Teatro Jorge Amado atuou apenas como locatário de pautas. Arregaçou as mangas para ser também produtor e fomentador de espetáculos. Apoiou com a concessão gratuita de pautas ou o chamado contrato de risco a inúmeros projetos artísticos.
Engana-se também quem pensa que não foi um espaço cultural dos artistas da Bahia. Em 2012 foram 248 apresentações de espetáculos locais (de todas as linguagens artísticas) contra 132 de espetáculos vindos de outras praças.
Às vésperas de completar 16 anos de sua inauguração, pelas mãos do próprio patrono e de seus mais diletos amigos, todos já no descanso eterno, Carybé e Calasans Neto – o Teatro Jorge Amado orgulha-se de ter sido palco de 5.500 apresentações e ter sido frequentado por um público de aproximadamente 1.500.000 pessoas. Um espaço cultural de 418 lugares!
“Que nesta Casa se faça Cultura!”, vaticina a placa de bronze descerrada pelas mãos de nosso escritor maior a 9 de agosto de 1997.
O Teatro Jorge Amado não foi o “teatro do UEC”, embora esta pudesse ser também uma justa homenagem à intenção primeira do empresário Nô Brito, que o idealizou. Foi e continua sendo um espaço cultural da Cidade de Salvador da Bahia, e espero sinceramente, a despeito da minha permanência em sua gestão, que este pertencimento lhe dê justiça de sua continuidade. E que os nossos governantes sejam sensíveis em aliar-se à esta luta!

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