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domingo, 6 de novembro de 2011

A IMATERIALIDADE DO GOVERNO WAGNER

Por Samuel Ceslestino - Jornal A Tarde

Não é novidade que o Estado da Bahia atravessa um período de dificuldades financeiras. A receita caiu. Embora oficialmente não explicada, a razão, supõe-se, é consequência da crise que balança as estruturas do euro e dos bancos do bloco, em relação aos problemas da Grécia.

Enfim, a Bahia está sem dinheiro em caixa, conseqüência da queda da receita. Se está sem recursos, as dificuldades – que já são imensas para a realização de obras –tornam-se mais densas.

Ninguém fala muito, no governo, sobre esta situação e, seguramente, também não há perguntas da imprensa, como deveriam, para que houvesse uma explicação clara, concreta. Piora quando os dois poderes, o Legislativo e o Judiciário, querem suplementar seus orçamentos para fechar o exercício em curso.

No Legislativo não é muito, mas no TJ-Ba fala-se em R70 milhões. Uma bomba. Aí, só se o governo girar a guitarra, no sentido de prelo, como se dizia antigamente para fabricar dinheiro. Forma de dizer.
Juntando tudo isso e mais algumas coisas, observa-se que o Estado está carente de obras físicas no Estado. Entre os petistas, surgiu uma história explicativa risível, senão absurda: “as obras do governo Wagner são imateriais”. Leva jeito de gozação porque se são imateriais, não existem na prática.

Em Salvador, por exemplo, há o trevo do aeroporto realizado com verbas federais, a Arena da Fonte Nova, em construção através de contrato público-privado, com  financiamento do BNDES. Espera-se que o projeto de mobilidade urbana, com o metrô na Paralela interligado ao fantasminha transformado em ralo sumidouro de dinheiro público, que nasce na Estação da Lapa, aconteça. Nem todos acreditam.
O aeroporto necessita urgentemente uma ampla reforma. A Orla está abandonada. E há uma guerra envolvendo está péssima concessionária Via Bahia, responsável pelas BRs, 324 e 116, extorquindo motoristas insatisfeitos nos pedágios absurdos. O governo teria que gritar. Não há, salvo esquecimento, qualquer outra obra de dimensão, a não ser coisas pequenas. E projetos. A Via Portuária não saiu e não sairá até o final do governo.

Há, no meio do seu futuro traçado, a Rótula do Abacaxi, também com recursos federais, obra inaugurada por Lula. De resto, transferem-se obras no papel para o plano da imaterialidade como pomposamente dizem os petistas.
Há projetos que, quando realizados, poderão transformar a economia baiana (sempre comparada com Pernambuco, que virou moda). Dentre eles destaques para a ferrovia Oeste-Leste e o Porto de Ilhéus, previstos para ficarem prontos em 2015, ou 16, portanto depois do governo Jaques Wagner.

O porto e a ferrovia, sonhos do engenheiro e deputado federal Vasco Neto (só que ele imaginava o porto em Maraú, em Campinhos, na baía de Camamu), e a tal e quimérica ponte Salvador-Itaparica, cujo início está previsto para 2018, mas é melhor empurrá-lo para frente.

A imaterialidade da ponte é quase total. A idéia é tão antiga quanto a própria Baía de Todos os Santos. Recordo-me que pensei muito nela quando, menino, veraneava em Mar-Grande (Gameleira) numa época em que não havia luz elétrica. Cortava-se a baía de saveiro (o saudoso saveiro de “seu” Joaquim), ou na lanchinha Gaivota. Era bonito ver, à luz de lampião na ilha, as luzes de Salvador tremularem.

Era justamente aí, em serenatas no atracadouro de madeira, que desenhávamos nas conversas a ponte Salvador-Mar Grande. A imaterialidade, no caso, vem de longe. Creio que Caramuru e os tupinambás pensaram também nela. Para quê eu não sei, já que só havia caravelas e o lombo do burro.  Bem, mas estou a derivar, por culpa do teclado que pede que se conte coisas talvez sem interesse no contexto da imaterialidade baiana. Faz parte.
O fato é que se anuncia a montadora chinesa Jac, que não é nenhuma brastemp, longe do significado da Mitsubishi, Volks e da Fiat. Mas é alguma coisa para o Estado que está tendo azar (azar?) na atração de investimentos. De qualquer maneira, louva-se a Jac que, definitivamente, quando iniciar a produção não a rotulará de imaterial

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